Crise e aumento de capital marcam abertura da Assembleia do BID
da Efe, em Medelín (Colômbia)
Começou hoje em Medelín, na Colômbia, a 50ª Assembleia do BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento), que debaterá uma polêmica ampliação de capital do órgão e analisará o impacto da crise que, segundo ele, pode aumentar em 13 milhões o número de pobres na América Latina.
O presidente do BID, Luis Alberto Moreno, abriu a assembleia com um esclarecimento sobre sua polêmica proposta de ampliar seu capital.
Moreno reconheceu que esse debate, em plena crise global, não está isento de polêmica, mas chamou de "necessária" essa operação financeira.
Ele propôs capitalizar a instituição, pela nona vez em seus 50 anos de história, para garantir assim, este ano, empréstimos recordes de US$ 18 bilhões aos países da região.
"A 'família' do BID tem 48 países, muitas das grandes economias do mundo que, neste momento, estão tendo imensas pressões fiscais".
Moreno acrescentou que "qualquer discussão em qualquer congresso (agora) se volta para as dotações predeterminadas, definidas por critérios políticos de um governo", e que diante da crise alguns membros poderiam ter reservas a fornecer mais fundos.
A resposta colombiana não demorou, e Uribe apoiou com firmeza a colocação de Moreno, como única forma de que o BID possa seguir financiando projetos na América Latina.
"O financiamento do Estado e de todos os Estados da região precisa de compromissos muito grandes, capitalizar nossas entidades multilaterais, capitalizar também o BID", assinalou Uribe.
"Em julho do ano passado havia uma espécie de sobra na região, havia tanto dinheiro que ninguém previa que chegaria uma crise tão profunda, que não seriam necessários o Banco Mundial, o BID, nem a Corporação Andina de Fomento (CAF). Olhavam com uma espécie de desdém as entidades multilaterais", disse Uribe.
Segundo Uribe, "o BID, que emprestava US$ 8 bilhões ao ano, em 2009, para atender os requisitos da região, precisará conceder US$ 18 bilhões".
Por isso, o presidente colombiano pediu "que se faça um grande esforço por parte de toda a comunidade (...) para capitalizar o BID".
Para Uribe, é a única forma de que o organismo "possa seguir sendo essa grande fonte de financiamento dos projetos de desenvolvimento social".
Nesse sentido se inaugurou também hoje a feira Expodesarrollo 2009, em paralelo à reunião oficial, na qual a Colômbia oferece aos investidores 115 projetos avaliados em US$ 34 bilhões, nos setores de transportes, portos, minas e energia, água potável, telecomunicações e saneamento básico.
Entre os interessados, circularam hoje pela feira representantes de empresas brasileiras, canadenses, espanholas, americanas, italianas, coreanas, argentinas e peruanas.
Em paralelo, se realizaram dois fóruns, o primeiro sobre o papel da tecnologia em tempos de crise, do qual participou o presidente da Intel, Craig Barrett, que criticou a forma como os Estados Unidos encararam a crise.
Ele disse que parte das medidas adotadas olham para o passado, e não para o futuro, afirmando que o secretário do Tesouro americano, Timothy Geithner, devia ter criado uma "nova economia".
"Nosso secretário do Tesouro está preocupado em construir uma espécie de barragem para conter a inundação", disse Barrett, contrariado com a ênfase americana em ressuscitar as instituições financeiras e, sobretudo, resgatar o setor automobilístico.
Em um segundo fórum, sobre qualidade de vida na América Latina, o presidente do BID disse que o hiato entre percepção e realidade pode marcar a diferença nos processos de decisões políticas, especialmente em tempos de crise.
A 50ª Assembleia do BID vai até quarta-feira, 31 de março, em Medelín.


