Telefonia tem mais jovens e mulheres após privativação, mas menos vagas
Colaboração para a Folha Online
A privatização das telecomunicações, concretizada a partir de 1997, mudou o perfil dos trabalhadores deste mercado, como o aumento da presença de mulheres e de jovens nas empresas de telefonia.
De acordo com dados do estudo "O emprego no setor de telecomunicações 10 anos após a privatização", elaborado pelo Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócioeconômicos), entre 1997 e 2007 a participação de jovens com até 24 anos cresceu 13 pontos percentuais, passando de 10,8% para 23,8%.
No mesmo intervalo, aumentou também a participação dos empregados com faixa etária entre 25 e 29 anos, de 11,6% para 24,6%. A participação feminina, que era de 34,7% em 1997, também cresceu, e ficou em 41,1% em 2005 (ano em que houve mudança na Classificação Nacional de Atividades Econômicas). Já considerando dados de 2007, 63% dos postos de trabalho formais eram ocupados por homens, ao passo que as mulheres respondiam por 37% dos empregos.
Escolaridade
No que diz respeito à escolaridade, o número de empregados com o ensino superior completo subiu de 19,8% em 1997 para 35,2% oito anos depois, "refletindo também a elevação do número de anos de estudo da população do país", ressalta o levantamento.
Por outro lado, a quantidade de empregos formais no setor caiu de 128,5 em 1994 para 118,1 mil em 2005. A remuneração média também se reduziu, em termos reais, no intervalo pesquisado. A remuneração média, que estava próxima dos R$ 3.100 mensais nos primeiros anos, caiu para R$ 2.600 ao mês no biênio 2004-2005, em valores corrigidos para os preços de dezembro de 2007.
O estudo apontou também desigualdade salarial no setor de telecomunicações. Em 2007 as mulheres ganhavam aproximadamente 70% do rendimento médio auferido pelos homens.
De acordo com o Dieese, os trabalhadores mais jovens tendem a receber rendimentos inferiores aos dos mais experientes. Empregados pertencentes à faixa etária que vai de 40 a 49 anos, por exemplo, recebem quase quatro vezes mais do que aqueles que possuem entre 18 e 24 anos de idade.
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