Sadia diz que absorveu prejuízo com derivativos e nega insolvência
KAREN CAMACHO
Editora-assistente de Dinheiro da Folha Online
A Sadia informou nesta sexta-feira que sua situação financeira é equilibrada, apesar do prejuízo recorde de R$ 2,5 bilhões em 2008, e que não terá dificuldades para cumprir seus compromissos. A empresa informou que os resultados foram impactados por operações cambiais, os chamados derivativos.
Gilberto Tomazoni, diretor-presidente da empresa, afirmou que a empresa "não corre qualquer risco de insolvência" e que os prejuízos com derivativos não impactaram o clima interno.
"O que aconteceu [perdas com derivativos] tem a ver com a parte financeira, e não operacional. É uma coisa que acontece. Não abalou a área operacional. A liderança da marca e a confiança dos consumidores são nossos principais ativos e a companhia sabe sair de dificuldades", afirmou
Segundo a empresa, os gastos com derivativos cambiais representaram 65,52% das despesas financeiras no ano --R$ 2,550 bilhões de R$ 3,892 bilhões.
À época do anúncio das perdas, Adriano Ferreira, diretor financeiro da empresa, foi substituído por Welson Teixeira Junior, diretor de Controladoria e de Relações com Investidores.
Nesta sexta, a Sadia anunciou a perda recorde e afirmou que o conselho de acionistas da empresa decidirá se processará o ex-executivo.
Nos últimos três meses do ano, o prejuízo foi de R$ 2,042 bilhões. Se a empresa não tivesse que antecipar em seu resultado de 2008 perdas que deverá registrar ao longo de 2009, o prejuízo seria de R$ 468 milhões.
Derivativos
Como a Sadia (e outras empresas, como Aracruz e Votorantim, por exemplo) tem receita em dólar obtida com exportações e custos em reais, as operações funcionariam como uma defesa para a oscilação cambial. Porém, os contratos não ofereciam qualquer proteção contra a desvalorização do real, como ocorreu no último trimestre de 2008.
Na prática, se o dólar cai, os bancos cobrem o prejuízo e as empresas lucram, mas se a cotação sobe, ganham os bancos.
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