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Dinheiro
19/05/2009 - 12h47

Fusão da Perdigão e Sadia cria "grande multinacional brasileira"

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YGOR SALLES
da Folha Online

Atualizado às 13h25.

A fusão entre Sadia e Perdigão, que resultou na criação da Brasil Foods (BRF), dá origem a uma "grande multinacional brasileira", anunciaram nesta terça-feira o presidente da Perdigão, Nildemar Secches, e o presidente do Conselho de Administração da Sadia, Luiz Fernando Furlan. O acordo foi assinado ontem à noite e anunciado nesta manhã ao mercado.

Pelo acordado, 68% do capital da nova empresa ficará com acionistas da Perdigão e 32% com acionistas da Sadia, mas essa relação será modificada com a compra, por parte das famílias Furlan e Fontoura, da parte financeira da Sadia --o banco e corretora Concórdia.

"É uma grande multinacional brasileira de alimentos processados", definiu Secches em entrevista coletiva, em São Paulo, concedida para explicar os detalhes do negócio. "Estamos criando um campeão, que provavelmente se tornará o maior processador de carne do mundo", afirmou Furlan.

"Não tem nenhum banqueiro nem jornalista que nos visitou nos últimos anos que não nos perguntasse sobre isso [fusão], era uma solução óbvia", disse Secches.

Independente da posição do Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica), órgão de defesa da concorrência, as empresas já informaram que vão manter as duas marcas.

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A primeira ação conjunta da Brasil Foods será uma oferta pública de ações no valor estimado de R$ 4 bilhões para captar recursos. A previsão é realizar a operação já no final de julho. Os recursos serão utilizados integralmente para abater dívidas da nova empresa, que já nasce com endividamento de R$ 10 bilhões.

Segundo Furlan, a dívida que permanecerá com a empresa após a captação, no montante de R$ 6 bilhões, "é confortável" ante o faturamento conjunto, que ficará --nas contas da empresa-- na casa de R$ 30 bilhões por ano.

Sobre o risco de não ser alcançada a captação de R$ 4 bilhões, Secches disse que ele não existe. "Quase metade da operação já está colocada. O BNDES já mostrou interesse", disse ele. "Poderia ser até mais [de R$ 4 bi], mas o recurso já é suficiente."

Sebastião Moreira/Efe
O presidente da Perdigão, Nildemar Secches (esq.), e Luiz Fernando Furlan mostram a nova marca, que pode ser estampada na camisa do Corinthians, hoje patrocinado pela Perdigão
O presidente da Perdigão, Nildemar Secches (esq.), e Luiz Fernando Furlan mostram a nova marca, que pode ser estampada na camisa do Corinthians, hoje patrocinado pela Perdigão

No Rio, o presidente do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), Luciano Coutinho, confirmou hoje que tem interesse em participar da nova empresa e vai esperar o lançamento de ações. A participação ocorreria com o BNDESPar, subsidiária de investimentos do banco.

Ainda sobre a emissão, Furlan acrescentou que, devido à decisão de fazer a captação, serão reavaliadas as decisões da Sadia de se desfazer de alguns de seus ativos para poder cobrir as dívidas contraídas com as operações de derivativos.

Conforme as empresas, as ações da Brasil Foods continuarão a ser negociadas no Novo Mercado, ambiente da Bovespa que exige maior grau de governança corporativa e em que hoje está listada a Perdigão.

Sinergias, preços e concorrência

Em relação às sinergias de Sadia e Perdigão, o que costuma resultar em demissão, Secches disse que não há consenso, mas resultaria em uma economia que varia entre R$ 2 bilhões e R$ 4 bilhões.

Furlan, por sua vez, garantiu que não haverá demissões no chão de fábrica, uma vez que o objetivo da fusão é ganhar mercado e, por consequência, produzir mais, gerando mais empregos.

Diego Padgurschi/Folha Imagem
Empresas disseram que expectativa é de queda nos preços, pois sinergias devem permitir economomia entre R$ 2 bi e R$ 4 bi
Empresas disseram que expectativa é de queda nos preços, pois sinergias devem permitir economomia entre R$ 2 bi e R$ 4 bi

Sobre a possibilidade de a fusão trazer aumento de preços, uma vez que cairia a concorrência, Secches disse que espera exatamente o contrário. "O objetivo da fusão é melhorar a competitividade e, automaticamente, ter preços melhores." Além disso, acrescentou Furlan, a empresa pretende repassar ao menos parte das sinergias para o bolso do consumidor.

Os dois executivos ainda lembraram que, apesar de deterem fatia grande dos mercados de carnes processadas e massas congeladas, isso não significa que não possuem concorrente. "Do jeito que vocês falam, parece que não temos concorrentes. No Brasil, existem vários deles, sem contar com os estrangeiros, como Cargill, Tyson e Bunge", disse Furlan. "Falam muito do mercado de pizzas, mas temos a concorrência de um monte de padarias e pizzarias por aí", brincou Secches.

