Dinheiro
30/03/2009 - 11h16

Governo prorroga IPI reduzido para carros e desonera material de construção

Publicidade

YGOR SALLES
da Folha Online

Atualizado às 12h11.

O governo federal anunciou nesta segunda-feira a prorrogação do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) reduzido para o setor automotivo por mais três meses --o benefício valeria até amanhã--, mas com a contrapartida da manutenção dos empregos pelas montadoras, conforme antecipado pela Folha. Entre outras medidas, o governo também anunciou benefícios para motocicletas e materiais de construção e, como compensação, elevou a tributação sobre os cigarros.

As montadoras, porém, estão livres para implementar programas de demissão voluntária --como feito pela Ford na última semana-- e demitir trabalhadores temporários ao final de seus contratos.

Segundo o presidente da Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores), Jackson Schneider, sem a medida, haveria uma queda de 30% nas vendas de veículos no segundo trimestre. Após a redução do IPI, as vendas de veículos se recuperaram da forte queda vista no fim do ano passado. Na primeira quinzena deste mês, as vendas de automóveis e comerciais leves registraram alta de 5,31%. Apesar disso, mais de 4.700 empregos foram cortados no setor.

Além das montadoras, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, informou que os materiais de construção também terão alíquotas menores de IPI. Haverá isenção para a compra de revestimentos, vernizes, tintas, cimento, pias, louças de banheiro, rede e grade de aço, chuveiro, fechaduras e dobradiças, entre outros itens. Outros produtos tiveram apenas redução, como massa de vidraceiro, cujo IPI foi de 10% para 2%.

Além disso, foi modificado o regime de tributação para a construção civil (congrega os impostos: IR, CSLL, PIS e Cofins), aplicado às construtoras, com redução de 7% para 6%. Caso a construtora esteja no programa de habitação do governo, a redução vai a 1%.

Outra medida é o benefício fiscal para motocicletas, que teve redução de Cofins (Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social) de 3% para zero.

Para compensar, ao menos parcialmente, a perda de arrecadação com a desoneração fiscal, o governo vai elevar o IPI e a Cofins sobre os cigarros. Segundo Mantega, o produto ficará entre 20% e 25% mais caro.

A previsão de renúncia fiscal com essas medidas é de R$ 1,5 bilhão. O governo espera recuperar esse valor totalmente com o aumento do imposto sobre cigarros.

O anúncio de hoje feito em São Paulo, que contou com a presença do vice-presidente, José Alencar, complementa o pacote habitacional lançado na semana passada pelo governo, que prevê construir 400 mil casas para a baixa renda e facilitar os empréstimos imobiliários para quem recebe entre três e dez salários mínimos.

Manaus

Mantega informou ainda que o governo, por decreto, ampliou a lista dos setores considerados prioritários na área da Sudam (Superintendência de Desenvolvimento da Amazônia) --têm isenção de IR (Imposto de Renda) de pessoas jurídicas. Foram beneficiadas as empresas de papel e celulose, desde que tenham projeto de reflorestamento, material descartável (barbeadores, canetas, lápis, lapiseiras), brinquedos, relógios e materiais óticos.

As medidas foram assinadas pelo presidente em exercício, José Alencar, e serão publicadas no "Diário Oficial da União" na terça-feira. Elas entram em vigor amanhã, com exceção das tarifas sobre cigarro, que passam a valer em maio.

Veículos

Os carros populares até 1.000 cilindradas (tanto álcool quanto gasolina) têm taxa zero (a original é de 7%), os de 1.000 cilindradas a 2.000 cilindradas, à gasolina, têm redução de 13% para 6,5%, e os flex ou álcool, de 11% para 5,5%.

