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Dinheiro
25/07/2009 - 12h07

Montadoras aceleram produção, mas não o suficiente para reverter demissões

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FÁBIO AMATO
DIMITRI DO VALLE
da Agência Folha, em São José dos Campos e Curitiba

A demanda crescente por automóveis e comerciais leves, estimulada pela redução do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados), levou algumas montadoras de veículos e fornecedoras de autopeças a acelerar a produção no país.

Esse aumento nas vendas ainda não foi suficiente para reverter as demissões que atingem o setor automotivo desde o agravamento da crise. Mas o número de horas extras feitas pelos funcionários em parte das fábricas aumentou, segundo sindicatos de metalúrgicos.

Na fábrica da GM em São Caetano do Sul (SP), a jornada semanal de trabalho dos funcionários, que já tinha subido para 43 horas em julho, vai ser elevada para 45 horas em agosto, disse o Sindicato dos Metalúrgicos. A jornada normal na planta é de 40 horas semanais.

Jorge Araujo/Folha Imagem
Funcionário na linha de montagem da General Motors em São Caetano.
Funcionário na linha de montagem da General Motors em São Caetano.

Para atender ao crescimento das vendas, os empregados da unidade também vão trabalhar dois sábados de agosto. As horas extras vão ser deduzidas do banco de horas dos funcionários, que está negativo por conta das férias coletivas e paralisações do final do ano passado, reflexo da crise mundial.

No início do ano, a GM desativou o terceiro turno de produção na fábrica de São Caetano. Com a medida, cerca de 1.600 funcionários contratados por prazo determinado perderam o emprego. Agora, com o reaquecimento da produção, a empresa vai contratar 50 pessoas, disse o sindicato.

"O que eles [direção da GM] nos falam é que, por enquanto, a volta do terceiro turno está descartada. A alegação deles é que não sabem até quando vai essa demanda, porque no Brasil as coisas são muito vulneráveis", disse o vice-presidente do sindicato de São Caetano do Sul, Francisco Nunes.

Por meio de sua assessoria de imprensa, a GM informou que não comentaria o assunto.

Desde outubro de 2008, as montadoras demitiram 8.000 pessoas no país. As empresas (incluindo fabricantes de caminhões e ônibus) reuniam 113,1 mil trabalhadores em outubro de 2008. Em junho de 2009, este número estava em 105,1 mil.

Na fábrica da Volkswagen em Taubaté (SP), os funcionários só vão ter mais oito sábados de folga neste ano. Nos outros 15, vão fazer hora extra para dar conta da demanda pelos veículos da marca. A jornada normal dos 5.100 empregados, em três turnos, é de segunda a sexta.

Em nota, a montadora disse que "todas as horas extras são negociadas com o sindicato" e que foram feitas contratações nas fábricas de Taubaté (110) e São Bernardo do Campo (200).

A VW também declarou que "não teve redução de quadros por conta da crise." Entretanto, a unidade de Taubaté perdeu pelo menos 270 funcionários no início do ano --160 em um PDV e 110 contratados por prazo determinado que não tiveram seus contratos renovados.

Em Betim (MG), a direção do Sindicato dos Metalúrgicos pediu a intervenção do MPT (Ministério Público do Trabalho) para investigar denúncias de sobrecarga de trabalho na fábrica da Fiat e cadeia de fornecedores. O presidente do sindicato, Marcelino da Rocha, disse que desde abril a Fiat vem convocando funcionários para trabalhar também aos sábados.

"Se, por um lado, o trabalhador ganha mais dinheiro, por outro tememos o aumento de doenças do trabalho", disse Rocha. Ele afirmou que houve no setor automotivo mineiro cerca de 6.000 demissões entre outubro de 2008 e março deste ano. Quem ficou, disse, cumpre tarefas que poderiam ser divididas com mais funcionários.

Por meio de sua assessoria, a Fiat negou extrapolar a legislação. "A jornada de trabalho na Fiat, com ou sem hora extra, segue sendo feita dentro da lei. Não há irregularidade."

Comentários dos leitores
jose valias (360) 16/12/2009 16h27
jose valias (360) 16/12/2009 16h27
Sr. Celso Assis, concordo plenamente com sua posição. Não sou partidário de ninguem, apenas acho que radicalismo é cégo. Ninguem é dono da verdade e cada um vê sob determinado angulo. Respeitemo-nos. Obrigado. sem opinião
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Rui Ruz Caputi Caputi (1790) 16/12/2009 13h59
Rui Ruz Caputi Caputi (1790) 16/12/2009 13h59
Algumas pessoas confundem endividamento com enriquecimento.
Um colega de trabalho outro dia estava rejubilante e feliz dizendo-se rico,. Pois que comprou um carro zero. Porém esqueçe-se que o financiamento não é uma poupança é um endividamento. Se voce não paga 3 meses eles movem ação e lhe tiram o bem por busca e apreensão.
Uma pessoa só pode se julgar próspera quando tem poupança em dinheiro, em imóveis, aluguéis, dinheiro aplicado.
A simples aquisição de um bem de consumo não representa a prosperidade, uma vez que este bem ainda não te pertence integralmente, voce dividi a propriedade do mesmo com quem lhe empresta o dinheiro. E aqui em nosso Brasil o juro exorbitante faz com que ao adquirir um automóvel, o pobre financiado paga sempre dois ou dois e meio.
Se compararmos com as nações desenvolvidas a juros de 0,25% vamos ver quão bobinhos e tolos somos. E sabem por que os juros não abaixam? por causa da divida publica, do quando gasta o nosso governo. E jogam essas contas em nossas costas, míseros e desprotegidos contribuintes.
sem opinião
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Edilson Dias (1) 15/12/2009 23h15
Edilson Dias (1) 15/12/2009 23h15
A notícia da liberação do FGTS para quitação de consórcios é muito bem vinda, só gostaria que alguém q certamente usará isso como trunfo de campanha em breve colocasse o belo rostinho na TV ou nos jornais e explicasse a singela taxa de mil reais cobrados para que eu pudesse utilizar o meu FGTS como lance no ano passado. Será que a mísera taxa ainda será cobrada nas quitações de consórcios. Isso não aparece nas propagandas de TV e jornais que incentivam o uso do saldo no FGTS para a compra da casa própria. sem opinião
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