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Dinheiro
04/11/2009 - 17h20

BC dos EUA mantém juros em 1ª reunião após fim da recessão

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VINICIUS ALBUQUERQUE
da Folha Online

O Fed (Federal Reserve, o BC americano) manteve nesta quarta-feira sua taxa de juros no patamar em que a colocou em dezembro do ano passado, uma margem de variação de zero a 0,25% ao ano. A decisão foi a primeira do banco após a divulgação do crescimento de 3,5% da economia americana (ritmo anual) no terceiro trimestre, que encerrou a recessão técnica no país.

Atividade econômica dos EUA continua a se recuperar, diz Fed

Mesmo com o fim da recessão, o Fed manteve a cautela, considerando que os juros baixos podem ajudar a economia a se reerguer --o último índice positivo de desempenho da economia dos EUA, antes do terceiro trimestre deste ano, foi o do mesmo trimestre de 2008, quando a contração foi de 2,7%.

Arte Folha Online/Fonte: Federal Reserve
Juros nos EUA
Juros nos EUA

No trimestre passado a economia se beneficiou das ajudas federais saídas do pacote de estímulo aprovado em fevereiro deste ano, de US$ 787 bilhões. Outros fatores contribuíram, como o programa conhecido como "Cash for Clunkers", pelo qual os proprietários recebiam subsídios federais no valor de até US$ 4.500 para trocar seus carros usados por novos, mais eficientes no uso de combustível.

Pelos resultados corporativos vistos nas divulgações dos últimos meses, os sinais são de que as empresas conseguiram absorver o impacto da crise. No setor bancário isso foi mais visível: o lucro do JPMorgan Chase disparou para US$ 3,6 bilhões, contra US$ 527 milhões no mesmo período de 2008 --um aumento de 583,1%.

O Goldman Sachs lucrou US$ 3,2 bilhões no período, contra US$ 845 milhões (US$ 1,81 por ação) um ano antes; mesmo o Citigroup, um dos mais atingidos pela crise, teve lucro de US$ 101 milhões no terceiro trimestre, contra um prejuízo de US$ 2,8 bilhões um ano antes --o Bank of America, no entanto, vai ter de esperar um pouco mais, já que teve prejuízo de US$ 1 bilhão no trimestre passado, com o aumento das perdas ligadas a créditos.

O mercado financeiro também tem passado por momentos que sinalizam o fim da crise. No dia 14 do mês passado o índice Dow Jones, da Nyse (Bolsa de Valores de Nova York, na sigla em inglês), fechou acima dos 10 mil pontos pela primeira vez em um ano --sete meses depois de chegar ao menor nível em 12 anos, em 6,547.05 pontos no dia 9 de março.

Mercado de trabalho

Esses números, no entanto, contam apenas parte da história: boa parte dos ganhos entre os bancos, e em outros setores, refletem cortes acentuados de custos e empregos --que mostram o quanto ainda será preciso fazer para que o país volte de fato a crescer.

Os dados mais recentes disponíveis sobre o mercado americano de trabalho mostram uma situação ainda precária: foram perdidos em setembro 263 mil postos de trabalho; a taxa de desemprego no país chegou a 9,8%. Desde o início da recessão, em dezembro de 2007, o número de pessoas desempregadas no país aumentou em 7,6 milhões, para um total de 15,1 milhões de pessoas. Entre maio e setembro, a perda de postos de trabalho nos EUA ficou, em média, em 307 mil vagas por mês; a média entre novembro do ano passado e abril deste ano foi de 645 mil.

Na segunda-feira (2) o presidente americano, Barack Obama, afirmou que a economia já recuperou muito terreno desde janeiro, mas mais empregos poderiam ser perdidos antes de uma total recuperação ser registrada. "Antecipamos que continuaremos a ver mais perdas de empregos nas próximas semanas e meses", afirmou.

