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Dinheiro
30/08/2009 - 10h23

Programa habitacional inflaciona terreno e escasseia mão de obra

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SHEILA D'AMORIM
da Folha de S.Paulo, em Brasília
VERENA FORNETTI
da Folha de S.Paulo

O anúncio de que o governo irá construir 1 milhão de casas para famílias que ganham até R$ 4.650 aqueceu o mercado imobiliário e fez subir o preço de imóveis e de terrenos destinados a empreendimentos para baixa renda. Com isso, a especulação imobiliária está consumindo boa parte do subsídio que será dado pelo governo.

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Fenômeno que afetava inicialmente apenas os grandes centros urbanos, a alta dos preços nesse setor já atinge também cidades menores, do interior de São Paulo e arredores de Brasília. Pelo programa, fora os empreendimentos bancados integralmente pela União, há subsídios que variam entre R$ 23 mil e R$ 2.000, dependendo da renda e da cidade onde o imóvel será construído.

Em Valparaíso, município goiano de 123 mil habitantes no entorno do Distrito Federal, áreas disponíveis para construção se tornaram raridade nos últimos meses. O resultado, diz Nixon Gutemberg, delegado do Creci (Conselho Regional de Corretores de Imóveis) da região e dono de uma imobiliária na cidade, é que um terreno que ele comprou no final do ano passado por R$ 17 mil e onde podem ser construídas duas casas populares foi vendido recentemente por R$ 35 mil. Aumento de 106%.

Outro lote com as mesmas características que estava anunciado por R$ 21 mil em janeiro chegou a R$ 35 mil após o lançamento do programa Minha Casa, Minha Vida. "Se eu tivesse cem terrenos hoje, venderia todos, porque a demanda aumentou em função do incentivo do governo para atender a baixa renda", afirma Gutemberg, ressaltando que está à procura de lotes.

Em Campinas (a 93 quilômetros de São Paulo), Paulo Roberto Júlio, proprietário de imobiliária, conta que a maior procura por imóveis na faixa de R$ 80 mil a R$ 120 mil fez subir os preços das propriedades. "A dificuldade é que não temos muitos imóveis para trabalhar nesse patamar."

De acordo com ele, desde o início do ano houve um aumento de, no mínimo, 10% no preço. "Infelizmente não tem tanta mercadoria."

Transferência do subsídio

Presidente da Aneac (Associação Nacional dos Engenheiros e Arquitetos da Caixa Econômica Federal), Luiz Guilherme Zigmantas afirma que "o risco de o subsídio do governo se transferir para o dono dos terrenos com o aumento dos preços é grande".

Com isso, os parâmetros de valores registrados pela Caixa nas suas análises acabam acompanhando a alta. Zigmantas afirmou que, a partir do momento em que o governo fixou tetos para os imóveis, as unidades de valor mais baixo desapareceram do mercado.

Para a secretária nacional de Habitação do Ministério das Cidades, Inês Magalhães, as prefeituras têm um papel importante para regular o uso do solo e estabelecer áreas de interesse social. Caso contrário, diz, valerão as regras de mercado. "É do capitalismo."

Material e mão de obra

Além dos imóveis, o custo da mão de obra está em alta. Antonio de Souza Ramalho, presidente do Sindicato da Construção Civil de São Paulo, diz que faltam profissionais. "Temos mais de 5.000 pedidos e não achamos gente para trabalhar." Com isso, quem trabalha por conta própria aproveita para subir o seu preço.

Já o preço do material de construção está em queda, segundo Salomão Quadros, coordenador de Análises Econômicas do Ibre-FGV (Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas). A queda da cotação do dólar explica parte da redução, porque muitos itens têm componentes importados. "A queda do dólar, que já recuou 20% neste ano, segurou os preços."

Arte/Folha
Comentários dos leitores
Olmir Antonio de Oliveira (34) 04/11/2009 14h17
Olmir Antonio de Oliveira (34) 04/11/2009 14h17
Crédito imobiliário, uma boa noticía. Para um deficite no país, centenas de milhares de residencias, um poder aquisitivo do trabalhador ainda pequeno, mas com sinais que apontam para melhoria. È bom sinal, é bom que as instituições divulguem suas pespectivas e ou intenções. Certo é que existe ainda enorme potencial de capacidade do setor de construção civil, ainda ocioso ou pouco aproveitado. Quanto ao trabalho no setor ainda é visto de maneira correta, existe variedade de quialificação, até faltando mais qualificação, treinamento, especialização, coisas que tem muito a ver com a cultura. Coisa habitual atitude os de outras categorias e dizerem,para irem para construção civil os sem qualificação.... meias verdades, ironias..... substimar, presumir... tem feito parte do conceitual do brasileiro..... bom ou rumi faz parte do sistema atual. Certo é que um setor enorme e pouco organizado, com sindicatos quando comparados a outras categorias, ainda pouco representativos..... Creio que com boa especialização os ganho podem ser bastante significativos, no momento especialmente para os patrões " construtores" e para o proprietário final do imóvel. O certo é que em muitos casos falta muita infraextrutura "coisa o atruição pública", para viabilizar empeendimentos..... sem opinião
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Manoel Francisco Pereira (66) 03/11/2009 09h00
Manoel Francisco Pereira (66) 03/11/2009 09h00
ESTE É O ESPETÁCULO DO CRESCIMENTO A QUE A MINISTRA SE REFERE, MAS SOMENTE PARA O BOLSO DOS PETISTAS OU SEJA NAS CUECAS.. VEJA A SEGUIR...A Fenae Corretora, empresa dirigida por sindicalistas da CEF (Caixa Econômica Federal), é a maior negociadora de seguros de entrega de obras do programa Minha Casa, Minha Vida, lançado pelo governo federal há sete meses, informa reportagem de Fernando Barros de Mello, publicada nesta terça-feira pela Folha (íntegra disponível para assinantes do UOL e do jornal).
Empreiteiras e corretores ouvidos pela Folha afirmam haver um monopólio informal da Fenae Corretora, que é a única a ter acordo com a Caixa para a venda do seguro-garantia do programa habitacional --um negócio de milhões de reais. A Caixa diz que o mercado é livre para quaisquer seguradoras e corretoras.
A Fenae Corretora é ligada à Fenae (Federação Nacional das Associações de Pessoal da Caixa Econômica Federal), entidade associada à CUT (Central Única dos Trabalhadores). Pedro Beneduzzi Leite, que preside a corretora e a entidade sindical, é filiado ao PT desde 1990 e já foi doador de campanhas petistas.
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Neimar Oliva (14) 15/09/2009 10h47
Neimar Oliva (14) 15/09/2009 10h47
É brincadeira! Ao invés das pessoas comemorarem a absorção plena da mão-de-obra, incentivando-se assim a formação de novos profissionais, e a valorização dos terrenos, que já acontece em outros países há décadas, gerando riquezas, vemos ressaltarem os novos problemas "bons" como daninhos. 2 opiniões
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