Ford anuncia plano de demissão nas unidades de SP e BA
da Folha Online
Atualizado às 16h28.
A Ford anunciou nesta sexta-feira a implementação de um plano de demissão voluntária para as três unidades de produção da companhia no Brasil, em Camaçari (BA), São Bernardo (SP) e Taubaté (SP). A empresa alega redução nas exportações, mas não informa qual a meta de corte de funcionários. A Ford emprega 10,2 mil funcionários no Brasil.
De acordo com comunicado da Ford, o objetivo é "ajustar o seu efetivo aos níveis de produção atuais, relacionados principalmente à redução significativa nos volumes de exportação". No primeiro bimestre deste ano, a Ford Brasil teve uma redução de 52,8% no volume de exportações em comparação com o mesmo período de 2008.
Para a montadora, "a queda nas vendas externas é resultado da desaceleração da economia global e tem afetado os principais mercados da Ford, bem como de toda a indústria".
O PDV será aberto a todos os empregados, incluindo os aposentados. A empresa também não detalhou o período de inscrição ao programa.
"Aproveitamos a oportunidade para reafirmar o nosso objetivo de manutenção dos investimentos já anunciados e de manter a nossa competitividade em nível mundial", afirma o comunicado.
A empresa apresentou aumento de 5,28% nas vendas em 2008 em relação a 2007, alcançando 260.139 unidades, em quarto lugar no ranking do mercado nacional.
Exportações
Segundo dados da Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores), em fevereiro, as exportações caíram 52,3% em volume e 49,2% em valores. Nos principais mercados que compram veículos brasileiros, a queda das vendas chega a 80%.
O presidente da Anfavea, Jackson Schneider, afirmou que o setor, em alguns países, vive uma depressão, mas que no Brasil a situação não é tão grave.
A queda na demanda externa, no entanto, impactou brutalmente as exportações brasileiras, incluindo países da América Latina que representam boa parte das vendas externas.
As exportações para a Argentina caíram 68% em janeiro deste ano contra o mesmo período do ano passado (os dados detalhados de fevereiro não estão disponíveis). Em números aproximados, foram embarcadas 8.200 unidades contra 25.700 em 2008. O país vizinho é o maior comprador de automóveis brasileiros, com 55% do volume.
Para o México as vendas caíram 60%, de 13.400 para 5.400 unidades, na mesma comparação. Para o Chile, as exportações sofreram redução de 80%, de 2.600 para 500 unidades em janeiro.
Schneider afirmou que as exportações não devem retomar o ritmo verificado em 2008 e já adiantou que o mercado interno não será suficiente para compensar tais perdas.
Demissões
O número de empregos nas montadoras brasileiras registrou em fevereiro deste ano a quarta queda consecutiva. A primeira, em novembro de 2008, havia sido a primeira desde dezembro de 2006, segundo dados da Anfavea.
Segundo a associação, foram eliminados 1.786 postos de trabalho apenas no mês de fevereiro, representando uma queda de 1,4% no período.
Somados os quatro meses de cortes, a indústria aponta eliminação de 7.769 empregos vagas. A Anfavea informou que considera tanto os empregos efetivos quanto os temporários.
No mês passado, as empresas somaram 123.948 empregos, contra 125.734 de janeiro. Até outubro, quando a crise se gravou no setor, eram 131.717 empregados nas montadoras.
De acordo com a associação, no entanto, o número de empregos em fevereiro deste ano ainda ficou 1,3% maior do que o registrado no mesmo período de 2008.
Veja as condições e prazos de adesão ao PDV:
São Bernardo e Taubaté
1) Empregados horistas, incluindo aposentados:
41,5% do salário nominal mensal por ano de serviço na Ford
2) Empregados horistas com restrições médicas desde que reconhecidas pelo INSS:
140% do salário nominal mensal por ano de serviço na Ford mais indenização adicional de acordo com a faixa salarial
Vigência:
Taubaté: de 1º a 15 de abril de 2009
São Bernardo: de 2 a 22 de abril de 2009
Camaçari
1) Empregados horistas
R$ 10.000 de indenização mais indenização adicional de R$ 750 ou três meses de assistência médica
2) Empregados horistas com doença ocupacional, desde que reconhecidas pela companhia:
R$ 15.000 de indenização mais indenização adicional de R$ 3.000 ou 12 meses de assistência médica
Vigência: de 6 a 27 de abril 2009
Leia mais notícias sobre montadoras
- Montadoras registram 4ª queda de empregos e cortes passam de 7.700
- Funcionários da Renault com contrato suspenso voltam ao trabalho
- Presidente da GM do Brasil nega que empresa vá quebrar com crise
Outras notícias sobre economia em Dinheiro
- Banco vê ameaça à política na América Latina por crise econômica
- Organização de países ricos prevê queda de 4,2% no PIB deste ano
- Obama discute ajuda e regulação financeira com chefes de grandes bancos
Especial
- Leia a cobertura completa sobre a crise dos EUA
- Navegue no melhor roteiro de cultura e diversão da internet
Livraria


