Dinheiro
12/10/2009 - 11h01

Preços dos alimentos devem continuar altos e instáveis, diz ONU

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da Reuters, em Roma
da Folha Online

Os preços dos alimentos no mercado mundial devem continuar altos e instáveis no médio prazo, e uma repetição do ocorrido entre 2007 e 2008, quando atingiram um pico, é uma possibilidade realista, segundo relatório da FAO (Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação, na sigla em inglês) divulgado nesta segunda-feira.

Entre 2006 e 2008, segundo a organização, os preços de alimentos básicos subiram cerca de 60%, enquanto os preços dos grãos chegaram a dobrar. Em meados do ano passado, os preços dos alimentos nos mercados internacionais atingiram seu maior patamar em quase 30 anos, o que provocou revoltas e tumultos em alguns dos países mais pobres.

Embora tenham registrado um retrocesso, os preços continuam altos e não devem cair para os níveis vistos em 2006, diz o documento, publicado por ocasião de um fórum em Roma, que ocorre entre hoje e amanhã (13), com cerca de 300 especialistas em agricultura e desenvolvimento.

"As projeções disponíveis de médio e longo prazos (...) indicam que os preços podem ficar acima dos níveis anteriores a 2006 ao menos no médio prazo", diz o texto. Itens como trigo, arroz, oleaginosas e açúcar refinado podem ficar acima desse patamar até 2018.

A alta de preços como a que se viu entre 2007 e 2008 é, segundo a FAO, uma "possibilidade realista" e, segundo o especialista e painelista do fórum Homi Kharas, da Brookings Institution, é "quase inevitável". Segundo ele, os fatores que causaram a disparada de preços --como secas, preços instáveis da energia, o câmbio volátil do dólar e a especulação-- podem afetar os preços de novo.

US$ 83 bi

Na semana passada, a FAO informou que os países em desenvolvimento precisam de investimento líquido de US$ 83 bilhões por ano na agricultura para garantir alimentos para 9,1 bilhões de pessoas em 2050.

No documento, a FAO afirma que é necessário aumentar os investimentos em agricultura em cerca de 50%. Entre os setores que requerem investimentos estão o de agricultura e pecuária, além dos serviços de apoio, como os de refrigeração, armazenamento e os mercados.

A projeção dos investimentos anuais necessárias até 2050 inclui US$ 20 bilhões para a produção agrícola e US$ 13 bilhões para a pecuária, segundo o documento da FAO. Além disso, serão necessários outros US$ 50 bilhões anuais para os serviços associados, que permitirão um aumento de 70% na produção alimentícia no mundo em 2050.

A maior parte destes investimentos, tanto em agricultura básica como em serviços associados, "procederá de investidores privados, incluindo os camponeses que compram maquinário agrícola e empresas que investem em instalações", acrescenta a organização.

Comentários dos leitores
Sebastião Vicentim (45) 16/11/2009 16h18
Sebastião Vicentim (45) 16/11/2009 16h18
Muito alarido, pelo diretor da FAO. ele está fazendo o seu papel. Agora... previsão para 2050 (daqui 40 anos). Será que esse diretor ou os especialistas se lembram do que seria necessário fazer, em 1968 em relação à fome no mundo? Em 40 anos, quais países ainda serão emergentes? É realmente problema de vontade política e de se ensinar e dar condições de "pescar" e não de dar o peixe já frito a esse segmento faminto da sociedade. Soluções estão à mostra a todo momento e para todo mundo. Uma delas é a transferência de tecnologia. Com tanta boa vontade que notamos em nossos líderes mundiais, não seria difícil um consórcio onde se ensinaria e proveria de boa infra-estrutura, de forma eficiente e eficaz, o cultivo, a produção, consumo de alimentos, erradicando a fome no mundo. Medidas nesses moldes não são para 2040, 2050 e sim pra já. A FAO deveria atuar em idéias semelhantes, em reunir nações realmente empenhadas em ajudar o povo faminto desse planeta e não em fazer considerações do que esse ou aquele País deve fazer. sem opinião
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O Pacificador (135) 16/11/2009 13h40
O Pacificador (135) 16/11/2009 13h40
"Países emergentes precisam dobrar produção de alimentos até 2050..."
Aqui no Brasil, podem esquecer.
Sem chance...
Ao menos se continuarem os atos de organizações tipo MST, que invadem, destroem e queimam lavouras, com nossas autoridades assistindo á tudo, imersas no mais profundo e nojento silêncio constrangedor, não vai ter produção suficiente não.
Estamos deixando de ser uma nação do agronegócio, e nos tornando uma republiqueta especializada no "agroterror"...
4 opiniões
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Cleverson Castilho Menon (5) 16/11/2009 12h16
Cleverson Castilho Menon (5) 16/11/2009 12h16
Os paises ricos são uma piada mesmo. Enquanto eles destroem a Terra, querem que os paises emergentes alimentem aqueles que os ricos destroem. Devem os emergentes ajudar os pobres sim... mas os ricos deveriam e vão morrer de fome um dia. sem opinião
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