Sadia tem prejuízo de R$ 239,2 milhões no primeiro trimestre de 2009
da Folha Online
Atualizado às 19h25.
Às vésperas de anunciar a fusão com a concorrente Perdigão, a Sadia informou hoje que registrou prejuízo líquido de R$ 239,169 milhões no primeiro trimestre deste ano, ante lucro de R$ 248,266 milhões no mesmo período do ano passado. No quarto trimestre de 2008, a empresa tinha anotado perda de R$ 2 bilhões com o impacto de operações cambiais.
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A receita operacional bruta consolidada nos três primeiros meses deste ano, porém, ficou positiva, alcançando R$ 2,9 bilhões, 10,6% superior ao mesmo período do ano anterior. "Este aumento se deve ao desempenho no mercado interno, que registrou elevação de vendas em volume e preço", informou a Sadia.
A receita do segmento de industrializados atingiu R$ 1,5 bilhão, 17,6% superior à de igual período de 2008. "A maior concentração das vendas da companhia no mercado interno superou a média histórica e atingiu 59,5% do total da receita e o equivalente a 53,1% do volume total, com crescimentos em todos os segmentos em que a Sadia atua", informou.
| Patricia Stavis/Folha Imagem |
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| Em 2008, Sadia registrou o primeiro prejuízo líquido em 64 anos de história |
O volume total de vendas caiu 0,5% no primeiro trimestre e totalizou 530 mil toneladas. Enquanto no mercado interno elevaram-se 10,3%, no mercado externo decresceram 10,5% devido, principalmente, "à crise econômica mundial e à restrição de crédito nos mercados da Ásia e da Eurásia", explica a Sadia. A receita bruta neste mercado totalizou R$ 1,2 bilhão, uma queda de 3,3% em relação ao primeiro trimestre de 2008. Os preços médios em reais aumentaram 3% na mesma comparação.
"Afetados pelo enxugamento do crédito, importadores promoveram grandes reduções de seus estoques, que acabaram afetando as exportações brasileiras do nosso setor. O redirecionamento dos produtos para o mercado interno compensou em parte a redução das receitas externas. (...) O resultado da Sadia no primeiro trimestre sofreu o impacto do conjunto atípico de ajustes realizados na cadeia de valor por conta da crise econômica global", segundo comunicado assinado pelo diretor-presidente da empresa, Gilberto Tomazoni.
O Ebitda (lucro antes de impostos, juros, participações nos resultados, depreciações e amortizações) somou R$ 62,5 milhões, uma queda de 75,7% em relação ao primeiro trimestre de 2008. A margem Ebitda alcançou 2,5%, redução de 8,8 pontos percentuais quando comparada aos três primeiros meses do ano passado.
O lucro bruto somou R$ 386,2 milhões ao final do primeiro trimestre deste ano, queda de 28,2% em relação ao mesmo período do ano anterior. "Tal desempenho decorre, principalmente, do aumento de 19,3% nos custos dos produtos vendidos em razão de variações nos preços de grãos (milho e soja)", informou.
O resultado financeiro líquido da Sadia, por sua vez, ficou negativo em R$ 260 milhões no primeiro trimestre, contra R$ 90,2 milhões positivos no mesmo período de 2008. A maior despesa financeira (R$ 122,9 milhões) refere-se a pagamentos de juros de financiamentos seguida pelo impacto de R$ 71,2 milhões em variações cambiais sobre ativos e passivos em moeda estrangeira.
| Jefferson Bernardes/Divulgação |
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Por fim, a Sadia encerrou o primeiro trimestre com endividamento financeiro líquido de R$ 6,8 bilhões. "Como forma de equacionar a atual situação patrimonial e financeira, ocasionada pelo aumento do endividamento financeiro, a administração vem buscando estruturar o seu passivo financeiro de curto prazo", explica em comunicado.
E os investimentos totalizaram R$ 170,3 milhões de janeiro a março, 60,1% inferior quando comparado aos R$ 427,1 milhões investidos no mesmo período do ano passado.
Derivativos
Em relação aos derivativos cambiais indexados ao dólar, que causaram prejuízos bilionários à empresa de alimentos, a Sadia destaca que todas as perdas já foram contabilizadas no quarto trimestre de 2008.
Como a Sadia (e outras empresas, como Aracruz e Votorantim, por exemplo) tem receita em dólar obtida com exportações e custos em reais, as operações funcionariam como uma defesa para a oscilação cambial. Porém, os contratos não ofereciam qualquer proteção contra a desvalorização do real, como ocorreu no último trimestre de 2008. Na prática, se o dólar cai, os bancos cobrem o prejuízo e as empresas lucram, mas se a cotação sobe, ganham os bancos.
A Sadia encerrou 2008 com o primeiro prejuízo anual de sua história, reflexo de perdas financeiras com operações cambiais e dos impactos da desvalorização do real.
As perdas foram de R$ 2,48 bilhões e não refletiram o desempenho operacional da empresa, que registrou receita anual recorde de R$ 12,2 bilhões, alta de 23% em relação a 2007. O volume total comercializado aumentou 8,3% em 2008, o mercado interno cresceu 12,2% e o mercado externo, 5%. A Sadia também encerrou o ano de 2008 com o maior volume de investimentos de sua história, na ordem de R$ 1,8 bilhão.
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