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Dinheiro
27/05/2009 - 13h21

Indústria paulista demite mais e eleva desemprego no país, diz pesquisa

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MARCEL GUGONI
da Folha Online

A taxa de desemprego manteve a trajetória de alta em abril, puxada pelas demissões na indústria da região metropolitana de São Paulo. No mês, foram fechadas 57 mil vagas de trabalho nas fábricas, uma alta de 3,5% no número de desempregados pelo setor na comparação com março, segundo dados da pesquisa mensal sobre emprego realizada pela Fundação Seade e pelo Dieese.

No mês passado, 1,58 milhão de pessoas trabalhavam no setor, contra 1,63 milhão em março. Em abril do ano passado, o setor empregava 166 mil pessoas a mais. O índice de ocupação na indústria é o menor desde abril de 2007, de acordo com os dados do Seade/Dieese.

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"O nível de ocupação na indústria é preocupante, porque este é o setor que carrega o desenvolvimento econômico do país", afirmou Alexandre Loloian, coordenador técnico da equipe de análise do Seade.

A atividade industrial que concentrou as demissões na região metropolitana paulista foi a metal-mecânica (de produção de maquinário, veículos, entre outros).

Considerando as seis regiões avaliadas pelo estudo --São Paulo, Belo Horizonte, Distrito Federal, Porto Alegre, Recife e Salvador--, 2,51 milhões de pessoas estavam empregadas na indústria. O número é 2,1% menor que no mês anterior.

"Os dados do país são menos ruins do que em São Paulo, onde a indústria potencializou a variação de demissões do país", disse Sérgio Mendonça, coordenador-técnico do Dieese. "Considerando a sazonalidade, esse movimento [de cortes na indústria] não é incomum."

Melhora no cenário

"Depois de um trimestre muito ruim, com a taxa de desemprego crescendo, em abril ela praticamente se estabilizou", destacou Loloian, do Seade. "A grande novidade no mês foi o ritmo menor da tendência de crescimento de demissões."

Considerando todos os setores --entre eles comércio, construção civil e serviços, além da indústria--, o nível de desemprego em São Paulo ficou em 15% no mês passado frente a março. O contingente de desempregados foi estimado em 1,56 milhão de pessoas, 17 mil a mais do que em março.

Para os economistas responsáveis pela pesquisa, a elevação do número de profissionais ocupados nos setores da construção civil e dos serviços ajudou a segurar o índice. Em abril, foram 30 mil e 60 mil pessoas empregadas nas duas áreas, respectivamente --alta de 3,1% e 1,2%.

O comércio reduziu fortemente o número de demissões em abril, cortando 5.000 vagas (alta de 0,4%), após realizar ajustes em março.

Outras regiões

O nível de ocupação no país cresceu 0,3%, ficando dentro da expectativa do Dieese/Seade. O total de ocupados nas seis regiões investigadas foi estimado em 17 milhões de pessoas, e a PEA (População Economicamente Ativa), em 20 milhões --sobrando 3 milhões de desempregados.

Construção e serviços tiveram altas de 3,3% e 0,9%, respectivamente, no número de trabalhadores. Isso ocorre porque o setor de serviços absorve grande parte dos desempregados de outros setores e "tem servido como um colchão para o mercado", de acordo com a avaliação de Sérgio Mendonça, do Dieese.

A estimativa para os próximos meses é de estabilidade nas demissões no cenário geral, segundo a diretora de metodologia e produção de dados do Seade, Marisa Hoffmann.

Para ela, o cenário é de um ritmo de continuidade do nível de ocupação sem grande aumento da entrada de novos profissionais no mercado, o que pode levar a uma melhora generalizada na economia. "Do jeito que as coisas estão, o pior da crise parece ter passado."

Comentários dos leitores
J. Campos (2) 17/07/2009 09h58
J. Campos (2) 17/07/2009 09h58
Caro, André Souza, se você tivesse estudado mais ou se a sua profesora tivesse te ensinado mais, teria aprendido que não foram só alguns ou poucos os casos de resistência dos negros à escravidão. A escravidão não foi assim tão passivamente aceita por eles, houve resistência e muita. Realmente as cotas não resolvem o problema, principalmente problemas como esse que você tem, que é o preconceito internalizado de si próprio.Que bom que seja negro, que tenha estudado em escola pública e vencido, mas precisa continuar estudando e aprender que a migração, por mais sofrida que foi, de japoneses,italianos,alemães, etc não foi igual ao processo de escravidão. sem opinião
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jeferson neu (17) 17/07/2009 00h03
jeferson neu (17) 17/07/2009 00h03
Mais eficiente do que um sistema de cotas (que diga-se de passagem, foi copiado do modelo americano, que não só fracassou, como também levou ao aumento do preconceito e da intolerância contra os afrodescentendes naquele país), seria a reforça do sistema de ensino no Brasil, com valorização dos professores, como aumento de salário e condições dignas de trabalho; aumento da carga horária no que se refere as aulas; investimento na melhoria das escolas, com ampliação de laboratórios, salas de informática, enfim, aumento do investimento na educação. Porém, como educação não é prioridade para o governo, ou para as elites, seja pelo temor do aumento do conhecimento, o que levaria a contestação maior, além do aumento do nível de consciência da população sobre o que está errado e por que está errado. Educação é a chave para uma revolução sócioeconômica e cultural de uma nação. Enquanto o país relegar a educação a segundo plano, o Brasil continuará a ser o país que é. Atrasado tecnológicamente, atrasado na pesquisa médica, com poucos projetos de vanguarda, com dificuldades de capacitar sua mão de obra, já que os cursos, além de não gratuitos, serem caros, o que dificulta o acesso da maioria da população a melhores postos de trabalho. Países que por conta de reformas educacionais, sairam da pobreza e hoje possuem outro status: Irlanda, Espanha, Portugal, Coréia do Sul, Taiwan, Singapura. A lista é longa. Por que o Brasil não faz parte dela? Falta vontade política. 2 opiniões
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J. Campos (2) 16/07/2009 19h42
J. Campos (2) 16/07/2009 19h42
Em relação ao texto de Carolina Souza, é preciso fazer uma ponderação. Concordo que o sistema de cotas não é a melhor forma de se gerar inclusão/igualdade, mas daí a achar que as condições em que chegaram os imigrantes são comparáveis a forma como chegaram os escravos ao Brasil é muito ingênuo. Eles não vieram à força ou acorrentados ao país.Os imigrantes precisaram lutar sim pelo seu espaço, mas os negros tiveram e têm obstáculos a mais para enfrentarem, quer sejam internos e externos. O processo de inclusão/igualdade se dará, entre outras coisas, com o incentivo a criação de escolas públicas de melhor qualidade. Escolas de qualidade que devam ser frequentadas não só por negros, mas também por pessoas como a dona Carolina ( peço-lhe desculpas )que escrevem aqui de forma equivocada. sem opinião
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