Chevron inicia produção no Brasil de olho no pré-sal
CIRILO JUNIOR
da Folha Online, no Rio
A americana Chevron já avalia explorar na camada pré-sal do campo de Frade, na bacia de Campos, que entrou em produção no final da semana passada. Com reservas recuperáveis de 200 milhões a 300 milhões de barris de óleo e gás, Frade recebeu investimentos de US$ 3 bilhões, e atingirá até 90 mil barris/dia de petróleo e gás em 2011.
"Estamos analisando a estrutura do pré-sal naquela área. Não há qualquer conclusão firme, mas vamos explorar isso", afirmou o presidente da Chevron no Brasil, George Buck.
Atualmente, a Chevron trabalha no desenvolvimento de outros quatro campos na área de Campos -- Maromba e Papa-Terra, operados pela Petrobras, e Atlanta e Oliva, comandados pela Shell. A petrolífera americana é operadora apenas em Frade, consórcio no qual detém 51,74% de participação, tendo como sócias a Petrobras e a Frade Japão Petróleo.
Buck observou que a Chevron ainda não definiu se vai colocar o óleo de Frade no mercado brasileiro ou se vai exportá-lo. Existe a possibilidade de a Chevron direcionar este petróleo para suas refinarias nos Estados Unidos, já que o preço que a Petrobras paga pelo petróleo cru da região, pesado e de menor qualidade, nem sempre é vantajoso para a companhia.
Nos próximos dez anos, a Chevron planeja investir US$ 5 bilhões em projetos na área de exploração e produção no Brasil. A companhia detém ainda negócios na área de lubrificantes, na qual tem fatia de 17% do mercado. Recentemente, a Chevron vendeu os postos da marca Texaco, no Brasil, ao grupo Ultra.
Em todo o mundo, a produção da Chevron é de 2,7 milhões de barris de óleo e gás diários. A produção da Petrobras, em maio, foi de 2,5 milhões de barris de óleo equivalente.
O investimento previsto poderá subir ainda mais, ressaltou Buck, de acordo com as oportunidades que surgirem no mercado. Novos investimentos, no entanto, estarão diretamente ligados às novas regras que o governo pretende impor ao setor de petróleo e gás, a partir das descobertas na camada pré-sal.
A possibilidade de o governo eliminar os contratos de concessão e adotar o modelo de partilha (no qual as empresas atuam como prestadoras de serviços para o governo) na região do pré-sal não assusta a direção da Chevron no Brasil. A diretora de Novos Negócios, Patrícia Pradal, lembrou que a empresa opera em outras regiões do mundo mediante o modelo de partilha, e disse acreditar que o governo saberá escolher o marco regulatório adequado, sem afugentar os investidores.
"A Chevron vai observar as oportunidades em cada projeto e tem interesse em continuar investindo no Brasil. A decisão de investimento não está ancorada no modelo, e sim na oportunidade do negócio", comentou.
Para George Buck, a exploração de petróleo em águas brasileiras é interessante, seja no pré-sal ou em outras regiões. Ele salientou que a companhia americana quer apostar em ambos. O executivo alertou que, caso o novo modelo seja restritivo, algumas empresas poderiam deixar de apostar no Brasil.
"Mas não acredito nisso, o governo vem se posicionando bem, e demonstra ter interesse em atrair os investimentos", acrescentou.
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1 - Que todos querem participar dos bonus do pré-sal é fácil compreender. Mas vamos imaginar que por uma obra do destino estas operações causem uma enorme catástrofe ecológia e que tenhamos que pagar indenizações alguém ou outro Estado, como Argentina, por exemplo. Pergunto se os Estados brasileiros que ora desejam participar desta boquinha estarão também de acordo em arcar com os riscos (onus).
2 - Será que temos mesmo competência para fazer este tipo de perfuração ? Será que não corremos o risco de desabar o fundo do mar drenando água para o buraco ? Lembrem-se que uma burrada da Russia condenou o mar de Aral a secar.
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