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Dinheiro
24/04/2009 - 17h30

Juros para compra de veículos voltam ao nível pré-crise

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da Folha Online

Os juros médios para compra de veículos recuou em março, para 29,7% a.a. (ao ano), seu menor patamar desde outubro de 2007, quando a taxa estava em 28,4% a.a. Os dados são do relatório de crédito do Banco Central divulgado nesta quinta-feira (26).

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Segundo o documento, de fevereiro a março deste ano, a taxa média de juros para aquisição de veículos caiu 2 pontos percentuais, de 31,7% a.a. para 29,7%.

"Os juros já estão a uma taxa inferior ao que foi cobrado no ano passado, e essa queda já pode ser sentida nas concessionárias", afirma Sérgio Reze, presidente da Fenabrave (Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores). Para ele, essa redução nos juros é natural e deve manter a trajetória de queda até o fim do ano.

O setor foi ajudado pela desoneração de impostos proposta pelo governo e pela maior concessão de crédito no mercado. No começo de abril, o governo prorrogou a desoneração do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) reduzido para o setor automotivo.

A medida, que vale até junho, cortou para zero a taxa de IPI dos carros populares até 1.000 cilindradas (tanto álcool quanto gasolina) e reduzou à metade o imposto sobre modelos de 1.000 cilindradas a 2.000 cilindradas, à gasolina e flex.

Falta de crédito

Para Reze, o setor automotivo sofreu com a falta de crédito devido ao temor dos bancos com os efeitos da crise internacional. Os juros menores são reflexo do "entendimento dos bancos em relação à crise. Eles estavam com medo da situação, sem saber o poderia acontecer, e seguravam o dinheiro. Mas agora esse temor está cada vez menor", afirma.

A entidade estima que essas medidas do governo mantenham o mercado automotivo aquecido. "O segundo trimestre deverá repetir o número de vendas registradas no primeiro [de janeiro a março], com média de 220 mil veículos vendidos por mês", declarou.

No mês passado, por exemplo, as vendas chegaram ao um patamar de 260.959 automóveis e comerciais leves --uma alta de 36,38% na comparação com fevereiro. Frente a março de 2008, a alta é de 18,14%.

"O governo mostrou disposição em atender as necessidades do setor, que teve o melhor mês de março da história", disse Reze. "As montadoras reduziram o volume de produção com as férias coletivas, o que diminuiu a pressão nos estoques e permitiu que o crédito voltasse pouco a pouco ao mercado."

Inadimplência e desemprego

Contudo, o maior número de vendas somado a um cenário de incerteza com o desemprego elevou a inadimplência.

Segundo o relatório do BC, a inadimplência teve alta pelo quarto mês consecutivo, ao contrário dos caminho seguido pelos juros. Para pessoas físicas e jurídicas, passou de 4,8% para 5% no mês passado --a taxa mais alta desde novembro de 2006 (5,1%).

No caso da pessoa física, a inadimplência caiu no cheque especial (de 10,2% para 9,7%) e no crédito pessoal (de 5,8% para 5,6%), mas registrou alta na aquisição de veículos (de 4,9% para 5,1%).

Dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) divulgados nesta sexta mostram que, pela primeira vez desde setembro de 2007, o contingente de desempregados ultrapassou 2 milhões de trabalhadores nas seis regiões metropolitanas pesquisadas --São Paulo, Rio de Janeiro, Recife, Salvador, Belo Horizonte e Porto Alegre.

Para o coordenador da PME (Pesquisa Mensal de Emprego), Cimar Azeredo, o mercado de trabalho piorou e está mais difícil encontrar emprego, à medida em que os postos vão sendo fechados com a crise. Segundo a pesquisa, o setor mais afetado é a indústria, justamente onde atuam as fabricantes de veículos.

 

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