GM mostra que reestruturar empresa não é motivo de vergonha, diz consultoria
da Folha Online
O caso da montadora de veículos GM (General Motors) nos Estados Unidos, que em meio a dificuldades financeiras afirmou preferir o processo de reestruturação à falência, é uma sinal de que empresas de todos os portes estão sujeitos a abalos e a necessidade de reorganizar os negócios. A avaliação é do sócio da consultoria Deloitte e especialista em reorganização de empresas, Luis Vasco Elias.
"É uma cultura nova [reestruturação] do ponto de vista conceitual. E faz parte até de uma GM. Tem empresário em dificuldades aqui no Brasil com vergonha de ir à cidade. O aspecto da GM tentar reestruturação tem efeito psicológico muito importante, para uma proporção enorme de empresários que acha vergonhoso fazer essa opção", disse Elias.
Auditores que avaliam a situação da GM, nos EUA, levantaram "dúvidas substanciais" sobre a capacidade da empresa de continuar suas operações e disseram que a empresa pode ter de recorrer à proteção do "Chapter 11", o capítulo da legislação americana que regulamenta falências e concordatas. A GM negou a preferência pela concordata.
A Deloitte apresentou nesta quinta-feira, em São Paulo, a pesquisa "Reorganização de Empresas no Brasil", feita com 259 organizações com faturamento superior a R$ 50 milhões e 50 agentes envolvidos nos processo de recuperação de empresas, representando bancos, fundos de investimento, advogados e juízes.
Conforme o estudo, 86% das empresas analisadas estão ou estiveram envolvidas em processo de reorganização. Entre setembro e novembro do ano passado, quando o levantamento foi feito, 36% estavam em meio ao processo, que prevê um "conjunto de estratégias e medidas para retomar a fase de crescimento ou reverter a situação negativa em momentos de crise".
"A reorganização das empresas pode ser feita por meio de uma reestruturação, no momento em que se inicia sua fase de declínio, ou por meio de uma recuperação, quando há o agravamento da crise, levando a risco de insolvência [dificuldade de pagar dívidas]", informa o estudo.
Competitividade
Entre os motivos que levam ao processo de reorganização, segundo a pesquisa, estão a necessidade de expansão (para 56% dos entrevistados), a redução de lucratividade (49%), busca de novos mercados (48%), aumento da concorrência (43%) e perda da competitividade (38%).
"O motivo que leva à reorganização está sempre ligado à intensão de se tornar mais competitivo", afirmou Elias.
Para ele, a crise econômica internacional e os fatores decorrentes dela, como a escassez de crédito, são uma oportunidade para as empresas repensarem seus negócios e mercados.
"As empresas estão tomando ações rápidas. Isso vai parar [problemas de crédito] e as empresas que se reorganizaram vão aproveitar mais cedo a retomada", avaliou. "É muito difícil entender a profundidade dessa crise, que chegou de maneira rápida e recebeu medidas também muito rápidas pelos governos. As empresas devem encarar momento como oportunidade para promover reorganização e que é um processo para escapar disso", recomendou.
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