Cadastro positivo e competição maior podem reduzir "spread", diz Meirelles
LORENNA RODRIGUES
da Folha Online, em Brasília
O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, disse nesta quarta-feira que há espaço para a redução do "spread" bancário no Brasil. O "spread" é a diferença entre os juros que os bancos pagam para pegar dinheiro e os juros que eles cobram de seus clientes para emprestar.
Durante audiência pública na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado, Meirelles afirmou que um dos fatores que poderão contribuir para a queda da taxa é o cadastro positivo, que permitirá um cliente levar seu histórico de crédito de um banco para outro e beneficiará os bons pagadores. O projeto do cadastro positivo aguarda aprovação no Congresso Nacional.
Meirelles disse ainda que o BC estuda formas de restaurar a competitividade dos bancos médios e pequenos, para que eles possam atrair mais depósitos e aumentar a competição no mercado.
"A maior oferta de crédito de um lado, maior competitividade dos bancos pequenos e médios e uma volta mais forte dos bancos públicos com o cadastro positivo, tudo isso conjugado com uma maior transparência e uma maior competitividade terá um resultado muito positivo [para a redução do spread]", afirmou.
Juros
Durante a audiência, Meirelles ouviu críticas de vários senadores em relação à demora na redução da taxa básica de juros pelo Banco Central. Na última reunião do Copom (Comitê de Política Monetária) do BC, em março, a Selic foi reduzida pela segunda vez seguida, para 11,25% ao ano.
"Teve momentos em que o Banco Central atrasou o espaço que tinha [para reduzir os juros] e esse foi um deles", afirmou o senador Aloizio Mercadante (PT-SP).
Poupança
Durante a audiência, Meirelles disse ainda que será um "problema" a questão da poupança que, com a queda da taxa de juros, passa a atrair mais investidores em detrimento de outros investimentos.
"É um desafio que terá que ser equacionado, não vou dar uma opinião aqui, mas isso certamente será debatido aqui nessa casa", complementou.
Meirelles disse que o BC tem que atuar preventivamente e que as taxas de juros no Brasil estão caindo sistematicamente nos últimos anos devido à estabilização da economia.


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