Mercado de trabalho consolida recuperação para 2º semestre, diz Lupi
CIRILO JUNIOR
da Folha Online, no Rio
O ministro Carlos Lupi (Trabalho) disse nesta sexta-feira que o mercado de trabalho já consolidou sua recuperação e que não há hipótese de a criação de empregos formais ser negativa, ao final do segundo semestre.
Ele acrescentou que a perspectiva em relação a julho é superior a junho, mês no qual os dados do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) indicaram a criação de 119.495 vagas no mercado formal.
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"Vamos ter um segundo semestre diferente. Começamos janeiro perdendo 100 mil postos. Não há hipótese de se ter saldo negativo neste segundo semestre. Então, isso inverte o processo. Acredito na criação de 1 milhão de empregos em 2009", afirmou Lupi, em entrevista coletiva, no Rio.
A boa perspectiva do ministro em relação ao mercado de trabalho na segunda metade de 2009 é fundamentada, segundo Lupi, nos indicadores econômicos ao redor do mundo, e principalmente, nos relativos ao mercado interno.
"Todos os resultados internacionais começam a ficar positivos, as indústrias do mundo começam a ser recuperar, o mercado interno continua forte, e minha opinião é que o PIB [Produto Interno Bruto] vai crescer 2%, e muitos já dizem que será positivo mesmo."
Protecionismo
Lupi evitou polemizar em relação à reclamação da indústria de calçados sobre a concorrência desleal de produtos chineses, fato que estaria gerando perda de postos de trabalho no setor. O ministro mostrou-se contrário à criação de barreiras protecionistas contra os calçados chineses.
"Temos que tomar cuidado porque a China é o maior comprador do Brasil, e recentemente ultrapassou até os Estados Unidos. Então, qualquer política de protecionismo para nós, significa uma retaliação de protecionismo chinês para outros produtos brasileiros. Então, tem que tomar muito cuidado para não matar nossa galinha dos ovos de ouro", observou Lupi.
Ainda segundo o ministro, o calçado brasileiro vem ganhando grande competitividade no exterior, em importantes centros consumidores de produtos de qualidade.
"O calçado da China entra mais em áreas populares, em áreas com menor poder aquisitivo. Daí nossa dificuldade em concorrer, porque praticamente não existe legislação trabalhista na China. O custo lá é infinitamente menor do que no Brasil", comentou.
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