Brasil foi o país que gastou menos com pacotes anticrise, diz OIT
da Folha Online
da Efe, em Genebra
O Brasil foi o país que teve em 2008 o menor gasto relativo entre as nações que apresentaram medidas anticrise, informou nesta terça-feira a OIT (Organização Internacional do Trabalho) em relatório que será entregue aos países do G20 (grupo dos países ricos e dos principais emergentes) para servir de subsídio para a reunião de cúpula no início de abril, em Londres.
Segundo a organização, no ano passado o Brasil gastou o equivalente a 0,2% do PIB (Produto Interno Bruto) em medidas para reduzir o impacto da crise financeira global. Foi o pior desempenho entre os 32 países que também anunciaram recursos.
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O maior gasto relativo foi o da China, que liberou o equivalente a 13% do PIB em medidas anticrise. Foi seguido por Arábia Saudita (11,3% do PIB), Malásia (7,9%), Estados Unidos (5,6%) e México (4,7%). Além do Brasil, os piores índices foram da Itália (0,3% do PIB), Suíça (0,3%), Índia (0,3%) e Bélgica (0,5%).
Nas contas, esses 32 países juntos tomaram medidas anticrise equivalentes a 1,3% do PIB deles em 2008.
O Brasil é citado negativamente no relatório também no tocante da abrangência dos benefícios para desempregados. Segundo o documento, 93% dos desempregados do país não são beneficiados com tais programas, o maior índice entre oito das maiores economias do mundo pesquisadas pela OIT. Nesta análise, China (84%) e Japão (77%) seguem o Brasil, enquanto que a Alemanha (13%) apresentou o melhor desempenho.
A OIT ainda questiona que só 9,2% das despesas dos planos de resgate são destinados a promover o emprego, e as medidas de política social representam apenas 1,8%. Esta é a principal queixa que o órgão faz no relatório.
"Nós não dizemos para não se recuperar os bancos, porque, sem eles, a economia não funcionará, mas solicitamos que, ao mesmo tempo, leve-se em conta a necessidade de impulsionar a economia real", afirmou o diretor-geral da OIT, Juan Somavía, em coletiva à imprensa. "Fazemos uma chamada ao G20 para que leve isso muito em conta, e tome as medidas necessárias.
Somavía insistiu também na "crise anterior à crise, quando se subvalorizava o mercado e as regulações, e se desprezava a dignidade do trabalho e o respeito ao meio ambiente".
"A mostra evidente de que o mercado de trabalho não era de qualidade foi a facilidade com a qual os empregos foram eliminados", acrescentou o diretor da OIT.
No relatório, a OIT afirmou que, para superar os graves efeitos da crise, é preciso um pacto global sobre o emprego baseado em políticas que favoreçam o trabalho digno e tornem mais justa a globalização.
"Se forem aplicadas medidas coordenadas em resposta à crise nos próximos três meses, poderíamos estabilizar o desemprego, e o crescimento do emprego poderia começar em 2010. Se as medidas só forem tomadas daqui a seis meses, o processo será mais lento e a recuperação só começará no início de 2011", disse Somavía.
Segundo os números apresentados pela instituição em janeiro, entre 2008 e 2009, serão eliminados 52 milhões de empregos no mundo. No entanto, os economistas da OIT destacaram que essas previsões foram feitas quando ainda se achava que o crescimento global deste ano seria positivo, e dado que os dados atuais mostram que realmente haverá uma recessão, os números de desemprego poderiam aumentar.
Essa seria uma circunstância muito negativa, dado que, com base simplesmente no crescimento demográfico, entre 2009 e 2010, o mundo precisaria da criação de 90 milhões de postos de trabalho extras, algo que todo o mundo concorda que será impossível de alcançar. Por isso, Somavía pediu "ações urgentes".
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