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Só metade dos recalls de veículos têm resposta satisfatória, diz governo
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GIULIANA VALLONE
da Folha Online
Apenas 50% dos recalls de veículos convocados no Brasil nos últimos nove anos tiveram alto índice de comparecimento, segundo dados do DPDC (Departamento de Proteção e Defesa do Consumidor) obtidos pela Folha Online.
De acordo com os números, dos 252 recalls dos quais o órgão do Ministério da Justiça recebeu relatório de atendimento, cerca de metade teve comparecimento acima de 70%. Considerando os recalls de motocicletas, o índice é de 52%.
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"Muitas vezes o consumidor não atende às convocações", afirma Carlos Nahas, do Procon-SP, citando como um dos motivos a falta de uma concessionária na cidade em que o proprietário reside.
As montadoras de veículos costumam convocar recalls apenas quando há um problema que represente risco à segurança dos proprietários. Do contrário, elas esperam que o consumidor procure as concessionárias para resolver o problema.
O baixo índice de comparecimento, portanto, significa que muitos proprietários podem correr risco ao continuarem dirigindo veículos com problemas. No mês passado, por exemplo, Peugeot e Citroën anunciaram um recall para corrigir um problema que poderia ocasionar no travamento do pedal do freio, o que poderia gerar acidentes.
"Os consumidores devem atender ao chamamento justamente para que seja consertado aquele defeito, para proteger sua integridade física e a de terceiros", afirma Nahas. Além disso, ele ressalta que o comparecimento dos consumidores faz com que as empresas tenham que arcar com o ônus de sanar o problema.
Só neste ano, segundo o DPDC, já foram convocados 31 recalls de veículos. O número é o maior desde 2002, quando aconteceram 32 chamados. Entre as montadoras que chamaram recalls neste ano estão Ford, Volkswagen, Peugeot Citröen e Audi.
Leis
Um outro problema é que não há, no país, nenhuma regra que trate de recalls na hora de fazer a venda dos veículos. Ou seja, se o proprietário não comparecer à convocação e revender o carro, o comprador pode ser afetado pelo defeito.
Nahas explica que, pelas regras vigentes hoje, a responsabilidade é apenas das montadoras e concessionárias. "A concessionária deve ter isso [o aviso de recall] no seu banco de dados e tem de fazer a troca quando o carro é vendido. Se não fizer, está sendo omissa", diz.
"Mesmo que a pessoa não tenha ido ao recall por vontade própria, a responsável é a montadora. O carro não deveria ter saído com defeito da fábrica", completa.
Prazo
É importante ressaltar aos consumidores que os recalls não tem prazo de cumprimento. A partir do momento em que é anunciado, as montadoras devem ficar a disposição do consumidor para realizar as trocas de peças a qualquer momento.
Ônus
A realização de recalls gera custos tanto para as montadoras, que terão de arcar com as despesas das peças trocadas e da mão-de-obra, quanto para os consumidores --que gastam tempo, e algumas vezes dinheiro, para levar o veículo às concessionárias.
Uma das formas de diminuir essas convocações seria o investimento em engenharia de confiabilidade, uma análise de dados gerados em bancadas de teste ou pelo histórico de garantia que mostra às empresas se o produto fabricado está de acordo ou não com os padrões almejados.
Claudio Spanó, diretor da ReliaSoft, empresa líder em treinamento, consultoria e desenvolvimento de softwares para o setor, afirma que "a falta de uma metodologia somada a ferramentas de análise pouco eficazes têm contribuído para aumentar os custos relacionados a falhas no veículo no país, ainda no período da garantia".
Segundo ele, o investimento em confiabilidade ainda é muito fraco no Brasil. De janeiro a agosto deste ano, o setor de produtos dos Estados Unidos investiu 40 vezes mais em engenharia da confiabilidade do que as empresas no Brasil, mostram dados da companhia.
Com as análises, as empresas têm a possibilidade de saber qual a possibilidade de o produto produzido por elas quebrar na próxima hora, em um mês, em um ano, ou em cinco anos. No Brasil, são clientes da ReliaSoft as montadoras Mercedes, Scania e Volvo, além de companhias em outros setores, como Vale, Petrobras e Votorantim.
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