Decisão de ajudar bancos foi desconfortável, afirma presidente do Fed
da Folha Online
Atualizado às 14h18.
O presidente do Fed (Federal Reserve, o BC americano), Ben Bernanke, reconheceu que os planos bilionários do governo dos Estados Unidos para salvar empresas do setor financeiro estão funcionando, apesar de se sentir "extremamente desconfortável" com a ajuda a bancos no ano passado.
Na divulgação do balanço de 2008 do Fed de Richmond (uma das 12 divisões regionais do BC americano), ele afirmou que o governo vai tomar "todas as medidas necessárias para estabilizar os mercados e as empresas".
Para ele, o desconforto foi causado, sobretudo, por não haver outra alternativa para ajudar grandes companhias à beira da concordata. Bernanke se referiu às decisões sem precedentes do Fed tomadas em 2008 para salvar os bancos JPMorgan Chase e Bear Stearns e a seguradora AIG (American International Group) da falência.
O crédito concedido para as companhias representou apenas 5% do balanço total de US$ 2 trilhões do Fed, segundo reportagem da Associated Press, mas "estas operações foram extremamente desconfortáveis, e nós só optamos por elas porque não haviam mais alternativas disponíveis", afirmou.
Para ele, o banco foi forçado a agir porque o colapso dessas empresas poderia causar sérias consequências ao sistema financeiro e à economia globais. A AIG, por exemplo, recebeu US$ 180 bilhões do governo para não quebrar, enquanto o JPMorgan levou cerca de US$ 25 bilhões.
Medidas de socorro
Na conferência, ele declarou que "o Fed fará uso responsável de todas as medidas para estabilizar o mercado financeiro e as instituições, para promover a extensão do crédito para casas de empréstimo, e para ajudar a fundar as bases da recuperação econômica".
Bernanke insistiu em que o Congresso dos EUA revise o sistema regulatório sobre as instituições financeiras, a fim de endurecer a fiscalização e impedir novas crises como a que atualmente abala tanto a economia americana como a global.
O objetivo é evitar casos como o pagamento de bônus a executivos de empresas ajudadas pela crise, como ocorreu com a AIG. A empresa recebeu ajuda do governo e registrou prejuízos bilionários no ano passado --US$ 61,7 bilhões no quarto trimestre e de US$ 99,289 bilhões em 2008 como um todo (ambos recorde)--, mas mesmo assim pagou US$ 165 milhões em bonificações a seus executivos.
Para ele, é importante continuar investindo em planos de reativação do crédito aos consumidores a fim de retomar o consumo interno e acabar com a crise econômica.
Na coletiva, Bernanke ainda defendeu as medidas do Fed para estabilizar o sistema bancário e baixar as taxas de juros --atualmente na margem entre zero e 0,25%.
"Estes são tempos extremamente difíceis para o nosso sistema financeiro e nossa economia", disse. "Mas eu tenho confiança que nós poderemos alcançar estes desafios, principalmente porque eu confio na força da economia americana."
Desemprego e recessão
Ele não comentou a queda nos postos de trabalho nos EUA, divulgado nesta sexta-feira pelo Departamento de Trabalho. A economia americana perdeu 663 mil empregos em março, e a taxa de desemprego subiu para 8,5%, a maior desde novembro de 1983, quando estava no mesmo patamar.
Os esforços do Fed, coordenados as ações de outros bancos centrais, têm "reduzido significativamente as pressões sobre os fundos de instituições financeiras, ajudado a diminuir as taxas de juros em diversos mercados e elevado a estabilidade financeira".
O presidente do Fed afirmou que espera ver uma "retomada gradual do crescimento econômico". Questionado sobre quando a crise terminará, Bernanke disse que não é capaz de definir um prazo.
Segundo estimativa do próprio Fed --comentada nesta semana pelo presidente do Fed de Dallas, Richard Fisher--, a economia dos EUA terá desempenho negativo neste ano e só voltará a crescer, em ritmo gradual, a partir de 2010.
Fisher disse que o primeiro trimestre deste ano foi tão ruim, ou mesmo ligeiramente pior, que o quarto trimestre do ano passado. "Há pouca confiança na economia no momento (...) Não vamos voltar ao desempenho positivo antes de 2010."
O PIB (Produto Interno Bruto) do país registrou uma contração de 6,3% no quarto trimestre do ano passado, um resultado ligeiramente maior do que o esperado pelos analistas, que previam uma queda de 6,5%. O resultado reflete, entre outros fatores, a redução nos gastos dos consumidores --gastos que correspondem a cerca de dois terços de toda a atividade econômica americana--, que por sua vez reflete o temor diante dos dados do mercado de trabalho do país.
Com Associated Press e Reuters
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Fizestes uma bela autocrítica e demonstratester um nivel de cognição igual ou inferior ao do Luia.
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