Justiça proíbe demissões na Usiminas até o próximo dia 23
BRENO COSTA
da Agência Folha, em Belo Horizonte
A siderúrgica Usiminas e outras cinco empresas que prestam serviços para ela na região de Ipatinga (217 km de Belo Horizonte) estão proibidas de efetuar novas demissões até o próximo dia 23, pelo menos. A decisão liminar é do Tribunal Regional do Trabalho da 3ª Região (Minas Gerais).
O desembargador Caio Luiz de Almeida Vieira de Mello considerou, em decisão tomada ontem (31), que as pelo menos 2.500 demissões efetuadas pelas empresas na região desde dezembro passado foram caracterizadas pela "ausência de negociação [com o sindicato] e de fixação de critérios".
A Usiminas informou que ainda está analisando os termos da liminar e que não decidiu se entrará com recurso contra a decisão.
Para o próximo dia 23, o desembargador determinou que as empresas apresentem um relatório detalhado sobre as demissões já efetuadas, com a identificação de cada trabalhador demitido, além de dados referentes ao tempo de serviço de cada um deles.
Com esses dados em mão, ele diz que irá analisar a possibilidade de determinar a reintegração dos demitidos, como quer o sindicato.
Segundo Vieira de Mello, as alegações apresentadas pelo sindicato e pelas empresas em audiência realizada na terça-feira evidenciaram que houve "substituição de mão-de-obra cara por mão-de-obra barata".
O desembargador se baseia principalmente no relato de demissão de funcionários com mais de 20 anos de serviço, confirmadas pela Usiminas, além da declaração de uma representante da siderúrgica na audiência, de que 800 novos profissionais estão em treinamento para serem incorporados à Usiminas.
Questionado pela reportagem se a empresa estaria usando a crise econômica como desculpa para as demissões, ele disse que prefere "não fazer pré-julgamentos".
Na audiência, a representante da Usiminas não descartou a possibilidade de novas demissões, segundo relato do desembargador e do sindicato.
Procurada, a Usiminas informou apenas que "ainda está avaliando os termos da liminar" e que as admissões em andamento citadas pelo desembargador referem-se a serviços de construção civil --e não de siderurgia.
Segundo o sindicato, em dezembro a Usiminas e as terceirizadas empregavam 14 mil trabalhadores. As demissões efetuadas até aqui representam cerca de 18% desse total.
Em Ipatinga, sede da principal unidade operacional da empresa, a Usiminas havia comunicado, no fim do ano passado, a paralisação temporária de dois fornos, com redução de 4% na produção de ferro gusa. O grupo fechou 2008 com um lucro líquido de R$ 3,2 bilhões, montante 2% superior ao registrado em 2007.
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