Executiva austríaca teria recebido propina de Madoff para desviar recursos, diz jornal
da Folha Online
Autoridades dos Estados Unidos, do Reino Unido e da Áustria investigam a ex-gerente de fundos Sonja Kohn, 60, que teria recebido US$ 40 milhões para desviar investimentos do banco onde trabalhava para a pirâmide financeira do americano Bernard Madoff, 71 --condenado na segunda-feira (29) a 150 anos de prisão pela fraude, avaliada em US$ 65 bilhões--, segundo reportagem desta sexta-feira no site do diário americano "The Wall Street Journal" (WSJ"").
Em troca da propina, ela teria transformado três fundos do banco em "fontes de alimentação" para a pirâmide de Madoff, que teria recebido dessa forma US$ 3,5 bilhões de investidores europeus. De acordo com o jornal, os investigadores trabalham com a tese de que Kohn teria recebido a propina de Madoff enquanto era presidente do conselho do Bank Medici, da Áustria, para desviar os investimentos através de empresas que ela controlava.
As investigações ainda estão em estágio inicial, informou o "WSJ". Kohn ainda não foi acusada de participar no esquema. Ela disse por telefone ao jornal ontem que é "na verdade a maior vítima de Madoff". "Isso é uma tragédia pessoal, para minha família e para minha empresa."
Ela não discutiu, no entanto, sobre os detalhes das alegações de que teria desviado os recursos. Uma porta-voz do Bank Medici disse que nem Kohn nem o banco receberam propina.
A pirâmide de Madoff é considerada a maior fraude financeira da história. Preso em dezembro do ano passado após a descoberta do esquema, Madoff, ex-diretor da Bolsa Nasdaq, assumiu sua culpa. Sobre ele pesavam 11 acusações, entre elas lavagem de dinheiro, perjúrio e fraude, cujas penas somadas davam os 150 anos a que foi condenado.
Ele voltou à sua cela no Centro Correcional de Manhattan para aguardar que a Justiça decida em qual penitenciária cumprirá a pena. A expectativa, segundo o diário americano "The New York Times", é que ele fique em alguma penitenciária no nordeste do país. Os advogados de defesa de Madoff tinham pedido uma condenação por 12 anos --ele não poderia ser absolvido porque era réu confesso.
Cobertura
Autoridades da Justiça dos Estados Unidos confiscaram nesta quinta-feira (2) o apartamento de cobertura de Madoff, que fica em Manhattan e está avaliada em US$ 7 milhões. O delegado federal Joseph Guccione disse que os oficiais de Justiça chegaram à cobertura com uma ordem judicial para confiscar e desocupar o imóvel.
Segundo ele, a mulher de Madoff, Ruth, foi avisada com antecedência da medida e estava deixando a residência. Em uma nota divulgada na segunda-feira, Ruth que sente uma "imensa dor" pelas histórias de perdas de pessoas cujas economias "evaporaram" com o golpe do marido.
"Vidas foram reviradas e investimentos foram eliminados. Todos que foram tocados por essa fraude se sentem traídos; não acreditam no pesadelo do qual acordaram. Estou constrangida, envergonhada. Como todos, me sinto traída e confusa. O homem que cometeu essa terrível fraude não é o homem que conheci por todos esses anos", diz a nota.
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