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Dinheiro
02/07/2009 - 08h51

Fundo de NY desiste de aplicar na Petrobras

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ÁLVARO FAGUNDES
da Folha de S.Paulo

O Estado de Nova York anunciou que o fundo de pensão do funcionalismo está se desfazendo dos investimentos em papéis da Petrobras devido à atuação da empresa brasileira no Irã. A medida faz parte de uma ação mais ampla, que inclui o fim de aplicações de US$ 86,2 milhões em ações de empresas (todas do setor de petróleo e gás, como a chinesa Sinopec e a russa Gazprom) que fazem negócios com o país do Oriente Médio ou com o Sudão.

O controlador do Estado de Nova York, Thomas DiNapoli, diz que a medida foi tomada após dois anos de investigação e que os motivos foram o genocídio no Sudão e o apoio do governo iraniano a terroristas. DiNapoli é uma espécie de auditor dos gastos das agências e dos governos no Estado de Nova York, além de responsável por dirigir o fundo de pensão.

DiNapoli não falou quanto o fundo de pensão tem investido na estatal, mas o dado mais recente disponível, do fim do ano fiscal de 2008 (encerrado em março do ano passado), mostra que os investimentos em papéis da Petrobras estavam avaliados em cerca de US$ 4,8 milhões. O fundo de pensão tem aplicações em papéis de empresas brasileiras como Itaúsa.

Segundo o controlador, a Petrobras e oito companhias falharam em cumprir as exigências mínimas do programa de diminuição de risco iniciado pelo fundo há dois anos e que inclui receber informações sobre como a atuação no Irã e no Sudão é compatível com uma estratégia de longo prazo que se mostre sólida e prudente.

O governo de George W. Bush (2001-2009) pressionou nos últimos anos as empresas estrangeiras para que cancelassem seus investimentos no Irã, acusado pelos EUA de patrocinar o terrorismo e de desenvolver secretamente um arsenal nuclear. Uma das sanções era restringir a atuação dessas companhias nos EUA.

A Petrobras venceu licitação do governo iraniano em 2004 para explorar bloco no golfo Pérsico. Em fevereiro deste ano, ela afirmou ter encontrado indícios de petróleo no local.

Procurada, a companhia disse que não tem "o que comentar sobre questões que não dependem de decisões da Petrobras". Ontem, ela ganhou licitação para exploração e produção petróleo e gás natural de dois blocos no Uruguai.

 

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