Dinheiro
31/03/2009 - 13h38

Grupo Sun-Times, dono de 59 jornais nos EUA, recorre à lei de falências

Publicidade

da Folha Online

O conglomerado de comunicação Sun-Times Media Group, que publica 59 jornais nos Estados Unidos, anunciou nesta terça-feira que recorreu à lei de falências em decorrência da fragilidade da conjuntura econômica e de uma situação fiscal herdada da direção anterior.

Leia a cobertura completa da crise nos EUA
Entenda a evolução da crise que atinge a economia dos EUA
Entenda como a crise financeira global afeta o Brasil

Com a decisão, o grupo se enquadra no capítulo 11 da lei de falências americana, que permitirá à empresa se reestruturar sob controle judicial e se proteger de seus credores.

O presidente e diretor-geral interino Jeremy Halbreich declarou que esta decisão não afetará em nada o funcionamento diário do grupo no curto prazo.

A empresa publica o grande jornal "Chicago Sun-Times" e uma série de pequenos jornais locais em Illinois (norte), como o "Courier-News" (em Elgin), o "Herald News" (em Joliet) ou o "Lake County News-Sun" (em Waukegan).

A empresa não é a primeira da área de comunicação à declarar oficialmente suas dificuldades financeiras. Em dezembro, o grupo Tribune, que publica o "Chicago Tribune" --concorrente do "Chicago Sun-Times"--, também recorreu à lei de concordatas graças a dificuldades financeiras.

Um dos maiores grupos de comunicação dos EUA, o Tribune, fundado em 1847, é dono de 12 jornais e 23 estações de TV e presença em quase todas as principais cidades.

No mesmo mês, a revista americana "Newsweek" anunciou que reduzirá o número de funcionários e a tiragem para enfrentar a queda de seus leitores. Ainda não foi divulgado o número de funcionários que serão demitidos, mas a tiragem da revista deve ser cortada de 2,6 milhões de exemplares para até 1,6 milhão.

O grupo de mídia americano Time Warner anunciou em janeiro que pode suprimir 10% de seu pessoal, cerca de 700 empregos, em sua divisão de internet AOL (America Online).

"NYT"

Justin Lane/Efe
Grupo New York Times Company passou parte de sua sede a financeira por US$ 225 milhões
Grupo New York Times Company passou parte de sua sede a financeira por US$ 225 milhões

Umas das situações mais delicadas é do grupo New York Times Company, que publica o diário "The New York Times" ("NYT"), um dos jornais mais vendidos no mundo. No mês passado o grupo anunciou a decisão de suspender o pagamento de dividendos, medida que considerou "difícil, mas prudente".

No início do mês, o editor-executivo do "NYT", Bill Keller, havia dito que o grupo poderia voltar a cobrar pelo acesso a parte ou mesmo todo o conteúdo da página do jornal na internet --em 2007, o jornal eliminou um serviço fechado para assinantes chamado "Times Select", que gerava cerca de US$ 10 milhões em receita por ano.

Entre as possibilidades em discussão estão a cobrança por assinaturas com acesso irrestrito, um modelo pelo qual os leitores pagam centavos a cada vez que clicam em uma página e a venda de conteúdo para dispositivos como o leitor eletrônico de livros Kindle, lançado pela empresa de vendas pela internet Amazon.com.

Além disso, a empresa anunciou que passou parte de sua sede corporativa em Manhattan (centro de Nova York) à financeira W.P.Carey & Co por US$ 225 milhões, na modalidade de "sale-leaseback" --um misto de venda e aluguel que a permite recuperar a propriedade no futuro.

Ao todo, a editora vendeu 21 dos 52 andares de sua sede, em um espaço de 69.768 m² no arranha-céu no qual investiu mais de US$ 600 milhões, com desenho do arquiteto italiano Renzo Piano, e que ficou pronto em 2007.

