Brasil pode se beneficiar com a crise, diz Nobel de Economia
DEISE DE OLIVEIRA
da Folha Online
O Brasil deve se beneficiar com a crise econômica mundial, segundo o Prêmio Nobel de Economia de 2004, Edward Prescott. Segundo ele, o Brasil pode passar a integrar o grupo de países industriais ricos em 2030, cinco anos após a admissão da China, um dos principais motores da economia mundial atual.
"O Brasil vai se dar bem. Parece que a essência e os fundamentos estão aqui. Pode ter rápida recuperação e alcançar os líderes industriais rapidamente. Mas para isso precisa ter boas políticas", disse.
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| Jeff Topping/Reuters |
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| O professor Edward Prescott, vencedor do Prêmio Nobel de Economia de 2004 |
O Nobel sugeriu, por exemplo, a descentralização das decisões nos Estados e a maior integração do país com o exterior.
"O Brasil está se tornando integrado, mas precisa fazer mais conexões com o exterior, exportar bens de alta tecnologia, para que empresas de tecnologia tenham confiança para trazer tecnologia para cá", disse. "O que vai ocorrer depois da crise vai depender das políticas adotadas."
Prescott afirmou, no entanto, que o Brasil pode ficar debilitado ante o enfraquecimento da economia de seu parceiro Estados Unidos.
Segundo Prescott, a economia mundial conta 32 países industriais ricos atualmente, ante 14 em 1950 (não incluindo a produção petrolífera). "Se a China continuar no ritmo atual, deve integrar o grupo dos países industriais ricos em 2025. O Brasil, possivelmente, em 2030. A questão, em verdade, não é se vai, mas quando?", disse Prescott.
O Nobel de Economia descartou ainda que a economia mundial entre em uma nova depressão, a exemplo do que a registrada em 1929.
A revista "Exame" reúne em São Paulo três vencedores do Prêmio Nobel de Economia para discutir a crise global. Os conferencistas são Joseph Stiglitz e Robert Mundell, ambos da Universidade Columbia; e Edward Prescott, da Universidade do Arizona.
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