Deflação volta a ameaçar economia japonesa
PATRICIA SOUZA
da Efe, em Tóquio
A persistente deflação continua sendo a grande ameaça à incipiente recuperação da economia japonesa, reconheceram hoje o governo e o Banco do Japão (BC do país) --que prevê três anos consecutivos de índices negativos de preços no país.
A segunda maior economia do mundo, cujo crescimento nos anos 1990 foi contido pelo fantasma da deflação, segue vendo os preços caírem.
Em setembro, por exemplo, o IPC (Índice de Preços ao Consumidor) caiu 2,3% em relação ao mesmo período do ano passado. A queda, além disso, foi a sétima consecutiva neste ano.
Ao mesmo tempo em que o governo divulgava esse e dados positivos sobre a reativação do consumo e a queda do desemprego, o BC japonês alertava para o risco de a deflação no país persistir pelo menos até março de 2012.
"Em uma economia onde os preços continuam caindo, é crucial ver se essa queda de preços será uma pressão depressora sobre a atividade econômica", informou o banco em um relatório. A instituição manteve os juros em 0,1% para estimular a economia.
O banco, no entanto, espera que o ritmo da queda dos preços diminua pouco a pouco, até chegar a 0,4% no ano fiscal de 2011, e seja acompanhada de uma reativação da economia. A instituição prevê ainda que os índices de preços voltarão a ser positivos a partir de abril de 2010, que a taxa deve alcançar 1,2%. Para este ano, a previsão é de deflação de 3,2%.
Horas antes dos dados serem divulgados, o governo japonês já havia informado sobre uma deflação de 2,3% em setembro, o que o fez manifestar sua preocupação com a influência da queda de preços sobre a incipiente recuperação japonesa.
A deflação de setembro, um décimo menor que a de 2,4% alcançada em agosto, foi decorrente da queda dos preços da energia, que despencaram mais de 16%, enquanto os da gasolina recuaram 25%.
Por sua vez, o núcleo da inflação, que exclui os preços voláteis dos alimentos, foi de 1% em setembro, um décimo a mais que o de agosto.
O vice-primeiro-ministro do Japão, Naoto Kan, afirmou hoje que "a economia, de modo geral, segue o caminho da recuperação, embora os preços continuem caindo". "Portanto, estou um pouco preocupado com a deflação", acrescentou.
O governo japonês publicou hoje outros dois dados referentes a setembro que são um pouco mais positivos para a economia: o aumento de 1% dos gastos das famílias japonesas --em relação ao mesmo mês de 2008-- e a queda de 0,2 ponto --em relação a agosto deste ano-- da taxa de desemprego, que agora é de 5,3%.
O recuo do desemprego foi anunciado um dia depois de o Executivo ter comunicado um crescimento de 1,4% na produção industrial, o que mostra uma recuperação das fábricas e geralmente se reflete positivamente do emprego.
Segundo os analistas japoneses, a queda do desemprego, que em julho tinha atingido a taxa recorde de 5,7%, foi possibilitada pelo aumento de 1,5% --o maior desde março de 2005-- na quantidade de vagas criadas entre agosto e setembro.
O Executivo japonês também divulgou hoje dados sobre o consumo, que aumentou em setembro apesar de a deflação frear as compras, já que os consumidores ficam à espera de mais reduções nos preços. Segundo o governo, os gastos mensais das famílias japoneses em setembro subiram 1% em relação ao mesmo mês de 2008, seguindo a tendência de alta que é experimentada desde maio, responsável por 14 meses consecutivos de contração.
O dado é importante porque a ajuda a determinar a evolução do consumo privado no país, responsável por 60% do PIB (Produto Interno Bruto), que cresceu 2,3% no segundo trimestre do ano.
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Fizestes uma bela autocrítica e demonstratester um nivel de cognição igual ou inferior ao do Luia.
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