Financiamento dos EUA por emergentes favoreceu crise, diz Bird
da France Presse, em Washington
O fato de a economia dos Estados Unidos ter sido exageradamente financiada por outros países, em desenvolvimento, durante o período de forte crescimento é uma das causas da crise atual, avaliou o Banco Mundial (Bird) em um relatório divulgado nesta quarta-feira.
Esta conclusão, compartilhada por numerosos economistas, mas que é considerada polêmica nos Estados Unidos, foi formulada por especialistas da instituição multilateral em seus "Indicadores mundiais de desenvolvimento", um relatório anual onde são compilados dezenas de dados econômicos, demográficos e sobre o meio ambiente.
"Os países em desenvolvimento financiaram de forma surpreendente o consumo dos países que possuem as receitas mais altas", destacou o Banco Mundial em comunicado.
Segundo os técnicos, "um crescimento econômico recorde das economias emergentes, a partir das exportações, alterou o equilíbrio do poder econômico mundial, como demonstra sua participação crescente na produção, no comércio e nas reservas mundiais".
"As taxas de poupança elevadas superaram sua capacidade de investir em sua própria economia", levando a um "amplo acúmulo de reservas cambiais", especialmente na China.
"Assim, as economias mais pobres financiaram os déficits em conta corrente dos países com receitas mais elevadas", fazendo subir exageradamente o preço dos ativos e provocando "uma expansão insuportável do crédito imobiliário nos Estados Unidos", segundo o Bird.
"Desta maneira, inflaram-se as bolhas no setor imobiliário em todo o mundo e também nas bolsas; esses são os desequilíbrios mundiais que alimentaram a liquidez no sistema, fizeram cair as taxas de juros e promoveram as especulações sobre os preços dos ativos", destacou.
Os principais países que financiam o consumo são, por ordem, China, que acumula 26% dos excedentes mundiais, Alemanha, Japão, Arábia Saudita e Rússia.
Os países que tomaram mais dinheiro emprestado são Estados Unidos (que concentram 57% dos déficits), seguido a muita distância por Austrália, Espanha, Reino Unido e Itália.
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A grande pergunta aqui é se esse "problema" em Dubai, é o reflexo ainda da crise de um ano atrás, ou é o aviso que a tal crise ainda não acabou e está agora entrando em outra fase?
Portanto, Dubai é reflexo, consequência ou início de um novo ciclo de destruição econômica?
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