Dinheiro
10/07/2009 - 08h44

Poço seco pode levar governo a rever planos para o pré-sal

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PEDRO SOARES
da Folha de S.Paulo, no Rio

Tida como um bilhete premiado tirado pelo Brasil e pela Petrobras, a descoberta do pré-sal da bacia de Santos sofreu um revés nesta semana com o anúncio do consórcio liderado pela Exxon de um poço seco, o primeiro onde não foi encontrado óleo na nova e ainda promissora província petrolífera.

Para especialistas, a notícia serviu para dar um "choque de realidade" tanto no governo como na Petrobras e levará certamente a um redesenho das propostas em análise para o novo marco regulatório do setor, que estava prestes a ser anunciado.

"O furo seco mostrou que o risco do pré-sal não é zero, como apregoava o governo, que vendeu a ideia com estardalhaço de que as reservas serviriam para suprir todo o mundo de petróleo e quitar a dívida social do país. Agora, vimos que o pré-sal não é um bilhete premiado, mas também não é uma porcaria", diz Adriano Pires, da consultoria CBIE (Centro Brasileiro de Infraestrutura).

Até o insucesso de Guarani (área perfurada pela Exxon), o pré-sal era disparadamente a mais promissora região exploratória do mundo. É que havia sido encontrado óleo em todos os poços perfurados até então.

Na própria área de concessão de Guarani, o bloco BMS-22, o consórcio (que conta ainda com Amerada Hess, 40%, e Petrobras, 20%) obteve sucesso e descobriu a reserva de Azulão.

Cassino

Para David Zylbersztajn, ex-diretor-geral da ANP, o "anormal" era a taxa de sucesso de 100% do pré-sal, e não o poço seco, algo comum. O geólogo Giuseppe Bacoccoli, pesquisador da Coppe-UFRJ, diz que o índice na bacia de Santos é de 20%. Ou seja, em 80% dos poços não é achado petróleo em volumes comerciais.

"Furar e não dar nada é a vida do setor, que é um cassino, no qual o crupiê é a natureza. O pré-sal era algo espantoso, mas se viu que nem tanto como se pensava. Mas ainda é uma reserva muito importante, muito promissora", diz Zylbersztajn.

Na visão de Pires, o governo fez "um estardalhaço" em torno das descobertas do pré-sal e o mercado embarcou.

Ele cita as previsões "astronômicas" de bancos de reservas de 80 bilhões de barris e de investimentos de US$ 1 trilhão. Agora, bancos já dizem que o consórcio reduzirá investimentos de US$ 17 bilhões para US$ 5 bilhões diante do fracasso de Guarani.

Para os especialistas, porém, o setor volta à realidade, mas não deve colocar o pé no freio. "Se o governo fizer um leilão de áreas do pré-sal, será um sucesso", aposta Zylbersztajn.

Os três dizem, porém, que o poço seco --que chegou a custar US$ 200 milhões, segundo estimativas do setor-- coloca o debate em torno do novo modelo num novo patamar. Para eles, não cabe mais nem a criação de uma nova estatal --que iria administrar um volume menor de reservas diante das novas condições-- e nem o novo regime de partilha de produção.

"O argumento do governo era que o risco era zero, mas esse argumento não existe mais", afirma Bacoccoli.

Somente em perfurações, a Petrobras investiu US$ 2 bilhões e conseguiu realizar nove descobertas no pré-sal. Achou óleo em todos os poços.

A estatal pretende investir US$ 111 bilhões até 2020 no pré-sal, de onde extrairá 1,8 bilhão de barris. Existem estudos para a instalação de 10 plataformas na região.

Comentários dos leitores
Bolinha da Lulu (678) 07/11/2009 13h43
Bolinha da Lulu (678) 07/11/2009 13h43
Manchete;
"Deputados aprovam relatório do Fundo Social do pré-sal."
Já fizeram a partilha dos bens do pré-sal. É exatamente isso que me preocupa. Deram destino principal à saúde. Como se isso fosse coisa boa.
Infelizmente pouco importa quantos recursos forem dados ao sistema social brasileiro. Quando Vargas implantou o sistema, seu objetivo era financiamento de campanha gerando assim inúmeros bolsões de desvios e conchavos. De lá para cá isso só se ampliou.
Enquanto não se arrumar de forma decente todo o sistema de saúde, dificilmente ele funcionará, por mais recursos que se ponha no sistema.
Assim chegará um momento que objetivamente o sistema deixará de atender a população de uma forma geral e voltar a deficiência atual, principalmente com o PT no poder ou cuidando do sistema, pois o que parecia estar arrumado fizeram o favor de destruir.
Outra coisa que também ocorre é o desvio da verba para outros sistemas, como para saneamento como aconteceu no governo FHC, e outras áreas relacionadas, tirando recursos da saúde e falseando o objetivo da CPMF.
sem opinião
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Louis Fod (292) 05/11/2009 09h46
Louis Fod (292) 05/11/2009 09h46
Pre-Sal pré-eleitoral é só fumaça, não existe nada, a extração vai demorar décadas, trará uma gasolina cara (-5000 metros) e cheia de enxofre e custará absurdo para tratar quimicamente. Enquanto isso os carros serão todos movidos a combustíveis, chamados hoje, alternativos: metano, hidrogênio, álcool, acetileno, eletricidade... e só as latas velhas dos países muito atrasados serão a gasolina e gnv. Fora os meios de se produzir mais eletricidade com energia solar, a verdadeira fornecedora de energia. sem opinião
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Vitor Lisboa (4) 05/11/2009 02h15
Vitor Lisboa (4) 05/11/2009 02h15
Infelizmente as pessoas comentam os fatos baseados em paixões ideológicas. Quem é de esquerda é a favor, quem é de direita fica contra. Até parece que estamos tratando de futebol e não de assuntos sérios, como economia e política.
Vamos então aos fatos nus e crus, duela a quiem duela...
A PETROBRÁS NÃO É UMA EMPRESA BRASILEIRA! APENAS 30% É DO GOVERNO BRASILEIRO. OS OUTROS 70% PERTENCEM A INVESTIDORES. A MAIORIA DAS AÇÕES ESTÃO NA BOLSA DE NOVA YORK, NAS MÃOS DE GRANDES INVESTIDORES ESTRANGEIROS. OU SEJA: A PETROBRÁS É UMA MULTINACIONAL ESTRANGEIRA.
Assim, entregar o petróleo do pré-sal à Petrobrás é entregar a riqueza do povo brasileiro para investidores americanos...
Como é fácil enganar o povo. É só pôr BRAS no nome da empresa que o povo acha que a empresa pertence ao governo...
Tsc, tsc... E o povo fica sempre na mesma.
sem opinião
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