Dinheiro
30/06/2009 - 08h46

Agronegócio exporta mais em volume, mas fatura menos

Publicidade

PAULO PEIXOTO
da Agência Folha, em Belo Horizonte

Cinco de 11 principais setores exportadores do agronegócio brasileiro venderam mais de janeiro a maio deste ano, em relação ao mesmo período de 2008, mas mesmo assim enfrentam reduções de preços e faturamento menor em dólar. O agronegócio ainda sofre fortemente os efeitos da crise mundial.

O único setor que arrecadou mais com as vendas externas foi o do fumo. Apesar de ter vendido 14% a menos (33 mil toneladas) nos cinco primeiros meses do ano, faturou 17% a mais (US$ 922 milhões), conforme levantamento da Folha.

Leia a cobertura completa da crise nos EUA
Entenda a evolução da crise que atinge a economia dos EUA
Entenda como a crise financeira global afeta o Brasil

Apenas o complexo sucroalcooleiro conseguiu equilibrar aumento de vendas com faturamento. Ambos somaram 27% na comparação dos períodos. O setor vendeu 1,9 milhão de toneladas a mais neste ano.

Todos os outros setores exportadores analisados negociaram seus produtos por valores inferiores aos de 2008. O complexo soja, mesmo tendo vendido a mais 3,1 milhões de toneladas (19,8%), teve faturamento maior de apenas 0,9%.

O levantamento foi feito a partir de dados do Ministério da Agricultura.

A Folha calculou a variação do volume exportado de janeiro a maio e comparou com a variação do faturamento obtido com a venda externa apresentada no período.

O setor de cereais, farinhas e preparações exportou 11,7% a mais (409 mil toneladas), mas faturou 15% a menos. Com as exportações de fibras e produtos têxteis, as vendas cresceram 6,9% (18 mil toneladas), mas o faturamento caiu 12,4%.

O setor do café vendeu 13,7% a mais (83 mil toneladas), mas faturou 8,7% menos ante igual período de 2008.

Quedas maiores

Outros cinco setores, além de vender menos, tiveram as maiores quedas de faturamento na comparação entre todas as principais exportações.

A maior perda de faturamento foi a do couro, que vendeu 14,8% a menos (23 mil toneladas) e faturou 45,9% menos.

Com os produtos florestais, as vendas caíram 11,1% (691 mil toneladas) e o faturamento despencou 31,6%. O setor de "carnes" exportou 4,8% menos (120 mil toneladas), com retração de 21,8% na receita obtida.

As vendas de frutas foram 9,1% menores (33 mil toneladas) e o valor faturado caiu 20%. Por fim, as vendas de sucos caíram 0,7% (6.000 t) e a arrecadação foi 13,2% menor.

Relatório dos pesquisadores Geraldo Barros, Arlei Fachinel-lo e Adriana Silva, do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada da USP), apontou que esse setor econômico teve recuo de 0,53% nas suas atividades no primeiro trimestre do ano.

Para eles, a crise mundial pegou em cheio o Brasil. "Todos os elos da cadeia do agronegócio andam para trás", diz o relatório, que destaca poucos setores com mais "firmeza". No caso do couro, o relatório diz que a indústria de calçados marcha aceleradamente para trás.

Apesar de o mercado externo "parecer começar a destravar" e mesmo com a crise sendo amenizada, "o cenário do agronegócio poderá não mostrar grandes mudanças" em 2009.

Comentários dos leitores
Cassio Tavares (663) 26/11/2009 20h22
Cassio Tavares (663) 26/11/2009 20h22
Acabei de ler na Revista Veja na casa de um meu amigo, uma reportagem em que lá pelas tantas diz assim : O BRASIL PASSA AGORA PELO SEU MELHOR MOMENTO NOS ÚLTIMOS 30 ANOS. Que isso ? Já vai se entregar assim de vez ? Um aviso. Assim sendo, dentro de algum tempo voce poderá topar na banca com uma nova revista, que se chamará IN.VEJA. sem opinião
avalie fechar
Cassio Tavares (663) 26/11/2009 18h44
Cassio Tavares (663) 26/11/2009 18h44
Celso Assis, acorda. Voce está lendo o jornal de uns 10 anos atrás. Olhe a data aí no alto. 1 opinião
avalie fechar
celso assis (67) 26/11/2009 16h04
celso assis (67) 26/11/2009 16h04
COMO TODO CIDADAO DESTE PAIS TB ESTOU TORCENDO POR UMA RECUPERAÇAO EM 2010. SE FOR NECESSARIO, POIS ANALISTAS DA MIDIA DIZEM QUE NEM HOUVE CRISE.
MAS ESTOU COM UM PÉ ATRAS, POIS CERTAMENTE TEMOS AQUI E EM OUTROS PAISES EMERGENTES, UMA BELA BOLHA NAS BOLSAS, NOS IMOVEIS, ETC.
PARECE QUE A ECONOMIA ESTA SENDO TOCADA NA BASE DE DINHEIRO EMPRESTADO, QUE LOGO PODE ESGOTAR-SE OU REDUNDAR EM CALOTES IMENSOS.
TB TEMOS QUE TORCER MUITO PARA QUE O MUNDO NAO SOFRA UMA RECAIDA TAO LOGO TERMINEM O FORNECIMENTO DOS ANALGESICOS (POLITICA MONETARIA E FINANCEIRA EXTREMAMENTE FROUXA), QUE ESTAO SENDO MINISTRADOS AO PACIENTE, AINDA NA UTI, E QUE SE RETIRADOS CAUSA A VOLTA DE FEBRE LÁ PELOS 42 GRAUS, SEGUIDAO DO COLAPSO TOTAL.
4 opiniões
avalie fechar
Comente esta reportagem Veja todos os comentários (2398)
Termos e condições
 

FolhaShop

Digite produto
ou marca