Indústria paulista demite mais e eleva desemprego no país, diz pesquisa
MARCEL GUGONI
da Folha Online
A taxa de desemprego manteve a trajetória de alta em abril, puxada pelas demissões na indústria da região metropolitana de São Paulo. No mês, foram fechadas 57 mil vagas de trabalho nas fábricas, uma alta de 3,5% no número de desempregados pelo setor na comparação com março, segundo dados da pesquisa mensal sobre emprego realizada pela Fundação Seade e pelo Dieese.
No mês passado, 1,58 milhão de pessoas trabalhavam no setor, contra 1,63 milhão em março. Em abril do ano passado, o setor empregava 166 mil pessoas a mais. O índice de ocupação na indústria é o menor desde abril de 2007, de acordo com os dados do Seade/Dieese.
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"O nível de ocupação na indústria é preocupante, porque este é o setor que carrega o desenvolvimento econômico do país", afirmou Alexandre Loloian, coordenador técnico da equipe de análise do Seade.
A atividade industrial que concentrou as demissões na região metropolitana paulista foi a metal-mecânica (de produção de maquinário, veículos, entre outros).
Considerando as seis regiões avaliadas pelo estudo --São Paulo, Belo Horizonte, Distrito Federal, Porto Alegre, Recife e Salvador--, 2,51 milhões de pessoas estavam empregadas na indústria. O número é 2,1% menor que no mês anterior.
"Os dados do país são menos ruins do que em São Paulo, onde a indústria potencializou a variação de demissões do país", disse Sérgio Mendonça, coordenador-técnico do Dieese. "Considerando a sazonalidade, esse movimento [de cortes na indústria] não é incomum."
Melhora no cenário
"Depois de um trimestre muito ruim, com a taxa de desemprego crescendo, em abril ela praticamente se estabilizou", destacou Loloian, do Seade. "A grande novidade no mês foi o ritmo menor da tendência de crescimento de demissões."
Considerando todos os setores --entre eles comércio, construção civil e serviços, além da indústria--, o nível de desemprego em São Paulo ficou em 15% no mês passado frente a março. O contingente de desempregados foi estimado em 1,56 milhão de pessoas, 17 mil a mais do que em março.
Para os economistas responsáveis pela pesquisa, a elevação do número de profissionais ocupados nos setores da construção civil e dos serviços ajudou a segurar o índice. Em abril, foram 30 mil e 60 mil pessoas empregadas nas duas áreas, respectivamente --alta de 3,1% e 1,2%.
O comércio reduziu fortemente o número de demissões em abril, cortando 5.000 vagas (alta de 0,4%), após realizar ajustes em março.
Outras regiões
O nível de ocupação no país cresceu 0,3%, ficando dentro da expectativa do Dieese/Seade. O total de ocupados nas seis regiões investigadas foi estimado em 17 milhões de pessoas, e a PEA (População Economicamente Ativa), em 20 milhões --sobrando 3 milhões de desempregados.
Construção e serviços tiveram altas de 3,3% e 0,9%, respectivamente, no número de trabalhadores. Isso ocorre porque o setor de serviços absorve grande parte dos desempregados de outros setores e "tem servido como um colchão para o mercado", de acordo com a avaliação de Sérgio Mendonça, do Dieese.
A estimativa para os próximos meses é de estabilidade nas demissões no cenário geral, segundo a diretora de metodologia e produção de dados do Seade, Marisa Hoffmann.
Para ela, o cenário é de um ritmo de continuidade do nível de ocupação sem grande aumento da entrada de novos profissionais no mercado, o que pode levar a uma melhora generalizada na economia. "Do jeito que as coisas estão, o pior da crise parece ter passado."
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