Dinheiro
07/07/2009 - 11h23

Vendas da indústria e uso das máquinas sobem em maio, aponta CNI

Publicidade

MARCELA CAMPOS
Colaboração para a Folha Online, em Brasília

Atualizado às 12h25.

O faturamento da indústria cresceu de 1,1% de abril para maio, desprezadas as influências sazonais, mostra pesquisa da CNI (Confederação Nacional da Indústria) divulgada nesta terça-feira. Já o uso da capacidade instalada --mede o quanto das máquinas e equipamentos estão em operação-- aumentou para 79,8% em maio, ante 79,4% em abril.

Trata-se do quarto mês consecutivo em que o uso da capacidade sobe, o que reflete um aquecimento da demanda. Essa recuperação, no entanto, ainda não permitiu que o indicador retornasse aos níveis de 2008 (83,1%).

Os setores com o maior nível de utilização da capacidade neste mês foram: equipamentos de transporte (90,8%), refino e álcool (89,6%), papel e celulose (88,1%) e couro e calçados (87,5%). No sentido inverso, o setor madereiro foi o que apresentou menor nível de utilização da capacidade (63,1%), seguido pelo setor de material eletrônico e de comunicação (68,4%) e metalurgia básica (70,8%).

O faturamento cresceu em três dos cinco meses apurados deste ano, mas para a área econômica da CNI, ainda não configura uma tendência de recuperação. Na comparação com maio de 2008, há uma retração de 7,7%.

Já o nível de emprego e o montante de horas trabalhadas ainda mostram decréscimo, de 0,3% e 0,5%, respectivamente.

Trata-se da sétima queda consecutiva no emprego, sem as influências sazonais. A redução, porém, perdeu ritmo, se comparada a dos meses anteriores (em média -0,9%). Em relação a maio de 2008, a queda de 4,1% é a maior desde o início da série, em 2003.

Para a CNI, o desencontro de indicadores industriais, uns mais positivos embrenhados com outros ainda negativos, torna difícil fazer previsões sobre o ritmo da recuperação da economia brasileira, na opinião do gerente-executivo de Política Econômica da CNI, Flávio Castelo Branco.

De acordo com a pesquisa Indicadores Industriais, a UCI (utilização da capacidade instalada) é o único indicador mais consistente apontando para uma recuperação econômica, diante da crise internacional que vem atingindo o Brasil desde setembro de 2008.

"Duas das importantes fontes de demanda, exportações e investimentos, ainda não mostram sinais de recuperação e a atividade industrial se ressente da ausência desses vetores. O consumo doméstico tem dado sustentação [à atividade econômica], mas por si só não é suficiente para levá-la de volta aos patamares registrados em 2008", afirma Castelo Branco.

Para ele, o "desencontro de variáveis", em que algumas dão sinais mais fortes de recuperação do que outras, era esperado e faz parte do período de transição para a recuperação da economia brasileira.

Piora ante 2008

Na comparação com o mesmo mês do ano passado, as perdas acumuladas ainda são grandes, mas menores do que as registradas em abril. O faturamento da indústria caiu 7,7%, o emprego retraiu 4,1%, e as horas trabalhadas, 8,4%.

A queda nas vendas industriais, no entanto, atingiu menos setores em maio (12) neste ano, ante maio de 2008, do que da comparação entre os meses de abril (15 setores).

No acumulado até maio ante o mesmo período de 2008, as maiores contribuições negativas por setor vieram de metalurgia básica, produtos químicos e máquinas e equipamentos.

Comentários dos leitores
Richard Adams (21) 26/11/2009 17h56
Richard Adams (21) 26/11/2009 17h56
Marcelo, concordo também com vc. Mas qdo pensamos em paises ricos, nos vem à mente normalmente USA e Zona do Euro.
Veja o que aconteceu hj com Dubai. Há outros vários.
Também acho que a palavra "quebrar"é muito forte, e de fato não deve acontecer. Aliás quem alertou sobre isso hj foi a OMC.
Tudo isso reforça o que venho escrevendo por aqui há algum tempo...tem muita gente eufórica, achando que tá tudo índo bem, que 2010 vai ser uma beleza e ao meu ver não vai ser não. Esse estória de o Brasil se achar uma ilha de prosperidade enquanto o mundo ainda estremeçe é muita arrogancia e merece cuidados extremos.
sem opinião
avalie fechar
Luiz Antonio (43) 26/11/2009 16h00
Luiz Antonio (43) 26/11/2009 16h00
Quem lê a FSP, em especial, sempre acredita que o Brasil está a véspera de quebrar, como na época do FHC (PSDB). Mas o país continua crescendo cada vêz mais e distribuindo riqueza.
Quando ao fundo de Dubai, só deslumbrado gosta daquele pedaço de deserto com uma torre espetada.
sem opinião
avalie fechar
É aí que mora o perigo! Esses ricos do petróleo, fonte que começa a "secar", não só pelo seu esgotamento em sí, mas pela urgente necessidade de mudança da matriz energética, hoje e sempre, a maior vilã contra a natureza. Esses povos, acostumaram-se a nadar nababescamente no óleo negro, que se transformou em ouro, mais pelos seus marajás das mil e uma noites, pensando que certamente isso duraria eternamente, como os seus reinados. Mas, nada é para sempre e quando começar a ruir, "sai de perto", como diz o refrão popular e esteja a mil e uma noites de distância, porque nem Alá, Maomé ou aiatolá, desatolará.
Abençoado é aquí, onde fura-se um poço e encontra-se água. Nem ouro,nem diamante, nem urânio, nem nada, nada vale. Água e oxigênio, ainda temos as maiores riquezas. De quê reclamar!
sem opinião
avalie fechar
Comente esta reportagem Veja todos os comentários (4321)
Termos e condições
 

FolhaShop

Digite produto
ou marca