Uruguai pede a Brasil que continue a comprar leite no Mercosul
da Efe, em Montevidéu
da Folha Online
O Uruguai pediu ao Brasil que continue comprando leite no Mercosul, ao invés de importá-lo dos Estados Unidos ou da Europa, disse nesta terça-feira o presidente do Instituto Nacional de Leite do Uruguai, Manuel Marrero, à agência de notícias Efe.
O jornal uruguaio "Últimas Notícias" informou hoje que o Uruguai vendia 16 mil toneladas de leite em pó ao Brasil, que agora estão sem saída. Marrero disse à Efe que "grandes quantidades de leite" ficaram presas no Uruguai, já que as vendas ao Brasil já eram automáticas e que agora o país vizinho mudou o sistema de forma unilateral.
O Brasil ofereceu em troca, na semana passada, uma quota de importação de três mil toneladas de leite em pó por mês.
O "Últimas Notícias" informou que a razão para a rejeição da proposta brasileira foi que isso significaria um retrocesso ao acordo bilateral entre os dois países e prévio à criação do Mercosul. As mudanças afetam de modo significativo o Uruguai, que exporta 60% do leite que produz.
O ministro de Pecuária do Uruguai, Ernesto Agazzi, negou ontem que os produtos lácteos exportados para o Brasil estejam sendo triangulados por terceiros como a Argentina ou oferecidos a preços subsidiados, e ressaltou que o sistema produtivo uruguaio é "eficiente".
Agazzi rejeitou também a alta da TEC (Tarifa Externa Comum) do Mercosul proposta pelo governo brasileiro, de 14% para 27%, até que não se esclareça ou solucione os impedimentos ao leite uruguaio, apesar de Marrero ter reconhecido que seria um aumento "benéfico".
Marrero declarou que o setor lácteo mundial está em um momento "muito complicado" e que, por isso, todos os blocos comerciais estão tomando medidas protecionistas.
Preço
Pesquisa do Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos) divulgada nesta terça-feira mostrou que o preço do leite UHT integral passou de R$ 1,71 em dezembro do ano passado para R$ 2,42 em junho deste ano --uma alta de 41,5%.
O pesquisador científico do IEA (Instituto de Economia Agrícola), ligado a Secretaria da Agricultura e Abastecimento de São Paulo, Éder Pinatti, disse à Folha Online que a alta se deve a fatores como o período de entressafra, associado aos problemas financeiros dos laticínios Nilza, à estiagem na região Sul do país e às chuvas no Norte, diminuiu a captação do produto e pressionou os preços, conforme o pesquisador.
Para ele ainda que o preço ao produtor ainda suba até setembro, no varejo não deve mais avançar. Nem recuar, pelo menos, nos próximos dois meses.
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