Gerdau prevê elevação de 50% nos investimentos dos próximos quatro anos
da Reuters
A Gerdau elevou em 50% sua previsão de investimentos para os próximos cinco anos, após divulgar lucro no terceiro trimestre dentro do esperado e que confirma a evolução positiva do setor siderúrgico apresentada em balanços de rivais no Brasil.
A maior produtora de aços longos das Américas aumentou nesta quinta-feira de R$ 6,3 bilhões para R$ 9,5 bilhões a estimativa de investimentos no período entre 2010 a 2014, sendo que cerca de 80% do montante será aplicado no Brasil, afirmou o presidente da companhia, André Gerdau Johannpeter.
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"Para 2010, vemos uma evolução positiva quando comparada a 2009, com retomada mais lenta e gradual em mercados como Espanha e Estados Unidos", disse o executivo a jornalistas.
Depois de passar um primeiro semestre operando a 50% de sua capacidade, a Gerdau exibe nível médio de utilização de 70%, disse o executivo. Atualmente, a Gerdau tem capacidade de produção global de cerca de 20 milhões de toneladas anuais de aço.
Entre os projetos que serão focos do aumento dos investimentos está a retomada da instalação de um novo equipamento que marcará a entrada da empresa no mercado de chapas grossas. O produto, feito por rivais como a Usiminas, é usado em aplicações como construção de embarcações marítimas e equipamentos pesados.
A Gerdau vai investir R$ 1,75 bilhão no equipamento, um laminador que será instalado em unidade da empresa em Ouro Branco (MG) e terá capacidade para 1 milhão de toneladas anuais. O início da operação está marcado para 2012.
A empresa também retomou nesta quinta-feira atividade na mina de minério de ferro de Várzea do Lopes (MG) e que deve atingir uma produção anual de 1,5 milhão de toneladas, disse André Gerdau, acrescentando que a companhia poderá ainda elevar essa capacidade no futuro.
Com a outra mina de Miguel Burnier, também em Minas Gerais, a Gerdau deverá alcançar ritmo de produção anual de 2,7 milhões de toneladas de minério de ferro no final de 2010, dentro da estratégia de ampliar consumo de minério próprio.
O plano também envolve aumento de produção da empresa na Índia, terceiro maior produtor de aço do mundo. No Peru, onde a empresa detém a Siderperu, a Gerdau vai reativar produção de alto-forno "por volta do segundo ou terceiro trimestre do ano que vem", disse o executivo.
Lucro
A Gerdau teve lucro líquido de R$ 655 milhões no terceiro trimestre, abaixo do ganho reportado de R$ 1,42 bilhão um ano antes. Ainda assim, trata-se de uma expressiva melhora ante o prejuízo de R$ 329 milhões de abril a junho deste ano. Analistas consultados pela Reuters previam, em média, lucro de R$ 677 milhões de reais de julho a setembro.
A receita líquida no período cresceu 6,4% contra o trimestre imediatamente anterior, para R$ 6,808 bilhões. Já o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, amortização e depreciação) foi de R$ 1,375 bilhão no trimestre encerrado em setembro, contra R$ 595 milhões entre abril e junho. No terceiro trimestre do ano passado, a geração de caixa tinha sido de R$ 3,841 bilhões.
A margem Ebitda trimestral foi de 20,2%, mais que duas vezes maior que a registrada no segundo trimestre deste ano.
A companhia produziu 29,8% mais aço bruto no terceiro trimestre em relação aos três meses anteriores, com produção total de 4,024 milhões de toneladas. Em laminados, houve alta de 19,1%.
Câmbio valorizado
A empresa ainda espera uma recuperação maior dos mercados internacionais, para ajudar a compensar parte de perdas provocadas pela apreciação do real contra o dólar.
"O câmbio em 1,7 (real por dólar) é ruim, não ajuda a vender (...) Mas nós não exportamos mais pela baixa demanda internacional", afirmou o vice-presidente financeiro da Gerdau, Osvaldo Schirmer. Ele disse que a empresa está trabalhando em corte de custos para lidar com o real forte.
Em outro front, do endividamento, a Gerdau pretende reduzir gradualmente sua dívida. Segundo Schirmer, para o quarto trimestre haverá amortização de R$ 600 milhões e para 2010 a programação é quitar mais R$ 2 bilhões.
O grupo terminou setembro com dívida líquida de R$ 10,7 bilhões, queda de 40% na comparação com o final de 2008. Parte importante da diminuição decorre do efeito da valorização do real sobre a dívida em moeda estrangeira.
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