Dinheiro
27/05/2009 - 15h45

Entenda a evolução da crise que atinge a economia dos EUA

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da Folha Online

A economia americana encontra-se em recessão desde dezembro de 2007, segundo o Nber (Escritório Nacional de Pesquisa Econômica, na sigla em inglês). Em mais de um ano de crise, a economia americana recebeu um pacote de US$ 700 bilhões no ano passado e a atual administração, do presidente Barack Obama, já conseguiu aprovação dos deputados em Washington para mais um, de US$ 819 bilhões. A situação em que o país se encontra, com queda do PIB (Produto Interno Bruto) e números do mercado de trabalho típicos de períodos de recessão, tem suas raízes no mercado imobiliário norte-americano.

Arte Folha

Em março de 2001, o Nber avaliou que a economia americana havia entrado em recessão, na esteira do estouro da bolha das empresas "pontocom". O Federal Reserve (Fed, o BC americano) iniciou uma sequência de cortes de juros que levou a taxa a 1% ao ano em junho de 2003 (e na qual permaneceu até junho de 2004). Com juros baixos, a economia recebeu o impulso que precisava para sair da recessão. Um ano de juros baixos foi o suficiente para estimular o mercado imobiliário americano, além de elevar o consumo e a circulação de crédito de modo geral. Em 2005, o "boom" no mercado imobiliário já estava avançado.

Com juros baixos, as companhias hipotecárias passaram a explorar o segmento de clientes "subprime" --que contém um risco maior que o de clientes com classificação melhor de crédito, mas compensado por taxas de retorno mais altas.

Os papéis de dívidas hipotecárias atraíram gestores de fundos e bancos. Essas instituições compraram esses títulos hipotecários "subprime" e permitiram que uma nova quantia em dinheiro fosse emprestada, antes mesmo do primeiro empréstimo ser pago. Um outro gestor, interessado no alto retorno envolvido com esse tipo de papel, comprou o título adquirido pelo primeiro, e assim por diante, gerou uma cadeia de venda de títulos.

Declínio

Em 2006, o mercado imobiliário já dava sinais de saturação, com preços e estoques altos de casas, ao lado de uma taxa de juros que vinha subindo desde junho de 2004, chegando a 5,25%. Com os juros mais altos, as correções nos contratos de hipotecas dificultaram os pagamentos de prestações, e a consequência foi o aumento da inadimplência.

Como no início dos empréstimos o índice de inadimplência era baixo, os empréstimos hipotecários "subprime" pareciam um ótimo negócio, pois traziam alta rentabilidade com um risco que parecia menor do que realmente tinha.

Com isso, as instituições financeiras, que compraram os títulos hipotecários "subprime" e os revenderam sob a forma de derivativos, também começaram a ter problemas. Se a ponta (o tomador) não consegue pagar sua dívida inicial, ele dá início a um ciclo de não-recebimento por parte dos compradores dos títulos. O resultado: todo o mercado passa a ter medo de emprestar e comprar os "subprime", o que termina por gerar uma crise de liquidez (retração de crédito).

Derivativos são papéis que tem seu valor derivado de outros ativos com a finalidade de assumir, limitar ou transferir riscos. São instrumentos financeiros considerados de risco, uma vez que a avaliação de seus valores e das consequências de seu uso generalizado é muito complexa em um mercado financeiro cada vez mais globalizado.

Em 2007, o setor financeiro sofreu o primeiro golpe, quando o aumento da inadimplência nas hipotecas "subprime" aumentou o risco embutido nos derivativos lastreados nesses papéis de dívida. O banco francês BNP Paribas Investment Partners --divisão do banco francês BNP Paribas-- congelou, em agosto daquele ano, resgates em três fundos, alegando dificuldades de avaliar os valores dos investimentos ligados a essas hipotecas de risco.

Quebras e prejuízos

Com esse primeiro sinal de problemas, a reação foi a mesma de todas as crises que envolvem o mercado financeiro: pânico. Primeiro foram algumas gigantes do setor hipotecário, como a AHM (American Home Mortgage): uma das 10 maiores empresas do setor de crédito imobiliário e hipotecas dos EUA, a empresa teve de pedir concordata. A Countrywide Financial, outra gigante do setor, teve de ser comprada pelo Bank of America.

Das empresas hipotecárias, a crise passou para os bancos. O marco inicial da onda de pânico que conduziu a esses resultados foi a quebra do Lehman Brothers, em setembro do ano passado.

