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Dinheiro
26/03/2009 - 14h12

Sentença que manda prender dona da Daslu prevê pena máxima de 94 anos

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da Folha Online

Atualizado às 15h35.

A sentença judicial condenatória da 2ª Vara da Justiça Federal, em Guarulhos (Grande SP), que pediu a prisão de Eliana Tranchesi, dona da Daslu, e outras seis pessoas aceitou o pedido de denúncia contra a empresária que inclui quatro crimes (falsidade ideológica, descaminho consumado, descaminho tentado e formação de quadrilha) --as penas máximas, somadas, podem chegar a 94 anos e meio. A pena mínima prevista, caso ela seja condenada, é de 21 anos.

A Polícia Federal prendeu na manhã desta quinta-feira Tranchesi e outras duas pessoas acusadas de crimes financeiros --Antonio Carlos Piva de Albuquerque, irmão de Eliana e ex-diretor financeiro da butique, e Celso de Lima, da importadora Multimport.

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Ao todo são sete mandados de prisão expedidos, mas apenas três foram efetuados até agora --dois ainda estão em curso, segundo a PF, sendo que outros dois envolvidos já são considerados foragidos.

Como ainda cabe recurso, a defesa alega que a prisão não deveria ter ocorrido. No entanto, a sentença explica que por conta do crime de descaminho ter ocorrido repetidas vezes (Eliana e o irmão teriam cometido o delito em seis ocasiões), a lei 9.304, de 1995, permite a prisão --veja abaixo os sete denunciados e os crimes.

A sentença menciona que a "organização criminosa" também deve ser presa por ter "conexões no estrangeiro" e ter dado prosseguimento aos crimes mesmo depois de descobertos a primeira vez (em 2005), mudando-se apenas o eixo de atuação de São Paulo para o sul do Brasil. "Os acusados praticaram crimes de forma habitual, como verdadeiro modo de vida, ou seja, são literalmente profissionais do crime", diz a sentença da juíza Maria Isabel do Prado.

Ana Ottoni/Folha Imagem
Relatório médico aponta agravamento da doença de Tranchesi; leia íntegra
Relatório médico aponta agravamento da doença de Tranchesi; leia íntegra

Eliana Tranchesi foi enviada provisoriamente ao presídio feminino do Carandiru, na zona norte de São Paulo. A defesa dela, porém, entregará ainda hoje à Justiça um laudo médico sobre a gravidade do estado de saúde dela. A empresária está sob tratamento de quimioterapia para combater um câncer.

Segundo a Folha Online apurou, o laudo explicará que a saúde da empresária está tão fragilizada que ela corre risco de morte caso não seja solta imediatamente. Eliana Tranchesi descobriu um câncer no pulmão esquerdo, do qual retirou um tumor, após o escândalo da fraude nas importações na Daslu, em 2005.

Por meio de nota, a advogada de Tranchesi, Joyce Roysen, afirmou que a prisão da empresária é "excêntrica" e "inconstitucional". A defesa destaca que a prisão não poderia ter sido decretada porque a decisão da 2ª vara é de primeira instância e ainda cabe recurso.

Roysen diz ainda que sua cliente enfrenta sérios problemas de saúde. "Há um fato que torna a prisão ainda mais cruel: como é sabido, Eliana está novamente enfrentando um momento difícil na sua luta contra o câncer. No último sábado ela realizou mais uma sessão de quimioterapia, está fragilizada, e deverá se submeter periodicamente a novas sessões", afirma Roysen.

Caso

A maior butique de luxo do país é acusada de importação irregular. A empresa teria construído um esquema para subfaturar importações com o objetivo de sonegar impostos.

No esquema, a Daslu seria a responsável pela negociação, compra, escolha e pagamento de mercadorias no exterior e, após tais atos, entravam em cena as importadoras ("tradings"), que eram responsáveis pela falsificação de documentos e faturas destinados a permitir o subfaturamento do valor das mercadorias.

VEJA OS ACUSADOS E OS CRIMES LISTADOS

Eliana Tranchesi
- formação de quadrilha (1 a 3 anos de prisão)
- descaminho consumado (1 a 4 anos) - cometido seis vezes, sendo que a pena pode ser dobrada por uso de meio aéreo
- descaminho tentado (1 a 4 anos) - cometido três vezes)
- falsidade ideológica (1 a 5 anos) - cometido nove vezes

Piva de Albuquerque
- formação de quadrilha (1 a 3 anos de prisão)
- descaminho consumado (1 a 4 anos) - cometido seis vezes, sendo que a pena pode ser dobrada por uso de meio aéreo
- descaminho tentado (1 a 4 anos) - cometido três vezes)
- falsidade ideológica (1 a 5 anos) - cometido nove vezes

Celso de Lima (importadora Multimport)
- formação de quadrilha (1 a 3 anos)
- descaminho consumado (1 a 4 anos) - cometido seis vezes, sendo que a pena pode ser dobrada por uso de meio aéreo
descaminho tentado (1 a 4 anos) - cometido duas vezes)
- falsidade ideológica (1 a 5 anos) - cometido cinco vezes

