Investimentos na América Latina caem até 45% em 2009, diz Cepal
da France Presse
Atualizado às 15h41.
Os investimentos estrangeiros diretos (IED) caíram entre 35% e 45% na América Latina em 2009 devido à crise financeira, após o recorde de US$ 128,301 bilhões registrado ano passado, destacou a Cepal (Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe) em relatório nesta quarta-feira.
A região comemorou em 2008 um valor recorde de investimentos, mas as condições econômicas que proporcionaram este resultado mudaram drasticamente em consequência da crise, explica o relatório da Cepal, órgão ligado às Nações Unidas com sede em Santiago.
"As condições econômicas que levaram a este resultado mudaram, e por isso esperamos que os fluxos de Investimento Estrangeiro Direto caiam ao longo de 2009", indica o texto do organismo, que calcula uma redução entre 35 e 45%.
"A incerteza a respeito da duração e profundidade da crise torna difícil prever o montante de IED. E, mesmo com a queda que esperamos para 2009, ainda assim o valor dos investimentos deve ficar acima da média do que foi investido na região no período 2001-2006", destaca a Cepal.
Sobre o desempenho das economias latino-americanas durante este ano, a secretária-executiva da Cepal, a mexicana Alicia Bárcena, estima que haverá uma queda superior ao 0,3% calculado pela organização no fim de março --sem, no entanto, estabelecer uma nova previsão.
"Vamos revisar a projeção, e será para baixo, sem dúvida", lamentou Bárcena na entrevista coletiva na qual apresentou o relatório.
"É possível que caia, por causa da economia mexicana", fortemente golpeada pela redução de suas exportações para os Estados Unidos e pelos efeitos da epidemia de gripe suína, explicou a secretária-executiva.
O recorde alcançado pelos investimentos em 2008 é atribuído ao fato de que "várias das operações foram fechadas antes do início da crise", superando em 13% as do ano anterior, detalha o relatório.
"Os elevados preços dos produtos básicos e o crescimento de algumas das economias em desenvolvimento explicariam esta alta", indica.
Brasil, Chile e Colômbia foram os principais destinos do dinheiro investido na América do Sul em 2008, concentrando 80% do IED. Destes, o Brasil foi o maior receptor da região, com aumento de 30% sobre os investimentos recebidos em 2007. Por outro lado, o IED no México caiu 20%.
Na outra ponta, Estados Unidos e Espanha foram os países que mais investiram na região, --respectivamente 24% e 9%. Canadá (8% do total) e Japão (6%) elevaram sua presença, associados a projetos de recursos naturais, aponta o Cepal.
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