Brasil Foods

A nova empresa nasce com os apostos de décima maior empresa de alimentos das Américas, segunda maior indústria alimentícia do Brasil (atrás apenas do frigorífico JBS Friboi), maior produtora e exportadora mundial de carnes processadas e terceira maior exportadora brasileira (atrás de Petrobras e da mineradora Vale).

Com cerca de 116 mil funcionários, 42 fábricas e mais de R$ 10 bilhões em exportações por ano (cerca de 42% da produção), a gigante surge com um faturamento anual líquido de R$ 22 bilhões. Será, com esses números, uma das três maiores empresas empregadoras e exportadoras do país.

A fusão foi concretizada depois de meses de negociações. A elaboração final do contrato, informa a reportagem, foi marcada por muitas idas e vindas entre advogados e executivos de bancos de investimentos envolvidos no acordo.

As discordâncias eram com relação ao valor patrimonial do banco Concórdia, que pertence à Sadia. Desde o início, estava decidido que a área financeira do grupo ficaria fora da BRF. A avaliação de seu valor para baixo, no entanto, significou milhões de reais a menos em ações, para os acionistas da Sadia.

No processo de fusão previsto, a Perdigão muda de nome para BRF e a Sadia para HFF, e em seguida ocorre a incorporação das ações da HFF pela BRF. Os Conselhos de Administração das duas empresas serão formadas pelas mesmas pessoas, e o presidente de uma será co-presidente da outra --ou seja, o controle será dividido entre Secches e Furlan.

Segundo o comunicado, o acordo foi aprovado pelos Conselhos de Administração das duas empresas e ainda precisa passar por adesão dos acionistas de ambas. "A concretização da associação também depende da apresentação da operação aos órgãos antitruste de outras jurisdições nas quais essa exigência legal seja necessária, em virtude de a Perdigão e a Sadia possuírem operações."

Entre esses órgãos estão, por exemplo, o Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) e a SDE (Secretaria de Direito Econômico).

Arte Folha
Comentários dos leitores
Marcos Luiz (1) 14/08/2009 20h56
Marcos Luiz (1) 14/08/2009 20h56
Uma pena a falta de apoio às empresas nacionais. Qualquer movimento efetuado pelas empresas em outro país é considerado como atitude inteligente, aqui partimos do princípio que se trata de burla, de picaretagem.
Os empreendedores brasileiros deveriam de fechar suas empresas e viverem de investimentos no mercado financeiro, pois aqui pagamos bem por dinheiro especulativo. Agora, dinheiro de risco, dinheiro para investimento produtivo é taxado pela sociedade como uma "cambada de aproveitadores". Pobre Brasil!
sem opinião
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VANDERLEI DA COSTA VALÉRIO (2) 10/07/2009 14h53
VANDERLEI DA COSTA VALÉRIO (2) 10/07/2009 14h53
Todos criticam esta fusão, porem ninguem comenta o risco iminente de uma empresa com capital estrangeiro tambem ter feito uma oferta para a compra da Sadia.
A fusão é importante, porque o capital da BRF continua 100% nacional, uma evetual quebra da Sadia colocaria na rua algo em torno de 60.000 trabalhadores
É de conhecimento público, que a Perdigão tem uma administração austera, e sucessivamente tem alcançado crescimento nos últimos anos.
A Batavo incorporada pela Perdigão há alguns anos, cresceu consideravelmente seu faturamento nos últimos anos, onde foram criados novos postos de trabalho, contrariando os comentários de especialistas a época, que davam conta de demissões.
O páis ganha com esta nova empresa que será um dos maiores players no setor, é evidente que haverá ganhos de escala e logística no processo e acredito que a participação da BRF, no mercado de derivados de lácteos refrigerados (iogurtes e afins) deve crescer, hoje este mercado é dominado por duas multinacionais. sem opinião
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VANDERLEI DA COSTA VALÉRIO (2) 10/07/2009 14h23
VANDERLEI DA COSTA VALÉRIO (2) 10/07/2009 14h23
Todos criticam esta fusão, porem ninguem comenta o risco iminente de uma empresa com capital estrangeiro tambem ter feito uma oferta para a compra da Sadia.
A fusão é importante, porque o capital da BRF continua 100% nacional, uma evetual quebra da Sadia colocaria na rua algo em torno de 60.000 trabalhadores
É de conhecimento público, que a Perdigão tem uma administração austera, e sucessivamente tem alcançado crescimento nos últimos anos.
A Batavo incorporada pela Perdigão há alguns anos, cresceu consideravelmente seu faturamento nos últimos anos, onde forão criados novos postos de trabalho, contrariando os comentários de especialistas a época, que davam conta de demissões.
O páis ganha com esta nova empresa que será uma dos maiores players no setor, é evidente que haverá ganhos de escala e logística no processo e acredito que a participação da BRF, no mercado de derivados de lácteos refrigerados (iogurtes e afins) deve crescer, hoje este mercado é dominado por duas multinacionais.
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