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Dinheiro
16/08/2009 - 11h53

Corte de IPI ajuda matriz de montadoras

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JULIO WIZIACK
TONI SCIARRETTA
da Folha de S.Paulo

As remessas de lucros das montadoras no Brasil explodiram desde o agravamento da crise global, a partir de setembro. Enquanto as vendas no hemisfério Norte despencaram, no Brasil o setor manteve desempenho vigoroso, ajudado pela redução do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados). Assim, parte do estímulo fiscal do governo ao setor acabou sendo repassada ao caixa das matrizes das montadoras.

Líderes no envio de remessa de lucros e dividendos, segundo dados do Banco Central, as montadoras instaladas no Brasil destinaram US$ 2,850 bilhões às suas matrizes de setembro até o fim de 2008, mesmo com o câmbio desfavorável para essa operação.

Com a redução do IPI, iniciada em dezembro do ano passado e prorrogada até setembro, o governo estima já ter deixado de arrecadar entre R$ 1,3 bilhão e R$ 2,5 bilhões. Para André Sacconato, analista da Tendências, independentemente do valor da renúncia, boa parte desses recursos já virou dividendo remetido ao exterior.

"É o que chamamos de exportação de política fiscal", diz Sacconato. "O governo acabou ajudando as matrizes dessas montadoras a fazer caixa. A teoria econômica condena totalmente esse tipo de prática porque isso significa transferência de renda."

Essa ajuda no fim do ano passado, momento mais agudo da crise no exterior, apertou o caixa das montadoras brasileiras -obrigadas por isso a mandarem menos divisas no primeiro semestre deste ano. Entre janeiro e junho, foram US$ 793 milhões, valor que só perde para o do setor financeiro, que também esteve no epicentro da crise e que mandou US$ 1,487 bilhão. Procurada pela Folha, a Anfavea, a associação que representa as montadoras, não quis comentar o assunto.

A hora certa

O envio de divisas é feito pela área de câmbio de bancos estrangeiros no Brasil. Essas instituições gerenciam o caixa das empresas, no Brasil e na matriz. Também levam em conta o momento ideal para converter reais em dólares.

No início de dezembro, o dólar chegou a R$ 2,536, cotação desfavorável às remessas porque reduziria o lucro auferido em reais. A volta do dólar para R$ 1,80 favorece novamente os envios. A expectativa é que o dólar baixe para R$ 1,75 até o fim deste ano, incentivando as remessas no segundo semestre.

Maria Eugenia Lopez, responsável por multinacionais pelo Santander, diz que o mercado de remessas está 40% acima de seu ritmo normal. "A crise foi muito mais forte em outros mercados e isso deu mais importância ao resultado das subsidiárias no Brasil", diz. "Cada vez mais a contribuição da subsidiária [envio de remessas] ganha destaque."

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Pedro Lorenzini, diretor de tesouraria do Citibank, diz que a maioria das filiais de grande porte de multinacionais costuma fazer hedge [proteção] para ficarem imunes à variação cambial. Assim, elas conseguem cumprir o cronograma de remessas da matriz.

Boa parte dos envios ocorre no primeiro trimestre. Com a crise, porém, diversas empresas adiantaram a remessa para o final de 2008, mesmo com o câmbio desfavorável.

Isso ocorreu em diversos setores: petróleo e gás, telecomunicações, indústria química, comércio, papel e celulose, entre outros. No setor alimentício, as remessas cresceram 700%, saindo de US$ 125 milhões, em junho de 2008, para US$ 1 bilhão, em dezembro.

Comentários dos leitores
Marcio Marques Alves (36) 26/11/2009 22h06
Marcio Marques Alves (36) 26/11/2009 22h06
Mesmo com aquecimento global, Conferência do clima em Copenhague e tudo, o setor petrolífero e automotivo voltam à todo vapor com pesados investimentos. Como se não bastasse o egocentrismo da emergente classe média em não abrir mão de um "direito" à propriedade de um veículo, não se importando com as consequências no trânsito. Mesmo com pesados investimentos em transporte público, o argumento é que ele ainda continua precário.
"Dane-se" o meio ambiente, "eu quero é ter meu carro". Ninguém admite, mas esse parece ser o argumento dissimulado de quem não tem tempo para a questão ambiental. Há e os empregos e os e salários dos operários dessas fábricas? Pois é! "Problema dos sindicatos"! É assim que esperamos ser a próxima potência mundial, sendo cada vez mais egoístas, individualistas e sem consiência ambiental. Que o diga o governador do Rio de Janeiro, não quer nem pensar em dividir os royalties de petróleo com o resto do país. É por isso que os traficantes reinam e dominam tudo por lá, já que o dinheiro desses royalties ,nunca chegam nas populações pobres, vítimas do tráfico e das milícias.
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Leandro Morales (3) 26/11/2009 20h21
Leandro Morales (3) 26/11/2009 20h21
Vamos ver se desta vez eles efetivam os terceiros residentes, uma vergonha ter mais de 4 mil terceiros da planta Anchieta para obter o mesmo produto final e pagando salários abaixo da média para eles... sem opinião
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Olmir Antonio de Oliveira (58) 19/11/2009 22h10
Olmir Antonio de Oliveira (58) 19/11/2009 22h10
A respeito do setor de autopeças. Creio que dada as isenções de ipi aos automoveis, faltou dar uma salvaguarda para incrementar, prestigiar o produtor de autopeças aqui radicados, inclusive poderia auxiliar a players internacionais para produzirem aqui, inclusive para exportações em futuro ser atual crise vividas em diversos paises. (por conceito sou favoravel ao livre mercado e livre iniciativa, a desoneração de impostos e ou entraves burocraticos, mas eventualmente o mercado e o país deve dar certa salvaguarda, mas sempre por periodo menor possivel).
Pontualmente existe setores que sentem dificulades.....Exemplifico o pleito do setor moveleiro que reivindica redução de ipi por 6 meses, acredito na legitimidade da reivindicação. Mas para este caso deveria focar o incentivo ao uso mais intensivo de componentes advindos de reflorestamentos.
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