Programa da casa própria atrasa mais na baixa renda
da Folha Online
Atualizado às 2h29
Após cinco meses, o governo só conseguiu iniciar as obras de 36,6 mil casas --3,7% do total de 1 milhão de imóveis prometidos pelo presidente Lula no programa MCMV (Minha Casa, Minha Vida), informam Sheila D'Amorim, Ranier Bragon e Verena Fornetti na edição da Folha deste domingo, que já está nas bancas. Íntegra disponível para assinantes da Folha e do UOL.
Programa inflaciona terreno e escasseia mão de obra
Caixa empresta mais com recurso da poupança do que com FGTS
Obras do Minha Casa Minha Vida devem crescer até o 1º semestre
De acordo com empresários do setor, o programa tem dificuldade para chegar à população mais pobre, alvo de 40% do MCMV. Essas casas são voltadas para famílias que ganham até três salários mínimos mensais (R$ 1.395) e serão integralmente subsidiadas pelo Tesouro Nacional.
A reportagem informa que o governo não conseguiu até agora registrar o programa no Orçamento. Por isso, as obras estão sendo financiadas com o dinheiro do FGTS e do FAR (Fundo de Arrendamento Residencial). O governo diz que esses fundos serão ressarcidos quando sair a nova regulamentação do programa residencial.
A reportagem também ouviu empresários que reclamam do valor estipulado pela Caixa para os terrenos. Também criticam a demora da Caixa na análise dos projetos.
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Empreiteiras e corretores ouvidos pela Folha afirmam haver um monopólio informal da Fenae Corretora, que é a única a ter acordo com a Caixa para a venda do seguro-garantia do programa habitacional --um negócio de milhões de reais. A Caixa diz que o mercado é livre para quaisquer seguradoras e corretoras.
A Fenae Corretora é ligada à Fenae (Federação Nacional das Associações de Pessoal da Caixa Econômica Federal), entidade associada à CUT (Central Única dos Trabalhadores). Pedro Beneduzzi Leite, que preside a corretora e a entidade sindical, é filiado ao PT desde 1990 e já foi doador de campanhas petistas.
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