Brics deixaram de ser emergentes, diz presidente da Renault-Nissan
CIRILO JUNIOR
da Folha Online, no Rio
Os países do Bric (Brasil, Rússia, Índia e China) deixaram de ser emergentes com a crise, e já fazem parte do grupo de países mais ricos do mundo, segundo avaliação do presidente mundial da Renault-Nissan, o brasileiro Carlos Ghosn. Para o executivo, países como Irã e Indonésia é que devem ser enquadrados na categoria de países em ascensão.
"São grandes mercados [os Brics], que terão um papel muito importante na retomada do crescimento. Não são mais emergentes', afirmou, em palestra na Câmara de Comércio França-Brasil.
O Brasil deixou de ser o país do futuro, e já é uma "nação do presente", segundo o executivo. Para ele, a depressão dos mercados vem sendo sentida de forma muito leve por aqui, ao contrário dos países desenvolvidos. Ghosn lembrou que o mercado automobilístico chinês cresceu 45% este ano. Já o mercado americano teve retração de 35%.
Sobre a perspectiva futura do mercado automobilístico brasileiro, destacou que os investimentos das montadoras no país não vão parar, e que a demanda potencial é muito forte.
Ghosn disse que a crise econômica ainda terá efeito por muitos anos. Para ele, não haverá uma retomada significativa da economia mundial antes de 2011, e as gerações futuras passarão a ter hábitos diferentes, do ponto de vista econômico-financeiro, em função do atual quadro de recessão pelo qual o mundo atravessa.
O nível geral de endividamento das famílias deverá ser mais baixo, pelo menos nas próximas duas gerações, com a mudança de atitude do consumidor, na avaliação do executivo.
"A crise é uma coisa maciça que terá consequências no comportamento de uma geração que nunca viu nada parecido. Isso resultará numa transformação de hábitos e do próprio sistema financeiro", observou.
Crédito
O setor automobilístico foi um dos primeiros a sentir os efeitos da crise, em função da forte dependência do crédito, disse Ghosn. Para ele, as empresas têm que pensar em agir rapidamente, para estarem preparadas para enfrentar o cenário pós-crise.
"Não dá para pensar depois. É preciso fazer cortes numa situação dessas, mas ao mesmo tempo, tem que escolher como olhar para frente, focando um determinado produto e uma região de atuação, por exemplo. Quem fizer as escolhas certas, vai ficar no futuro", afirmou.
Ghosn ressaltou que a crise abre portas para novas oportunidades, e citou o carro elétrico como uma delas. O executivo informou que a Renault-Nissan está acelerando o projeto, à medida em que corta outras medidas anteriormente definidas.
Ele citou o fato de o governo americano estar incentivando a fabricação do carro elétrico como um exemplo de porta que se abre em meio à crise. Ghosn acentuou que antes da turbulência financeira, uma atitude como esta era praticamente impensável.
"Um dos pontos positivos da crise é a aproximação entre os governos e os meios empresariais. Todos estão tentando entender o que está acontecendo. É uma coisa boa que vai sair da crise e vai permanecer, comentou.
Leia mais notícias sobre a economia brasileira
- Renault-Nissan planeja carros específicos para mercado brasileiro
- Trabalho formal cresce em junho e semestre deve somar 316 mil novas vagas
- Lula diz que GM mostra que filiais estão melhor do que suas matrizes
Outras notícias sobre economia em Dinheiro
- Economia da América Latina terá contração 1,9% em 2009, diz Cepal
- Demanda das empresas por crédito desacelera em junho, diz Serasa
- Centro de estágios tem 12 mil vagas para o segundo semestre
Especial
- Veja o que já foi publicado sobre a Renault-Nissan
- Leia a cobertura completa da crise financeira global
- Navegue no melhor roteiro de cultura e diversão da internet
Livraria


Antes da oposição jogar pedra olhem para seus telhados!
avalie fechar
COMO DIRIAM: O TEMPO SERÁ O SENHOR DA RAZÃO
avalie fechar
avalie fechar