No dia 20 de janeiro, o bilionário mexicano Carlos Slim emprestou ao "NYT" US$ 250 milhões. Com o dinheiro, o jornal pretende sanar seus problemas financeiros, segundo reportagem do próprio jornal publicada na edição daquele dia. Slim já possui 6,9% da Times Company.

Com France Presse

Comentários dos leitores
Chris Maria (242) 28/11/2009 13h24
Chris Maria (242) 28/11/2009 13h24
Parte 1
O que se pode ver ao longo dos anos em Dubai é o resultado da visão futurista da localidade que possui 2% das reservas de gás do bloco de sete países que formam o EAU (Emirados Árabes Unidos), diante a estimativa de que suas reservas de petróleo tendem a uma diminuição significativa, alcançando completo esgotamento num prazo de até duas décadas. Sua economia migrou daquela baseada no comércio e dependente do petróleo, para aquela baseada nos serviços e orientada para o turismo o que fez com que o setor imobiliário alcançasse um patamar extraordinariamente valioso e se tornasse "a menina dos olhos" de grandes investidores internacionais, mas que, em virtude da crise econômica mundial provocada pelos EUA, vem amargando recessão entre 2008 e 2009. Tomando-se como ponto de partida o ano de 2005, o PIB era de US$ 37 bilhões onde as receitas originadas do petróleo e gás natural representavam menos de 6%, em fevereiro de 2009 chegou a uma dívida externa estimada em aproximadamente 100 bilhões, o que equivale dizer que para cada um dos cerca de 250.000 cidadãos do emirado cabe 400 mil dólares em dívida externa.
sem opinião
avalie fechar
Chris Maria (242) 28/11/2009 13h23
Chris Maria (242) 28/11/2009 13h23
Parte 2
Os setores, imobiliário e de construção, comércio, entreposto aduaneiro e serviços financeiros, juntos, contribuem com algo em torno de 65% a 70% de sua economia. Para que se tenha uma idéia, para quem até meados do século passado não passava de um pequeno entreposto comercial, e devido a sua localização marítima, vivia da pesca e coleta de pérolas, até que se instalasse a crise mundial, com um território 2200 vezes menor que o do Brasil, recebia cerca de 6,5 milhões de turistas ao ano, com uma taxa de ocupação média dos hotéis em torno 85% enquanto que no Brasil, algo em torno 64%. Há de se notar que enquanto ao final do ano passado, no apogeu da crise, muito de falava no Capítulo 11 que trata da falência das empresas norte americanas, e que nos dias de hoje o FDIC (órgão que garante os depósitos bancários nos EUA) vem demonstrando preocupação com o crescente número de instituições financeiras problemáticas no país diante o fato de que em setembro deste ano, 552 bancos relataram dificuldades, espelhando um aumento de 33% sobre os 416 relatados no segundo trimestre, em Dubai passados cerca de 12 meses, fala-se de uma moratória por prazo de seis meses.
sem opinião
avalie fechar
Chris Maria (242) 28/11/2009 13h23
Chris Maria (242) 28/11/2009 13h23
Parte 3
A meu ver, Folker Hellmeyer, economista-chefe do banco Bremer Landesbank demonstra profundo conhecimento e bom senso quando diz que "Os problemas atuais se referem à falta de liquidez momentânea de alguns megaprojetos, e não à confiança em geral na potência econômica dos emirados". Devido ao seu perfil econômico é bastante natural que o emirado sentisse os reflexos da crise devido à falta de liquidez. Há um grande número de empresas de porte internacional do mundo todo operando em Dubai. Entre as intituições financeiras, por exemplo, encontram-se o Citi Bank que amargou perdas terríveis com a crise nos EUA e teve que ser socorrido pelo governo norte americano. Além dele, outros como o ABN-Amro Bank, Deutsche Bank AG, MGM Mirage, Royal Bank of Scotland Group plc, HSBC Holdings plc, etc
sem opinião
avalie fechar
Comente esta reportagem Veja todos os comentários (4366)
Termos e condições
 

FolhaShop

Digite produto
ou marca