MATERIAL REDUÇÃO DO IPI
Cimentos aplicados na construção 4% para 0%
Tintas e vernizes dos tipos aplicado na construção 5% para 0%
Massa de vidraceiro 10% para 2%
Indutos utilizados em pintura 5% para 2%
Revestimentos não refratários do tipo dos utilizados em alvenaria 5% para 0%
Aditivos preparados para cimentos, argamassas ou concretos 10% para 5%
Argamassas e concretos para construção 5% para 0%
Banheiras, boxes para chuveiros, pias e lavatórios de plástico 5% para 0%
Assentos e tampas, de sanitários de plástico 5% para 0%
Caixas de descarga e artigos semelhantes para usos sanitários ou higiênicos, de plásticos 5% para 0%
Pias, lavatórios, colunas para lavatórios, banheiras, bidês, sanitários, caixas de descarga, mictórios de porcelana 5% para 0%
Pias, lavatórios, colunas para lavatórios, banheiras, bidês de cerâmica 5% para 0%
Grades e redes de aço, não revestidas, para estruturas ou obras de concreto armado ou argamassa armada 5% para 0%
Outras grades e redes de aço, não revestidas, para estruturas ou obras de concreto armado ou argamassa armada 5% para 0%
Pias e lavatórios, de aços inoxidáveis 5% para 0%
Outras fechaduras; ferrolhos 5% para 0%
Partes Cadeados, fechaduras e ferrolhos 5% para 0%
Dobradiças de qualquer tipo (incluídos os gonzos e as charneiras) 5% para 0%
Outras guarnições, ferragens e artigos semelhantes para construções 10% para 5%
Válvulas para escoamento 5% para 0%
Outros dispositivos dos tipos utilizados em banheiros ou cozinhas 5% para 0%
Disjuntores 15% para 10%
Chuveiro elétrico 5% para 0%
Comentários dos leitores
Cassio Tavares (651) 25/11/2009 19h20
Cassio Tavares (651) 25/11/2009 19h20
Claudio Rocha, a última pesquisa CNT-Sensus bem como a do DataFolha, mostram que os brasileiros que consideram o atual presidente e seu governo como ruim ou péssimo são um grupinho de + ou - 7%. Avalie voce então se vale a pena gastar seu tempo discutindo politica e economia com um contingente insignificante da população brasileira.
E o argumento a que eles recorrem nessas horas de angustia, é que essas pesquisas não tem credibilidade. Basta que voce, se assim desejar, lembrar a esse grupinho que nas eleições de 2.002 e 2.006, esses institutos de pesquisa acertaram com uma margem de erro mínima, o resultado desses pleitos com muita antecedencia. Alías, essas pesquisas não são contestadas nem pela oposição mais radical do senado. Pondere aí com voce Claudio se vale a pena perder seu tempo.
sem opinião
avalie fechar
ireny vaz (62) 25/11/2009 13h18
ireny vaz (62) 25/11/2009 13h18
O Povo Brasileiro é assim
Fica na dele, nem ai
E, eles nadavam no já ganhou
por antecipação
é que pairava o WO.....without opositor,
sim ele tinha 46% qdo não tinha oponente
nem assim tinha 50% +1
Ma, contudo, porém,
Aí SIM FOMOS SURPREENDIDOS (eles o foram)
agora desce
desce
desce
"" o POVO, é INTELEGENTE,
não quer VOLTA de INCOMPETENTE ""
15 opiniões
avalie fechar
Claudio Rocha (286) 25/11/2009 02h15
Claudio Rocha (286) 25/11/2009 02h15
Eduardo Giorgini.O governo central não administra de forma direta a saude so transfere verbas e incentiva politicas o sr. deveria saber que a administração direta da saude e dos municipios e dos estados; Na educação o governo administra parte do ensino universitario e voltou investir nos ensinos técnicos sucateados na gestão do PSDB/FHC, a administração do ensino secundario e fundamental pertence ao estado e municipio. Infelismente o que se percebe em relação ao Lula são criticas sem conhecimento real e muita falta de informação que da margem a manipulação.Na passagem desastrosa do PSDB/FHC pela presidencia p que se procura mencionar são fatos experimentados por todos e amplamente divulgadas pela midia que não podem ser esquecidos, ou o sr. não percebeu o congelamento da tabela do I.R., ou então a tx de juros a quase 44%, ou ainda que ouve racionamento de energia onde pagavamos e não podiamos utilizar, ou o sr. nunca ouviu falar que o PSDB encontrou um repasse de impostos de 27,75% e colocou-a em quase 35 % , ou o sr. ja se esqueceu da CPMF criação do psdb retirada do Lula para desgasta-lo...Posso ficar aqui e enumerar muiiitas coisas, alias deixa eu te dizer, não acredito que alguem tenha algo contra o ex-presidente FHC ele é homem de partido e so rezou a cartilha. O problema é que o PSDB governa para uma parte bem definida da sociedade. O presidente Lula tem problemas mas consegue passar a população a sensação que governa para todos 35 opiniões
avalie fechar
Comente esta reportagem Veja todos os comentários (2374)
Termos e condições
 

FolhaShop

Digite produto
ou marca