Dinheiro
09/07/2009 - 08h25

Governo veta sorteio à baixa renda no Minha Casa, Minha Vida

Publicidade

da Folha de S.Paulo, em Brasília

O governo vetou a inclusão do financiamento de lotes para famílias com renda de até seis salários mínimos no programa habitacional Minha Casa, Minha Vida.

A lei com as regras do programa foi sancionada ontem pelo presidente em exercício, José Alencar, com três vetos.

Leia a cobertura completa da crise nos EUA
Entenda a evolução da crise que atinge a economia dos EUA
Entenda como a crise financeira global afeta o Brasil

Além de excluir o financiamento com subsídio da União para produção e aquisição de lotes urbanizados sem vinculação a um projeto de construção de imóveis, o governo tirou do texto final a obrigatoriedade de realização de sorteio eletrônico público para distribuição das residências destinadas à famílias com renda mensal de até três salários mínimos.

Também ficou fora da lei a possibilidade de aplicar aos imóveis de classes média e alta situados no Distrito Federal as regras facilitadas de regularização fundiária previstas no programa.

Essas modificações haviam sido incluídas no texto original durante as discussões no Congresso Nacional. Para justificar o veto, o governo afirmou que a aquisição de lotes isoladamente não garante um dos principais objetivos do programa: a geração de emprego e renda com o aumento da demanda no setor da construção civil.

Também argumentou dificuldade em controlar a exigência que havia sido feita no texto para que a família que comprasse o lote iniciasse a construção dentro de seis meses. "O acesso aos recursos do programa deve se dar para realização de obra civil, ainda que nessa destinação esteja incluída a aquisição da terra, mas sem que haja a oportunidade de aquisição de lotes isoladamente."

O veto foi criticado por entidades do setor. O Sindicato da Habitação de São Paulo (Secovi-SP) divulgou nota afirmando que, com essa decisão, o programa torna-se "pouco eficaz para atender famílias com renda de até três mínimos". Para o vice-presidente de Desenvolvimento Urbano e Meio Ambiente da entidade, Caio Portugal, o maior gargalo do Minha Casa, Minha Vida é "a escassez de terra urbanizada e a inexistência de linhas de financiamento adequadas para investimentos em infraestrutura, produção e aquisição de novos lotes".

A decisão de vetar a distribuição das casas por meio de sorteios eletrônicos públicos também gerou polêmica. Para a oposição, esse era um instrumento que garantiria "impessoalidade na seleção" dos beneficiados e evitaria o uso eleitoreiro do programa. O governo disse que o sorteio eletrônico dificulta a "operacionalização do programa".

Em nota oficial, o líder do PSDB na Câmara, deputado José Aníbal, tratou como "inadmissível e incompreensível" o argumento do governo.

Outro veto impede que famílias das classes média e alta do Distrito Federal sejam beneficiadas pelo processo simplificado e administrativo de regularização de terras previsto no novo programa.

Para o governo, as novas regras que facilitam a regularização fundiária devem valer para áreas ocupadas por população de baixa renda, o que está "em sintonia com o princípio da igualdade" previsto na Constituição e se justifica pela renda dos beneficiados.

Comentários dos leitores
Olmir Antonio de Oliveira (34) 04/11/2009 14h17
Olmir Antonio de Oliveira (34) 04/11/2009 14h17
Crédito imobiliário, uma boa noticía. Para um deficite no país, centenas de milhares de residencias, um poder aquisitivo do trabalhador ainda pequeno, mas com sinais que apontam para melhoria. È bom sinal, é bom que as instituições divulguem suas pespectivas e ou intenções. Certo é que existe ainda enorme potencial de capacidade do setor de construção civil, ainda ocioso ou pouco aproveitado. Quanto ao trabalho no setor ainda é visto de maneira correta, existe variedade de quialificação, até faltando mais qualificação, treinamento, especialização, coisas que tem muito a ver com a cultura. Coisa habitual atitude os de outras categorias e dizerem,para irem para construção civil os sem qualificação.... meias verdades, ironias..... substimar, presumir... tem feito parte do conceitual do brasileiro..... bom ou rumi faz parte do sistema atual. Certo é que um setor enorme e pouco organizado, com sindicatos quando comparados a outras categorias, ainda pouco representativos..... Creio que com boa especialização os ganho podem ser bastante significativos, no momento especialmente para os patrões " construtores" e para o proprietário final do imóvel. O certo é que em muitos casos falta muita infraextrutura "coisa o atruição pública", para viabilizar empeendimentos..... sem opinião
avalie fechar
Manoel Francisco Pereira (66) 03/11/2009 09h00
Manoel Francisco Pereira (66) 03/11/2009 09h00
ESTE É O ESPETÁCULO DO CRESCIMENTO A QUE A MINISTRA SE REFERE, MAS SOMENTE PARA O BOLSO DOS PETISTAS OU SEJA NAS CUECAS.. VEJA A SEGUIR...A Fenae Corretora, empresa dirigida por sindicalistas da CEF (Caixa Econômica Federal), é a maior negociadora de seguros de entrega de obras do programa Minha Casa, Minha Vida, lançado pelo governo federal há sete meses, informa reportagem de Fernando Barros de Mello, publicada nesta terça-feira pela Folha (íntegra disponível para assinantes do UOL e do jornal).
Empreiteiras e corretores ouvidos pela Folha afirmam haver um monopólio informal da Fenae Corretora, que é a única a ter acordo com a Caixa para a venda do seguro-garantia do programa habitacional --um negócio de milhões de reais. A Caixa diz que o mercado é livre para quaisquer seguradoras e corretoras.
A Fenae Corretora é ligada à Fenae (Federação Nacional das Associações de Pessoal da Caixa Econômica Federal), entidade associada à CUT (Central Única dos Trabalhadores). Pedro Beneduzzi Leite, que preside a corretora e a entidade sindical, é filiado ao PT desde 1990 e já foi doador de campanhas petistas.
sem opinião
avalie fechar
Neimar Oliva (14) 15/09/2009 10h47
Neimar Oliva (14) 15/09/2009 10h47
É brincadeira! Ao invés das pessoas comemorarem a absorção plena da mão-de-obra, incentivando-se assim a formação de novos profissionais, e a valorização dos terrenos, que já acontece em outros países há décadas, gerando riquezas, vemos ressaltarem os novos problemas "bons" como daninhos. 2 opiniões
avalie fechar
Comente esta reportagem Veja todos os comentários (17)
Termos e condições
 

FolhaShop

Digite produto
ou marca