Após reunião do G8, OMC mostra otimismo com retomada da Rodada Doha
da Folha Online
com Efe
O diretor-geral da OMC (Organização Mundial do Comércio), Pascal Lamy, elogiou o compromisso assumido pelos líderes do G8 (grupo dos sete países mais industrializados e a Rússia) e os principais países emergentes de retomar as negociações da Rodada Doha de liberalização do comércio mundial até 2010. Para ele, este é um "claro passo adiante".
Em L'Aquila (Itália), os países concordaram em resistir ao protecionismo como solução para a crise econômica mundial, segundo um rascunho da declaração final. "Não tínhamos visto nunca indicações tão precisas sobre o fim das negociações", afirmou Lamy em entrevista ao jornal italiano "Corriere della Sera".
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"O G20 falava sobre fechar as negociações sobre as modalidades. Para que nos entendêssemos, esse acordo representava uma penúltima etapa. O alcançado em L'Aquila é um claro passo adiante", disse.
Na entrevista, ele destaca a importância do compromisso alcançado nesta quinta-feira pelo chamado fórum FEJ, formado pelo G8 e o G5 (Brasil, China, Índia, México e África do Sul), junto a Austrália, Coreia do Sul e Indonésia.
O diretor-geral da OMC afirmou que o avanço pode ser atribuído à "ameaça do protecionismo que todos temem". "Caso se observe o comunicado do G8, não existe nenhuma referência à data para o fechamento de Doha. Na declaração do G8 e do G5, esta sim já existe."
Lamy se declarou a favor do plano de 12 pontos adotados pelo G8 para tentar estabelecer padrões no mundo todo para a gestão da economia, que não deixem de lado o fator humano da crise.
"Todos os sistemas de governo coletivo devem se apoiar em princípios éticos e de comportamento", afirmou Lamy, que frisou que essas normas são "uma contribuição para a melhora da governabilidade global".
Meio ambiente
Entre as propostas fechadas pelo grupo está o reconhecimento da necessidade de limitar a 2ºC o aumento da temperatura do planeta em relação ao nível pré-industrial (fim do século 18).
O grupo de principais países emissores de CO2 do planeta, industrializados e em desenvolvimento dizem, em sua declaração, reconhecerem "que o aumento da temperatura média global não deve exceder os 2ºC".
Apesar das palavras contundentes, a declaração não dá indicações sobre como esse objetivo deva ser atingido, não estabelecendo qualquer meta ou compromisso conjunto nem prevendo financiamento para desenvolvimento limpo das economias mais pobres.
Os países se comprometem a "identificar um objetivo comum de redução das emissões de gases de efeito estufa até 2050", mas sem citar percentuais.
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