Governo divulga produtos dos EUA que poderão sofrer retaliação
LORENNA RODRIGUES
da Folha Online, em Brasília
A Camex (Câmara de Comércio Exterior) publicou no "Diário Oficial da União" desta segunda-feira lista de produtos importados dos Estados Unidos que poderão ser sobretaxados em retaliação aos subsídios pagos pelo governo norte-americano à produção local de algodão.
De acordo com o governo brasileiro, os subsídios em questão descumprem regras da OMC (Organização Mundial do Comércio). Em 31 de agosto, a OMC autorizou ao Brasil a aplicação de sanções aos EUA em resposta à rejeição dos Estados Unidos a eliminar os subsídios ao algodão.
Países em desenvolvimento abrem quase metade das disputas na OMC
União Europeia diz que conseguiu evitar "escalada protecionista"
Diretor da OMC diz que não vê progresso nas negociações de Doha
Além de divulgar a lista, o Brasil ainda solicitou hoje permissão ao órgão máximo do comércio mundial para aplicar as sanções comerciais. A OMC deve decidir sobre essa questão no dia 19 de novembro, na próxima reunião do Órgão de Solução de Controvérsias. A resposta deve ser afirmativa, já que uma negação só ocorreria se todos os membros da OMC votassem contra, incluindo o Brasil.
Pela resolução, poderá ser aplicada tarifa adicional de até 100 pontos percentuais sobre a já cobrada na importação de cada produto. A lista, que tem 222 itens, ficará em consulta pública até o dia 30 de novembro.
Entre os produtos estão frutas, peixes, complementos alimentares, cosméticos, algodão penteado, tecidos, eletrodomésticos, veículos, materiais hospitalares e outros.
Em 2008, o total importado dos produtos da lista corresponde a US$ 2,7 bilhões, mas a estimativa é que o total que o Brasil poderá retaliar seja de US$ 900 milhões. O valor ainda está em discussão na OMC.
De acordo com a secretaria-executiva da Camex, Lita Spindola, o governo pretende dar início à retaliação a partir de janeiro do ano que vem. Após a consulta pública, um grupo interministerial definirá quais produtos serão retaliados e, até o fim do ano, a Camex deverá decidir a lista final. Se a decisão for levada adiante, será a primeira vez em que o Brasil irá retaliar outro país comercialmente.
"Queremos concentrar em produtos de maior valor, que não são insumos nem bem de capital e que o mercado interno tenha outras fontes de abastecimento, de tal maneira que não prejudique o mercado interno", afirmou Lita.
De acordo com a secretária, até o momento nenhum representante do governo norte-americano procurou o governo brasileiro para tentar fechar um acordo para evitar a sobretaxa. "Até o momento não houve qualquer conversa nesse sentido. Resta, portanto, o direito da parte prejudicada em iniciar o processo de retaliação", disse.
Segundo a secretária, a retaliação se estenderá a outros produtos além do setor de algodão porque as importações brasileiras nesse setor não são significativa. "O ideal para o setor nacional de algodão é que os subsídios fossem eliminados. Outra alternativa é que parte dos resultados se converta em benefícios para o setor, mas isso, se for feito, será por parte do Ministério da Agricultura", completou.
Os 222 produtos presentes na lista representam 10,6% das importações brasileiras dos Estados Unidos feitas em 2008.
Com agências internacionais.
Leia mais notícias sobre a OMC
- Países em desenvolvimento abrem quase metade das disputas na OMC
- União Europeia diz que conseguiu evitar "escalada protecionista"
- Diretor da OMC diz que não vê progresso nas negociações de Doha
Outras notícias sobre economia em Dinheiro
- Governo estuda reduzir percentual de álcool na gasolina
- Produção de veículos se recupera e cresce 15% em outubro
- Ministro defende redução do IPI para carros mais potentes
Especial


avalie fechar
avalie fechar
A grande pergunta aqui é se esse "problema" em Dubai, é o reflexo ainda da crise de um ano atrás, ou é o aviso que a tal crise ainda não acabou e está agora entrando em outra fase?
Portanto, Dubai é reflexo, consequência ou início de um novo ciclo de destruição econômica?
avalie fechar