PF prende 20 por contrabando e fraudes chegam a R$ 100 milhões
BRUNO DE VIZIA
colaboração para a Folha Online
A Polícia Federal em São Paulo, com apoio da Receita Federal, deflagrou nesta quarta-feira uma operação em quatro Estados para combater o contrabando, a corrupção e a criação de importadoras de fachada. As fraudes e impostos sonegados podem somar R$ 100 milhões, segundo estimaiva da PF.
A Operação Ártico prendeu 20 suspeitos (cinco estão foragidos) e cumpriu 56 mandados de busca e apreensão em 16 cidades diferentes nos Estados de São Paulo, Rondônia, Espírito Santo e Mato Grosso. Há cinco foragidos.
A PF informou que as investigações começaram em 2006 e as perdas foram estimadas considerando esse período.
Entre os presos há quatro auditores fiscais da Receita, dois de São Paulo e dois de Rondônia.
As propinas cobradas por eles para liberar mercadoria ilegal no Porto de santos variam de R$ 1.000 a US$ 40 mil por conteiner, segundo a PF.
A PF informou ainda que o esquema era parecido com duas operações anteriores, Porto Europa, envolvendo as lojas de Tânia Bulhões, e Narciso, que teve como alvo a Daslu.
Segundo a PF, o grupo contrabandeava mercadorias mediante a criação de importadoras de fachada, com a conivência de auditores-fiscais, que recebem propina para registrar essas empresas nos sistemas de controle do Comércio Exterior da Receita Federal.
O esquema envolvia pessoas físicas e jurídicas. As empresas, segundo a PF, eram divididas em "ostensivas" --criadas para justificar a ocupação e a renda dos criminosos-- e "dissimuladas" --abertas em nome de "laranjas", subdividindo-se em empresas de fachada, de aluguel e fantasmas, estas utilizadas para contrabandear mercadorias, sonegando os tributos incidentes sobre as transações, num esquema de lavagem de dinheiro.
A polícia informou ainda que o grupo contava com células e que era bem organizado, com uma relação de simbiose, apresentando zonas de intersecção e interesses comuns.
Entre os envolvidos, os chamados facilitadores, especializados em montar empresas de fachada e abrir contas bancárias, que são vendidas ou alugadas às outras células para a prática de crimes, sobretudo lavagem de dinheiro e interposição fraudulenta em importações.
Para abrir as empresas, os facilitadores contam com o apoio de auditores-fiscais da Receita Federal, que compõem um núcleo independente.
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