Obama disse que a economia começou a se estabilizar depois de uma profunda queda em meio à crise financeira global, mas ele destacou que ainda há um longo caminho a ser percorrido e que é preciso encontrar novos modelos para o crescimento no futuro.

No domingo (1º) o secretário americano do Tesouro, Timothy Geithner, manifestou um relativo otimismo, ao dizer que a economia do país pode começar a gerar empregos já no primeiro trimestre de 2010.

Consumo

A situação difícil para quem perdeu o emprego nos EUA por conta da crise se reflete no ritmo dos gastos com consumo no país. No trimestre passado como um todo, refletindo o efeito das ajudas federais, o consumo teve crescimento de 3,4%, mas visto apenas o ritmo de setembro, houve queda de 0,5%, após a alta de 1,4% em agosto.

Mesmo em linha com o esperado, a queda foi vista como sinal de que, sem estímulo, o consumidor tende a se retrair, diante do temor de ficar desempregado, reduzindo seus gastos apenas a necessidades mais urgentes. A renda pessoal, por sua vez, ficou estável em setembro, após subir 0,1% em agosto.

Os índices de confiança do consumidor mais recentes mostram que a crise ainda não chegou ao fim. A Universidade de Michigan apresentou na semana passada seu índice de confiança, que caiu para 70,6 pontos em outubro, contra 73,5 um mês antes. A universidade verificou que os americanos preferiram pagar dívidas a fazer novos gastos, devido à incerteza sobre o mercado de trabalho. O índice de expectativas caiu para 68,6 pontos, contra 73,5 um mês antes.

Também na semana passada o instituto privado de pesquisas Conference Board divulgou seu índice de confiança do consumidor, que atingiu 47,7 pontos --segunda pior leitura desde maio--, contra 53,4 pontos em setembro.

Segundo o instituto, os consumidores estão com uma visão sombria para o futuro, esperando piora no nível dos negócios, aumento no desemprego e queda nos salários. Esta é uma má notícia principalmente para o varejo, que dependem de um fim de ano forte para fechar o ano com um bom nível de receita.

Comentários dos leitores
Aldevino De Zan (29) 16/12/2009 10h41
Aldevino De Zan (29) 16/12/2009 10h41
A china comprará o minério da Vale mais barato, e venderá seus carros, aqui no Brasil, também mais barato.Já tá na hora da China invadir o mercado de automóveis no Brasil, pois vários outros setores estão sofrendo a pressão chinesa, com muitas demissões, pequenas fábricas quebrando.Seria bom um ataque chines a indústria automobilistica, pra acordar o Lula e o PT. sem opinião
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JOSE MOTTA (75) 15/12/2009 19h55
JOSE MOTTA (75) 15/12/2009 19h55
POLITICOS VAIDOSOS E INGENUOS? NÃO, SABEM MUTO BEM O QUE ESTÃO FAZENDO, INCLUSIVE O PRESIDENTE. MANTER O POVO SEM CULTURA E EDUCAÇÃO FAZ PARTE DO ESQUEMA. POVO CULTO E EDUCADO JAMAIS VOTARIAM NAS PESSOAS QUE GOVERNAM ESSE PAIS E E ESQUEMA DESABARIA. sem opinião
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André Nader (7) 14/12/2009 12h51
André Nader (7) 14/12/2009 12h51
Essa medida da china em segurar a especulação imobiliária seria uma boa ideia para ser utilizada aqui em Brasília, onde a TERRACAP, empresa responsável por licitar os imóveis, ajuda os especuladores colocando os valores dos terrenos a preço de ouro o que ajuda a explicar porque o metro quadrado de Brasília está se tornando rapidamente o mais caro do BRASIL.
Isso se deve a distribuição de "PANETONES" a filiados politicos que "LAVAM" esse dinheiro comprando propriedades em nomes de terceiros ou justificando que um imóvel comprado a um ano por R$1.000,00 possa ser vendido no ano seguinte por R$3.000,00.
VERDADEIRA VERGONHA NACIONAL.
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