Mantega defende bancos brasileiros contra críticas do FMI
da Efe, em Washington
O ministro da Fazenda, Guido Mantega, defendeu nesta quinta-feira a solidez dos bancos brasileiros e disse que pedirá explicações ao diretor-gerente do FMI (Fundo Monetário Internacional), Dominique Strauss-Kahn, por um comentário em que apontou a vulnerabilidade das entidades latino-americanas.
"Os bancos brasileiros estão absolutamente sólidos porque no Brasil a regulação é muito rigorosa", afirmou Mantega à imprensa na sede do FMI antes de um encontro com Strauss-Kahn.
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Em entrevista publicada hoje por jornais latino-americanos, o ex-ministro francês afirmou que "se a desaceleração da economia continuar por muito tempo, até os bancos da América Latina carregarão ativos tóxicos".
A declaração foi mal recebida no governo e Mantega alertou que esses comentários afetam o mercado.
"Se não se esclarecer isso rapidamente, poderíamos imaginar que ele tem informações que outros não têm. No entanto, ele não tem mais informação que eu, que conheço profundamente os bancos brasileiros", declarou Mantega.
"Acho que ele cometeu um deslize de linguagem", completou o ministro, que está em Washington para participar da reunião do G20 (que reúne os países mais ricos e os principais emergentes) na sexta-feira e da assembleia semestral do FMI e do Banco Mundial, que acontece neste fim de semana.
O ministro destacou que os bancos brasileiros mantêm em reservas muito mais do que o mínimo de 8% estipulado nas normas internacionais. Fora isso, previu que os bancos registrarão lucros neste ano, apesar da crise.
Perspectivas de crescimento
Mantega também mostrou seu desacordo com o Fundo em relação às perspectivas de crescimento para o Brasil. O Fundo estima que a economia brasileira terá contração de 1,3% neste ano e se expandirá 2,2% em 2010.
Por outro lado, Mantega afirmou que o Brasil crescerá neste ano, ainda que pouco. "Estaremos mais próximos da Índia e da China, que são os países que terão crescimento positivo, que dos Estados Unidos ou da Alemanha", frisou.
O ministro afirmou também que o Brasil poderá realizar uma contribuição adicional de dinheiro ao FMI, acima dos US$ 4,5 bilhões já anunciados.
No entanto, Mantega afirmou que só fará isso caso o organismo crie um mecanismo para a emissão de bônus que os países-membros possam adquirir, no que a China também está interessada.
A gerência da entidade preparou a minuta de uma proposta para a assembleia, mas Mantega disse que não será aprovada porque como estão desenhados os bônus são a muito longo prazo.
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