Concorrência entre construtoras vai crescer no segmento popular, diz agência
da Folha Online
A concorrência entre as construtoras e incorporadoras brasileiras deverá crescer em 2010, sobretudo no segmento econômico, na avaliação da agência de classificação de risco Fitch Ratings.
Para a agência, a melhora do cenário macroeconômico, a maior oferta de crédito e os estímulos do governo deverão sustentar a recuperação do setor ao longo do próximo ano, e levar ao aumento da disputa em certos nichos de mercado.
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De acordo com a analista sênior Fernanda Rezende, da Fitch, a expectativa é de retomada geral dos negócios de construção, porém os lançamentos de unidades com valor até R$ 130 mil, que se enquadram no programa do governo "Minha Casa, Minha Vida", deverão saltar de forma mais expressiva.
Lançado no início deste ano, o programa do governo federal prevê R$ 34 bilhões em subsídios para a construção de 1 milhão de moradias para famílias com renda de até 10 salários mínimos. Conforme Fernanda, o programa foi também um dos responsáveis pela rápida resposta do setor de construção à crise financeira.
"O que vemos é que a maioria das construtoras preservou liquidez. O fluxo de caixa livre deve permanecer negativo em 2009, mas algumas já terão fluxo de caixa positivo em 2010", afirmou a analista, em teleconferência nesta quinta-feira.
No final de outubro, a Fitch revisou, para cima, as perspectivas dos ratings de corporativos de cinco empresas do setor de construção, entre elas MRV Engenharia e Cyrela, em razão da "rápida e consistente mudança nos fracos fundamentos do setor".
Os ratings de Gafisa e da Trisul, no entanto, seguem com perspectiva negativa. Já os ratings da Tenda, que deverá ser incorporada pela Gafisa, foram afirmados em observação positiva.
A maior exposição das empresas ao segmento econômico, contudo, não indica maior exposição ao risco, ressalta Fernanda. "Mudar de segmento de atuação é motivo de preocupação para uma agência de rating, mas tudo depende de como a empresa vai conduzir a operação", acrescentou o diretor da agência, José Roberto Romero.
No caso específico do segmento econômico, alguns fatores podem acabar mitigando riscos, entre eles ciclo mais curto e a forte atuação da Caixa Econômica Federal assumindo o risco de crédito conforme a operação. "O risco do comprador vinha sendo questão nesse segmento, mas existem minimizadores", reiterou Romero.
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