FMI deve elevar previsão de crescimento da economia global em 2010
da Folha Online
Atualizado às 11h18.
O FMI (Fundo Monetário Internacional) elevou sua previsão de crescimento para a economia global em 2010 para 2,4%, acima do 1,9% estimado em abril, devido às medidas de estímulo adotadas por diversos países nos últimos meses, segundo uma fonte ouvida pela agência de notícias Reuters.
A informação consta de uma nota do FMI para a reunião de ministros das áreas econômicas dos países do G8 (grupo dos sete países mais ricos e a Rússia) programada para este fim de semana. A expectativa do Fundo, segundo a fonte da Reuters, é de que a recuperação da economia global seja gradual.
Para este ano, no entanto, a previsão se mantém em queda de 1,3%, dado que consta do relatório "World Economic Outlook" ("Panorama Econômico Mundial"), divulgado em abril.
Na segunda-feira (8), o diretor-gerente do FMI, Dominique Strauss-Kahn, disse que a lentidão da estabilização do setor financeiro mundial representa o maior risco para a recuperação econômica, que deve ocorrer no primeiro trimestre de 2010.
"O cenário mais provável é que a recuperação ocorra no primeiro trimestre de 2010, com uma virada entre setembro e outubro [deste ano]", declarou Strauss-Kahn.
Ele também afirmou que a crise financeira fez com que muitas economias emergentes passassem a encarar problemas "de vida ou morte" e advertiu sobre o grave perigo da instabilidade civil nesses países.
O diretor do FMI também afirmou que "depois da crise, o mundo não será como antes", já que "o equilibro de poder será diferente". "O próximo mundo não será como o anterior", afirmou.
Retomada
No fim do mês passado, Strauss-Kahn disse que a retomada do crescimento econômica deverá ocorrer no início de 2010, mas que isso não significa o "fim total da crise". "Inclusive se o primeiro trimestre de 2010 marcar o retorno ao crescimento, as consequências no campo social demorarão muito mais tempo a chegar", disse.
O diretor do FMI situou o ponto mais baixo da crise em "setembro ou outubro" para, a partir de então recuperar o crescimento positivo no começo do próximo ano. Ele voltou a indicar a necessidade de mecanismos de supervisão e controle aos países desenvolvidos, da mesma forma que fazem com os emergentes.
"Subestimamos a interdependência entre as economias, não medimos bem a dimensão real da globalização. Talvez nos concentramos muito nos riscos dos emergentes e não nos riscos e fragilidades das economia desenvolvidas", disse.
Brasil
Strauss-Kahn saudou ontem a liderança e o compromisso demonstrados pelo Brasil, que emprestará US$ 10 bilhões à instituição. "O Brasil reafirma mais uma vez a firmeza de seu papel como destacada economia emergente", afirmou Strauss-Kahn, citado em um comunicado do FMI.
O ministro da Fazenda, Guido Mantega, informou ontem que o empréstimo será efetuado através da aquisição de bônus do organismo. Com a decisão, o país exerce, pela primeira vez, o papel de financiador do fundo, já que, apesar de integrar o grupo dos 47 países credores, o Brasil ainda não havia feito empréstimos fora de sua cota (hoje de US$ 4,7 bilhões).
Os US$ 10 bilhões serão provenientes das reservas internacionais brasileiras, estimadas em US$ 200 bilhões, segundo números do Banco Central. As reservas, porém, permanecem inalteradas, uma vez que o Brasil apenas modifica o tipo de aplicação: em vez de aplicar as reservas, por exemplo, em títulos do governo norte-americano, investiria nesses bônus do FMI.
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