Lupi quer explicações de frigoríficos sobre demissões, diz confederação
da Agência Brasil
da Folha Online
O ministro Carlos Lupi (Trabalho e Emprego) quer que os frigoríficos expliquem as demissões de funcionários mesmo com a captação de empréstimos no BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social). A informação é do presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Indústria da Alimentação, Artur Bueno de Camargo, que se encontrou no início da noite desta quarta-feira com Lupi.
Segundo Camargo, os frigoríficos já demitiram, desde o início da crise, mais de 36 mil empregados com o fechamento de 32 fábricas.
Representantes do grupo Independência, que sozinho demitiu 6,4 mil funcionários, foram chamados para a reunião, mas não compareceram. A empresa alegou que não poderia participar de uma negociação neste momento, em que está em processo de recuperação judicial.
Em outubro do ano passado, o Independência conseguiu a liberação de R$ 250 milhões do BNDES, que seria a primeira parcela de um empréstimo maior, de R$ 450 milhões, que não chegou a ser completado.
O ministro Lupi se comprometeu a marcar uma nova reunião convocando mais uma vez representantes dos frigoríficos e dos trabalhadores e, também, o presidente do BNDES, Luciano Coutinho.
Para Camargo, é preciso exigir responsabilidade social de empresas que utilizam dinheiro público. Ele disse que algumas empresas estão se aproveitando da situação de crise para cortar gastos com pessoal.
"O ministro entende que essas empresas têm que ter responsabilidade social, uma vez que estão utilizando dinheiro da sociedade e queremos cobrar isso também no BNDES. Temos que encontrar uma fórmula em que as empresas que têm essa linha de crédito passem a ter responsabilidade social com o emprego dos trabalhadores", afirmou o representante dos trabalhadores.
Mais crédito
Na semana passada, o governo anunciou a liberação de R$ 12,6 bilhões em crédito para as empresas do agronegócio. A maior parte do dinheiro, R$ 10 bilhões, será para uma linha que deve atender principalmente frigoríficos e empresas do setor de aves, suínos e carnes bovinas.
O dinheiro virá também do BNDES, para operações de financiamento de capital de giro para agroindústrias, indústrias de máquinas e equipamentos agrícolas e cooperativas agropecuárias.
"Isso vai beneficiar fundamentalmente frigoríficos, mas também o setor de suinocultura, aves e carne bovina", disse o ministro Guido Mantega (Fazenda) à época.
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