Dinheiro
16/04/2009 - 14h37

Petrobras também considera fatores políticos ao definir preços, diz Gabrielli

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CIRILO JUNIOR
da Folha Online, no Rio
com Agência Brasil

O presidente da Petrobras, Jose Sérgio Gabrielli, disse nesta quinta-feira que a empresa não leva em conta apenas fatores econômicos para ajustar os preços da gasolina e do óleo diesel. Para o executivo, fatores políticos também pesam quando se faz estudos sobre mudanças nos preços dos combustíveis, em um mercado completamente dominado pela Petrobras.

"Tem que se levar em conta as duas coisas [política e economia] quando se tem uma empresa que produz 99,9% dos combustíveis do país. Ela não pode pensar apenas do ponto de vista empresarial, porque os impactos dela são macroeconômicos", afirmou, em entrevista coletiva na versão latino americana do "Fórum Econômico Mundial".

Gabrielli voltou a dizer que a Petrobras avalia o movimento da cotação do barril do petróleo no longo prazo, para decidir mexer nos preços da gasolina e do diesel. Ele negou qualquer discordância em relação ao ministro Guido Mantega (Fazenda), que declarou ontem que a Petrobras vai reduzir os preços desses combustíveis, em algum momento.

"Temos a mesma visão. Depende do mercado internacional. Na medida em que houver uma certa estabilidade no mercado internacional, vai ter uma atualização no mercado brasileiro. Quando? Eu não sei", disse.

O presidente da Petrobras afirmou ainda que a retirada da estatal do cálculo da meta do superávit primário (a economia que o governo faz para pagar os juros da dívida) dará mais flexibilidade à empresa. Com a medida, a estatal terá em caixa R$ 15 bilhões.

"Sair do superávit quer dizer que a Petrobras não precisará manter R$ 15 bilhões no seu caixa. Portanto, pode administrar essa caixa de forma melhor", disse Gabrielli.

Gabrielli esclareceu que a liberação do dinheiro não significa "dinheiro a mais ou a menos", mas mais possibilidades de gerenciamento, como o pagamento de dívidas.

No ano passado, a Petrobras pegou um empréstimo de US$ 6,5 bilhões com vários bancos. "Não tenho mais R$ 15 bilhões. Tenho flexibilidade para fazer uma captação ou um programa de desembolso mais rápido ou menos rápido".

O presidente da Petrobras reafirmou que empresa vai manter o plano de investimentos de U$ 174,4 bilhões para o período de 2009 a 2013. "Temos um programa definido", destacou.

Durante a entrevista, Gabirelli também voltou a negar uma possível candidatura ao Senado, anunciada pela imprensa. Ele criticou as publicações e disse que as matérias "de jornalismo marrom" atendem a interesses políticos.

 

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