Após compra do Ponto Frio, Pão de Açúcar planeja domínio em eletrodomésticos
YGOR SALLES
da Folha Online
Atualizado às 17h01.
O objetivo por trás da compra do Ponto Frio pelo Grupo Pão de Açúcar, anunciado nesta segunda-feira, é buscar o domínio do varejo de eletrodomésticos --setor que o grupo elencou como prioritário há cinco anos mas só agora dá um passo decisivo para concretizá-lo.
A partir dessa compra, os eletrodomésticos responderão por 26% das vendas totais do grupo --antes era apenas 10%. Já os alimentos, que tinham 76%, agora respondem por 62% do faturamento.
Segundo o presidente do Conselho de Administração do Grupo Pão de Açúcar, Abílio Diniz, o domínio das vendas desses produtos é fundamental para o crescimento e a manutenção do setor, uma vez que os produtos alimentícios --desde sempre especialidade do grupo-- têm cada vez menor rentabilidade e exercem menor atração sobre os consumidores.
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"É muito importante dominar os não-alimentos porque é atual, é moderno, é o que desperta o interesse dos consumidores", disse Diniz durante o anúncio da compra do Ponto Frio, cujo controle custou R$ 824,5 milhões mas pode chegar a R$ 1,165 bilhão dependendo da adesão dos acionistas minoritários da empresa.
A aquisição de uma rede especializada era fundamental para esse objetivo, explicou Diniz, pelo fato das compras desses produtos ser concentrada nelas. 85% de todos os eletrodomésticos do país são vendidos nessas lojas, e o restante em hipermercados ou através de sites na internet. Além disso, é um ramo concentrado: as 10 maiores redes --a Ponto Frio é a segunda maior delas-- respondem por 40% das vendas.
Manutenção da marca
O Ponto Frio foi o alvo escolhido, segundo os executivos da empresa, por ter lojas bem localizadas --praticamente sem sobreposição às lojas Extra Eletro, a rede de eletrodomésticos do Grupo Pão de Açúcar-- e uma marca forte no mercado.
"Muitas poucas das 455 lojas precisarão ser fechadas, é um número irrisório", disse Diniz. Por esse mesmo motivo, o Pão de Açúcar diz não vislumbrar demissões imediatas. Com a compra, o grupo passará a ter 79 mil empregados, "podendo passar da casa dos 80 mil no médio prazo", disse o executivo.
O diretor-presidente do Pão de Açúcar, Claudio Galeazzi, informou ainda que a marca Ponto Frio deverá ser mantida. "A princípio manteremos as marcas", disse. Porém, lembrou que a companhia está promovendo uma pesquisa que vai deixar mais claro se essa é mesmo a decisão correta. "Por exemplo, quando compramos o Sendas, mantivemos a marca no Rio, porque lá era muito forte", explicou.
Histórico
Em março deste ano, a rede Ponto Frio já havia informado à CVM (Comissão de Valores Mobiliários) sobre a intenção de venda da rede de lojas. No comunicado ao mercado divulgado no mesmo mês, a Globex Utilidades (companhia que opera a marca Ponto Frio) informou ainda que não havia recebido qualquer proposta firme e vinculante para a aquisição do controle --as Lojas Americanas e a rede Baú manifestaram interesse no negócio.
Lily Safra, viúva do bilionário banqueiro Edmond Safra e acionista majoritária da rede, havia tentado negociar as lojas há cerca de dois anos.
Em dezembro de 2007, o Ponto Frio também anunciou plano de venda, mas desistiu com o preço das ações em queda. Pouco antes, a empresa efetuou uma reestruturação organizacional, para reduzir diretorias e 250 funcionários da administração. A medida, segundo a empresa, teve por objetivo simplificar e acelerar os processos decisórios e a gestão da rede.
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