GM fica mais perto da concordata após fracassar acordo com credores
da Efe, em Washington
A General Motors ainda não conseguiu convencer os credores a converter US$ 27 bilhões em dívida por ações da companhia e fica cada vez mais perto de protagonizar a maior concordata industrial da história dos Estados Unidos.
Apesar de, até o momento, os detentores de bônus terem se negado a aceitar a proposta, os credores da GM têm até a meia-noite de hoje para respaldar a troca, promovida pela empresa e pelo Departamento do Tesouro para evitar a falência da montadora automobilística.
Em 14 de maio, a General Motors informou à Comissão de Valores Mobiliários (SEC, na sigla em inglês) que se não receber ofertas suficientes para converter a dívida por ações, se declarará em falência.
A empresa ressaltou que é necessário que pelo menos 90% da dívida aceitem a troca, em troca do que oferece 10% das ações da firma.
As possibilidades que a companhia interesse o número suficiente de credores antes de terminar o prazo parece remota, mas isso não desanimou os investidores.
No fechamento das bolsas de Nova York, as ações da firma subiam 0,70%, até US$ 1,44.
De fato, o presidente da empresa, Fritz Henderson, afirmou que se é evidente que a empresa não pode chegar a um acordo antes de 1º de junho, declarará a falência antes desse prazo.
A GM ainda espera que se resolva a situação de sua filial alemã, a Opel, o que poderia acontecer nas próximas horas.
O governo alemão informou que poderia decidir quem assumirá o controle da Opel --a Fiat ou o consórcio liderado pela empresa canadense Magna-- antes do fim de semana.
Resolvido o futuro da Opel, e com a certeza de que os credores não aceitarão a oferta, Henderson poderia decretar a falência da GM a qualquer momento.
O pessimismo sobre o futuro da GM aumentou nas últimas horas devido às claras mostras de que poderosos círculos políticos de Washington estão cada vez mais contrários aos planos do Governo do presidente americano, Barack Obama, para a reestruturação do setor.
Na semana passada, 40 membros da Câmara de Representantes (na maioria republicanos, mas também democratas) pediram ao Congresso que exerça um maior controle sobre a reestruturação do setor e criticaram o papel desempenhado pelo GPA (Grupo Presidencial do Automóvel).
A entidade foi criada pela Casa Branca e pelo Departamento do Tesouro americano para supervisionar a reestruturação do setor, mas, na realidade, os integrantes estão tomando decisões, como forçar a renúncia do ex-presidente da GM Rick Wagoner, que os congressistas consideram excessivas.
De acordo com a quarentena de congressistas, o GPA deveria voltar ao "papel conselheiro", e o Congresso é quem tem "prerrogativas legislativas constitucionais".
Além disso, quatro congressistas republicanos acusaram o secretário do Tesouro, Timothy Geithner, de favorecer os interesses do sindicato UAW (United Auto Workers) em detrimento dos direitos dos credores da General Motors.
Os congressistas acusaram Geithner de "travar o que alguns creem ser uma guerra contra o capital", e disseram que o governo quer "pisotear" os direitos dos investidores.
Neste ambiente político, os credores da GM (entre eles firmas como Fidelity Investments e Franklin Templeton Investments, mas também em torno de 100 mil investidores particulares que têm bônus da empresa) podem se sentir encorajados a desafiar a administração de Obama e a direção da empresa nos tribunais.
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