Pode-se dizer que a quebra do Lehman é o marco para o agravamento da crise, pois desde então alguns dos principais grupos financeiros --não só dos EUA, mas do mundo todo-- que já vinham sentindo os abalos da crise entraram em um ritmo acelerado de perdas. Vários bancos, entre eles os gigantes Citigroup, Bank of America, Wells Fargo e AIG, tiveram que receber recursos do governo americano, enquanto outros, como o Wachovia e o Bear Stearns, foram comprados antes que quebrassem.

Consequências

A crise provocada pelo problema que começou no mercado imobiliário e que se infiltrou no sistema financeiro acabou por se espalhar para todos os setores da economia, como reconheceu a chefe do Conselho de Consultores Econômicos da Casa Branca, Christina Romer, no mesmo dia que o Departamento do Comércio informou que o PIB americano caiu 3,8% no quarto trimestre. Foi o pior desempenho trimestral desde o período de janeiro a março de 1982, quando a economia caiu mais de 6% --à época, como agora, o país estava em uma recessão.

A crise, e o risco para o sistema bancário que ela representava, levou o governo americano a propor um pacote de US$ 700 bilhões --aprovado em outubro do ano passado. O pacote iria ajudar os bancos com balanços comprometidos pelo peso dos derivativos lastreados nas hipotecas "subprime", mas acabou tendo seu alcance ampliado para ajudar bancos mais saudáveis, empresas mais ligadas ao crédito ao consumidor e até as montadoras do país.

O setor automobilístico vive uma situação problemática que tem na crise de crédito resultante dos problemas com hipotecas "subprime" como uma das consequências. A General Motors e a Chrysler, com quedas nas vendas devido às dificuldades dos compradores em obter financiamento, precisaram de ajuda do governo para fechar suas contas. Mas, mesmo assim, a Chrysler pedir proteção da Justiça dentro do "Capítulo 11" da Lei de Falências americana --o equivalente à concordata (ou recuperação judicial, no Brasil). O mesmo deve ocorrer com a GM.

O mercado de trabalho também sofre uma contração, nos EUA e além, causada pela crise de crédito originada nos problemas do mercado imobiliário. A taxa de desemprego nos EUA fechou 2008 em 7,2%. Em abril, esse índice já subiu para 8,9%.

Comentários dos leitores
Eduardo Giorgini (415) 21/11/2009 21h43
Eduardo Giorgini (415) 21/11/2009 21h43
"Obama pede paciência aos americanos na questão econômica"
Eleitorado Norte-Americano é exigente. Quase 1 ano de Obama e a popularidade esta caindo e nem precisou se envolver em escandalos de corrupção.
Parabéns aos Norte-Americanos.
[]s
Eduardo.
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Domingos Aparecido (135) 21/11/2009 09h56
Domingos Aparecido (135) 21/11/2009 09h56
RESPOSTA AO SR. CARLOS JOSÉ DOS SANTOS.
Prezado Companheiro virtual, vou fazer uma confissão: Sou Corinthiano há 60 anos, fico alegre quando o Ronaldo faz um gol, mais senti uma alegria maior ainda ao ler o seu comentário sobre esse famigerado FMI. Só acho que faltou você acrescentar em seu comentário que, hoje o Brasil tem mais de 20 milhões de pessoas (segundo o Reporter Record) morando em "CORTIÇOS" e nunca se viu na história deste país, a quantidade tão grande de vendas de carros de luxo, mansões, iates, etc. como estamos tendo agora.
Está escrito: 1Jo 2:15 - Não ameis o mundo, nem o que no mundo há. Se alguém ama o mundo, o amor do Pai não está nele.
Maranata.
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Carlos José dos Santos (494) 20/11/2009 21h16
Carlos José dos Santos (494) 20/11/2009 21h16
"FMI vê recuperação lenta e diz ser cedo para tirar estímulos à economia"
Os verdadeiros Governos democráticos, deveriam ignorar os conselhos desse FMI, pois é um organismo que defende um Governo para as Instituições e não um Governo para o POVO.
Está sempre aconselhando governos a injetar dinheiro público em instituições privadas e em Sistema Financeiros, bancos e empresas particulares, a pretexto de recuperar a Economia. Mas, na realidade esse dinheiro vai se transformar em lucros privados, jatinhos, iates, limusines, viajens de turismo, ou colar de diamantes no pescoço de prostituta elegante ou no pescoço de amantes de algum políticos ou empresários, sem retorno nenhum social para quem paga os impostos.
O FMI, só visa privatizar os lucros e socializar os prejuízos.
O Dinheiro do Povo, tem que ser injetado é no POVO.
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