André Beukers (Kinsberg)
- formação de quadrilha (1 a 3 anos)
- descaminho consumado (1 a 4 anos) - cometido duas vezes, sendo que a pena pode ser dobrada por uso de meio aéreo
- falsidade ideológica (1 a 5 anos) - cometido duas vezes

Roberto Fakhouri Junior (Kinsberg)
- formação de quadrilha (1 a 3 anos)
- descaminho tentado (1 a 4 anos) - uma vez
- falsidade ideológica (1 a 5 anos) - cometido uma vez

Rodrigo Nardy Figueiredo (Todos os Santos)
- formação de quadrilha (1 a 3 anos)
- descaminho tentado (1 a 4 anos) - cometido uma vez
- falsidade ideológica (1 a 5 anos) - cometido uma vez

Christian Polo (By Brasil)
- formação de quadrilha (1 a 3 anos)
- descaminho consumado (1 a 4 anos) - cometido uma vez, sendo que a pena pode ser dobrada por uso de meio aéreo
- falsidade ideológica (1 a 5 anos) - uma vez

Comentários dos leitores
josé ribeiro (7) 22/08/2009 11h15
josé ribeiro (7) 22/08/2009 11h15
Vejam só, como é didificil saber a que se chama de dignidade e honestidade neste momento no Brasil, A Daslu rouba, mas pode, porque não bem assim, O Sarney comete varias irregularidades , mas o Arthur Virgilio tanto quanto ele, e ai se perdoam, O Serra tem um caso de corrupçãp enorme no metro, mas não aceita CPI, em vez disto cria mais pedagio, e a Marina Silva com toda a sua pose de dignidade sai do PT ( o antro de corrupção ) mas não tem a dignidade de se livrar do mandato de senadora que por lei é do PT, cade a coragem para largar do poder, se não é seu devolva, todos iguais , devemos enfiar no mesmo saco de gatos sem opinião
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Edison Filho (144) 08/04/2009 19h54
Edison Filho (144) 08/04/2009 19h54
Sr. Gagliardi, manifestações neste espaço não podem ser apagadas pelo autor, então permita-me rememorá-lo das suas:
"(...) os mesmos que se calam perante os mensalões, cartões corporativos do governo e outras mazelas de proporções muito maiores que um crime de sonegação de impostos" (04/04,18h00). Sonegar é roubar dinheiro público, tal qual os crimes citados pelo sr. Não existe "roubo bom" e "roubo ruim". Ao reduzir a importância do crime cometido por D. Tranchesi, o sr. faz apologia do mesmo. Igualzinho aos "cientistas sociais" que acham que bandido é "vítima da exclusão social".
O juiz que condenou D. Tranchesi apenas aplicou a lei, como lhe cabia. Nem mais nem menos. Ao afirmar que sua decisão não foi obra de Justiça, mas de "vingança" (06/04, 17h43), o sr. acusa o juiz de proceder com parcialidade, uma acusação séria que pode lhe dar cadeia (calúnia).
"E quem se ofendeu então? Quem não compra nada lá (...) os linchadores, os que odeiam "uzricu"" (04/04, 18h00) Aqui o sr. difamou e injuriou quem se revolta com o crime de sonegação. Se isso não é apologia do crime de sonegar, então é ofensa a todos cidadão honestos deste país, e cabe processo.
Para finalizar, depois de afirmar uma sandice ("a loja pagava com pesadas multas, aquela sonegação" 04/04, 18h00), o sr. ainda nega completamente a importância dos crimes de D. Tranchesi, qualificando sua condenação como "cortina de fumaça" (04/04,18h00). Só faltou dizer que nem criminosa ela era, mas vítima, a "pobre".
128 opiniões
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João Carlos Gagliardi (1884) 08/04/2009 16h59
João Carlos Gagliardi (1884) 08/04/2009 16h59
Sr. Edison Filho,
Havia me prometido não perder mais tempo com o Sr.
Entretanto, além das suas insinuações levianas e descabidas rotineiras, dessa vez o Sr. extrapolou o bom senso que norteia este e outros fóruns.
No seu texto temos:
"Mas ao invés disso o sr. vem aqui fazer apologia do crime e uma defesa despudorada de uma criminosa reincidente" e "Ao contrário do sr, eu não torço pra bandido."
Quem o sr. acha que é?
Me acusa com todas as letras em fazer "apologia ao crime". O que é crime. Como também é, acusar alguém sem provas.
Já tive experiências aqui com pessoas agressivas e ofensivas, e em alguns casos a "moderação" se encarregou de remover estes textos.
Para todos os efeitos sua mensagem original, já está copiada e arquivada.
Participo nestes fóruns, com a mente e o espírito democrático.
Critico instituições, ações e figuras públicas, sempre que acredito necessário, porque é um direito que AINDA temos garantido pela Constituição.
Não acuso pessoas físicas, ou outros postantes, por mais absurdas que considere suas opiniões, de cometer um crime, porque não os conheço.
Seria leviano, imprudente e ilegal e até poderia responder por isso judicialmente.
Em tempo, eu faço muito mais do que apenas "torcer" pelo Brasil...
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