Dinheiro
15/10/2009 - 16h54

Térmicas lideram inscrição para leilão de energia

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SOFIA FERNANDES
colaboração para a Folha Online, em Brasília

No próximo mês de dezembro, enquanto os principais países discutem o ambiente durante a Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, em Copenhague, o Brasil corre o risco de realizar um leilão de energia concentrado em usinas térmicas.

Em 17 de dezembro será feito o leilão de energia nova A-5, que determinará os empreendimentos que ficarão prontos para abastecer as empresas distribuidoras em 2014.

Foram 81 inscritos, somando 19.168 MW de potência instalada. Entre os empreendimentos, apenas sete são usinas hidrelétricas, com oferta de 905 MW. Em contraponto, são 49 termelétricas movidas a gás natural inscritas, com potência de 15.015 MW.

No total do leilão, há 17.719 MW de potência instalada só de usinas térmicas, incluindo usinas a gás e a carvão, o que equivale a 92,5% do total da energia a ser licitada.

No último leilão A-5, no ano passado, foram licitados 25 mil MW, com grande participação de térmicas movidas a óleo. Neste ano não há presença de óleo, considerado muito mais danoso ao ambiente do que o gás natural.

No entanto, são sete usinas de carvão mineral inscritas, quatro de carvão nacional e três de carvão importado. Todas têm 2.704 MW de potência instalada, mais que o dobro do potencial das hidrelétricas do certame.

O que mais preocupa a EPE (Empresa de Pesquisa Energética) é que, até o momento, nenhuma das usinas hidrelétricas cadastradas tem licença ambiental prévia, expediente obrigatório para que um empreendimento participe de um leilão. A data limite para que o empreendimento tenha a licença do Ibama é 12 de novembro, 35 dias antes da licitação. A lista dos empreendimentos habilitados a participar da licitação sai dia 2 de dezembro.

Além das sete hidrelétricas, 12 PCH (pequenas centrais hidrelétricas) estão inscritas no leilão, somando capacidade de 201 MW.

Mauricio Tolmasquim, presidente da EPE afirmou nesta quinta-feira que considera positivo o número de empreendimentos inscritos e a ausência total de termelétricas movidas a óleo neste leilão. O gás retorna com grande força, resultado de preços atrativos e a previsão de conclusão, em 2014, de alguns gasodutos.

Tolmasquim falou do custo ambiental em não se licitar as hidrelétricas e que este leilão não representa a base de recursos hídricos do país. "A proporção de energia hídrica que se contratará no leilão está agora nas mãos da área ambiental", afirmou.

Mas o Brasil está tranquilo em sua oferta e não vai contratar energia a qualquer preço. Segundo Tolmasquim, os reservatórios estão no maior nível dos últimos dez anos e a oferta de energia, que já está com bastante excedente, ainda vai aumentar com a entrada de energia eólica em 2012. O leilão de eólica acontece em novembro, com alguma chance de ser adiado para dezembro.

Licenças

Tolmasquim explicou que a licença para liberação de usinas térmicas é feita por cada Estado e geralmente é mais fácil de sair do que a licença para hidrelétricas. "Muitas vezes o Estado tem interesse em atrair a térmica para sua área porque aquilo vai criar emprego, criar impostos etc", afirmou. A licença ambiental para hidrelétricas é concedida pelo Ibama.

Estão inscritas no leilão térmicas nas regiões Sul e Nordeste. Tolmasquim confirmou também a construção de uma térmica no Estado do Rio de Janeiro.

 

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